54

5.1K 446 158
                                        



"Ninguém pode te condenar por sentir de forma tão absurda e verdadeira."

M a r i a L u í s a

Avelar: Cuidado garota, não pede ajuda e daqui a pouco derruba isso tudo.- ele falou pegando algumas caixas da minha mão e eu respirei aliviada, tava morrendo de medo de deixar alguma coisa cair.

Maria Luísa: Eu procurei você e o Ronan, sei lá onde você se meteram, eu tinha hora pra pegar as coisas.- eu revirei os olhos fazendo uma careta pra ele até ouvir a porta ser aberta e uma voz atrás de mim fazendo com que nós dois virássemos quase juntos

Henrique: Ó quem eu achei perdido por aí, já tava quase tirando ele do cargo que nem recebeu..- ele empurrou o Lipe e eu arregalei os olhos sem acreditar que ele realmente tinha aparecido ali

Maria Luísa: Naaao mentira.- eu dei um pulinho com as caixas na mão e o Henrique me xingou pegando elas

Lipe: Fico um tempo fora e vocês já quase me deserdam da família, gosto assim.- fechou a cara e me puxou me dando um abraço e um beijo na testa.- Muda nada em, que isso, o tempo só faz bem pra tu.- ele falou do jeito debochado e engraçado de sempre. Acho que era coisa de ser adotado sabe ? Se bobear a gente pertencia a mesma família sanguínea e nem sabe

Maria Luísa: Eu achei que você não viesse mais..

Lipe: Não ia..- ele coçou a cabeça.- Tava esperando ter certeza que ninguém mais ia aparecer.- ele deu uma respirada e o Henrique olhou de canto pra mim. Sabia que ele tava falando da Sol, já tinha quatro anos que ele tinha ido embora do Brasil. Eu sempre gostei muito dele, dos nossos momentos todo mundo junto, mas eu como sempre respeitava as pessoas, e eu sabia que ele foi a pessoa que mais sofreu fazendo a escolha de ir embora. Acho que o Lipe me entendia um pouco por ter uma história muito parecida com a minha. Ele foi adotado pelo tio Léo junto com a Martina depois deles descobrirem que ela não poderia mesmo engravidar. Eu era bem pequena, um neném quando ele chegou, e ele sempre fez parte da nossa vida. Ninguém contava que um belo dia ele se apaixonaria justo pela Sol. A gente até hoje não sabe muito bem o que aconteceu. Eles esconderam muito toda a situação, e assim que a gente soube de tudo ele foi embora, e pouco tempo depois a sol foi também. Não deu nem tempo da situação se estender. O Henrique sofreu muito. Ele tentava dar uma de forte mais eles eram unha e carne, quase que inseparáveis e eu sabia que ele sentia muita falta dele.

Maria Luísa: Que bom que você tá aqui.- eu abracei ele pela cintura de novo.

Lipe: Tenho uma parada pra falar pra vocês, mas a gente desenrola depois..- ele falou fazendo gesto com a mão. Cheio dos mistérios. Eu ri assentindo e a gente foi pra perto do Henrique o do Avelar que estavam terminando de deixar as caixas pra mim

Maria Luísa: Obrigada, mas pode ir porque a arrumação é surpresa.- falei abraçando o Henrique que passou a mão por cima do meu pescoço olhando dentro do meu olho. O olhar levou um tempo, e era como se ele pudesse ler minha alma com aqueles olhos em mim. Eu engoli a saliva a seco e encarei ele dando um pequeno sorriso.

Henrique: Um certo alguém não ia tá aqui te ajudando ?

Maria Luísa: Mudança de planos.- eu sorri sem vontade pra ele e engoli a saliva de novo.- Mas eu dou conta sozinha

Avelar: Vou tomar um banho que tô cheio de areia ainda, se precisar me chama jaé ?.- ele falou olhando pra mim e eu assenti vendo ele sair mexendo em alguma coisa no celular

MINHA CURAOnde histórias criam vida. Descubra agora