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Maria Luísa

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Maria Luísa

Enrolei toalha no cabelo enquanto fechava a porta do banheiro atrás de mim e peguei a que tinha deixado em cima da cama enrolando no corpo. Parei por dois segundos e encarei a bagunça na minha frente respirando fundo, eu ainda não sabia nem por onde começar a arrumar aquilo. Sonhei acordada por alguns segundos, seria incrível estalar os dedos e tacharam, tudo foi pro seu lugar, ri de mim mesma meio segundo depois sabendo que não iria acontecer.

Aproveitei para responder a mensagem do Henrique e vesti a roupa que já tinha deixado separada em cima da cama, poucas semanas em Nova York quase me fizeram esquecer o calor escaldante do Rio de Janeiro. Encarei a hora na tela do celular e pra variar eu estava atrasada. Peguei a primeira troca de roupa que achei na minha frente enfiando dentro da bolsa e também minha necessaire, com toda certeza tinha tudo o que eu precisava ali. Olhei em volta só pra ter certeza que não estava deixando nada pra trás mas realmente estava tudo ali. Esquecer qualquer coisa não estava nos meus planos, não teria tempo de voltar e de certa forma, era melhor assim.

Estava quase terminando de secar o cabelo quando a porta do quarto foi aberta. Senti o perfume invadir meu quarto e soube na hora que era o Henrique sem nem precisar olhar pra trás. A coisa mais linda e irritante do mundo, mas conhecido como meu irmão, como sempre muito educado entrando sem avisar.

Ele se jogou na minha cama e ficou me encarando pelo espelho por longos segundos sem falar nada. Eu não precisava de muito pra saber que tinha algo estranho, conhecia aquele olhar de outros carnavais, aquele jeito meio sem jeito de quem queria dizer algo sem saber como. A gente sempre foi assim, conhecíamos um ao outro por apenas um olhar, e eu ainda estava tentando descobrir até que ponto isso era bom.

Maria Luísa: Quer falar alguma coisa ?.- desliguei o secador e me virei ficando de frente pra ele. Não pude deixar de perceber a expressão esquisita do seu corpo e fiz uma careta sem entender o que tinha dado nele.

Henrique: Preciso conversar com você..

Maria Luísa: Não me diga que meu pai já te mandou aqui pra reclamar de alguma coisa ? Eu vim direto do aeroporto pra cá, não acredito que já vai começar..- engoli a saliva frustada já imaginando a realidade da situação.

Henrique: Não.- ele respondeu rápido e eu ri negando com a cabeça sabendo que era mentira.- Não adianta fazer essa cara Maria Luísa, eu vim por mim, não preciso de ordem de ninguém. Você já deveria saber que entre a gente é outra história.-  ele apontou pra nós dois de um jeito engraçado e eu ri, virando pro espelho de novo.

O Henrique nunca seria como qualquer irmão, seria um pecado dizer isso. Ele era muito mais que um irmão pra mim. Talvez, se a vida me desse alguém do mesmo sangue, não fosse assim, exatamente como a gente era.
Ele era meu melhor amigo, meu Porto Seguro em épocas de vendavais.

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