H e i t o r
Eu já estava a uns 20 minutos ou mais parado ali em cima daquela moto, brigando entre encarar a porta e encarar o chão. Segundos eu pensava em subir e ir embora, segundos eu queria ter peito pra sair dali e ir até lá. Um dos sentimentos mais confusos que me aconteceu.
Ela tinha os motivos dela pra não querer me ouvir, mas era frustrante porque eu sabia totalmente das minhas ações, do meu coração, da minha conduta, de tudo. Aquela garota me ferrou a troco de nada e essa era a única coisa que aconteceu.
Queria sentir raiva por ela não querer me ouvir. Se fosse em outra situação eu teria ficado puto e não procurava nunca mais.
Mas aí eu colocava minha cabeça no travesseiro e não tinha como pensar em outra coisa se não nela, no quanto eu queria e precisava resolver aquela situação.
Eu precisava olhar no olho dela. Como eu precisava olhar pra ela...
Eu fiquei esperando uma mensagem desde a hora que o Henrique respondeu dizendo que eles já tinham chego no rio, mas a mensagem não chegou. Eu passei o dia encarando aquele celular, mas ela não ligou.
Eu podia tá sendo um otario em ir atrás, um babaca mesmo por correr atrás dela.
Mas não tinha outra coisa provável, eu ia enganar mais a quem ?
Me apaixonei de um jeito fodido por ela como nunca me apaixonei e me envolvi com alguém.
Sempre ia ser difícil. Sempre ia ter muitas coisas. Nunca ia ser como qualquer outro relacionamento que a gente podia ter, mas nada disso ia mais me fazer mentir sobre o que eu sentia por ela. Tudo podia continuar exatamente como estava, menos a verdade do que eu sentia.
Eu amava aquela garota, como eu nunca amei outra mulher.
Meus olhos bateram nela, e tudo mudou desde aquele dia da invasão.
Nunca mais foi a mesma coisas.
Não consegui correr, não consegui mudar isso, meu coração simplesmente enlaçou no dela e não quis soltar nunca mais.
É como se ela fosse minha sem ser.
Aquela coisa tinha um poder sobre minha respiração e nada me tirava mais o ar do que aquela angústia pra ver ela. Isso pra mim, que nunca quis me prender a alguém, era simplesmente assustador.
Eu ia ficar ali a noite inteira, se pá até a madrugada e não ia adiantar.
Eu não sabia se ir ou ficar era um erro, mas eu precisava tentar.
Eu nunca tinha entrado naquela casa. Eu sempre fiz de tudo pra ficar longe dali.
Eu sabia que eu não era a pessoa que eles queriam ali, muito menos pra ela. Mas eu não podia passar nem mais um dia sem tentar falar com ela.
Eu tava me sentindo um rato, essa era a realidade da situação.
Minhas pernas tavam bambas. Minha mão suando muito e eu tava sentindo meu rosto quente, morrendo de vergonha da situação.
Foi difícil pra mim e talvez ela não imaginasse um dia o quanto.
Eu engoli tudo o que tava sentindo.
Tentei calar todos os pensamentos e interfonei parando ali. Foi coisas de poucos minutos até eu ouvi o barulho do código sendo digitado e alguém atender.
Levantei meu olho devagar colocando as mãos no bolso com o capacete pendurado no braço e na hora que levantei a cabeça meus olhos bateram nos do Zé, que pareceu bem surpreso de me ver ali.
Heitor: Boa noite..- eu tirei uma das mãos do bolso passando ela pelo rosto nervoso.
Que situação..
Zé: Boa noite Heitor..- ele respondeu de volta engolindo a saliva e travando o maxilar
Nina: Heitor..- eu ouvi a voz da Nina e segundos depois ela apareceu na porta também surpresa por eu tá ali.- Tá tudo bem ?.- ela deu aquele sorriso de sempre olhando pra mim
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MINHA CURA
RomanceQuando vi você nem sabia que isso ainda poderia acontecer comigo essa coisa de amor
