Capítulo 9: E quais são as regras?

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Hannah Carson

Tinha ficado um tempão nas escadas vendo Luca com Charlote e Mason. Não precisei de mais do que um minuto pra perceber que ele levava muito jeito com crianças e parecia gostar delas. E não fiquei nem um pouco surpresa ao ver ele ganhar a curiosidade e depois a atenção dois dois, usando aquilo que eles mais gostavam.

Mas o momento encantador acabou no momento que as crianças me viram. Fui bombardeada por perguntas sobre porque eu demorei e onde estava Hazel, Adam e Caleb que ainda não tinham ido vê-los. Esse era o problema de se ter uma família grande e unida, todo mundo sentia falta de todo mundo, até mesmo as crianças.

—Ei, Hannah, não sabia que já tinha chegado também. —Bia veio me dar um beijo assim que entrei na cozinha, vendo-a arrumar algumas coisas ali. Luca tinha ido se sentar no sofá e estava mexendo no celular, enquanto as crianças subiram correndo para se trocarem. —Se eu soubesse tinha ficado em casa pra receber vocês dois.

—Eu não ligo e acho que o Luca também não. —Falei, e Bia parou o que estava fazendo e se aproximou de mim, se inclinando sobre a bancada onde eu havia me escorado para falar mais baixo.

—Vocês dois se falaram enquanto estavam sozinhos? —Questionou, e eu me arrependi muito de deixar que ela e as outras soubessem sobre isso, porque não seria fácil ficar perto de Luca com a curiosidade delas com o que está acontecendo ou não.

—Só um pouco. Nada demais. —Abri um sorriso pra Bia, tentando soar super bem com aquilo. —Acho que vamos acabar virando amigos ou algo do tipo. Ele não tem qualquer interesse em mim e tudo bem.

—Não acredito que você vai desistir justo agora que vocês dois vão ficar na mesma casa por algumas semanas. —Bia exclamou, abaixando ainda mais a voz quando lançou um olhar demorado na direção de Luca. —Sabe como foi comigo e com o Zack.

—Vocês dois já se gostavam. Luca pode muito bem não ver nada demais em mim. —Rebati, sentindo meu coração se apertar um pouquinho ao dizer aquilo, porque eu desejava que não fosse assim. —E eu não quero forçar demais e soar insuportável, ou ele se sentir assediado.

—Tudo bem, eu te entendo. —Bia soltou um suspiro pesado, como se realmente esperasse ver alguma coisa entre nós dois acontecendo. Eu apostava tudo que não demoraria muito para Emma e Hazel se juntarem para criar uma fanfic sobre eu e Luca.

Bia se afastou e eu me virei para ver Luca olhando algumas histórias em quadrinho que Mason tinha trazido pra ele. Os dois já estavam em uma conversa animada e acho que era a primeira vez que eu via Luca conversando e sorrindo bastante. Normalmente ele parecia se fechar em um mundo próprio na sua cabeça. As vezes eu gostaria de poder entrar nesse mundo.

[...]

O jantar estava sendo interessante. Mason quis se sentar ao lado de Luca, como se já tivesse o escolhido como novo  melhor amigo do qual ele não podia se separar. Eu tinha caído na cadeira de frente pra ele, o que tornava minha vontade de não olhar pra ele uma missão bem difícil. Mas até que eu estava me saindo bem. Pelo menos pelos primeiros minutos.

—Você pode me explicar como esse jogo de vocês funciona? —Luca questionou, olhando para Zack ao meu lado, enquanto Bia estava ocupada ajudando as crianças a se servirem sem fazer bagunça. —Eu ainda estou um pouco por fora.

—Claro, é bem simples. Os jogos começam oficialmente na manhã seguinte ao Dia de Ação de Graças e vão até a noite de Natal. Nossa missão principal é só uma, pregar peças nas outras equipes. As melhores que conseguirmos pensar. —Zack afirmou, e eu escondi o sorriso atrás do copo de suco quando vi a curiosidade se acender nós olhos de Luca. —Se armarmos alguma coisa e eles caírem, levamos um ponto, mas se eles descobrirem, eles levam o ponto. Como você já deve imaginar, ganha a equipe que na noite de Natal tiver mais pontos.

—E quais são as regras? —Luca questionou, e eu, Zack e Bia trocamos um olhar demorado, antes de eu olhar pra Luca e abrir um sorriso pra ele, como se fosse o contar um segredo. Não deixei de notar que de primeira ele pareceu sem jeito, antes de prestar atenção em mim.

—Não existem regras. Podemos fazer qualquer coisa que pensarmos que eles podem cair. —Falei, e Luca me encarou de uma forma que nem parecia estar piscando, o que me fez abaixar os olhos para o meu prato, porque eu acabei ficando sem jeito. —É claro que a gente sempre toma cuidado para não fazer nada que machuque alguém.

—E jamais envolvemos as crianças nisso. —Bia completou por mim, e eu escutei Charlote resmungar alguma coisa baixinho. Ela tinha insistido para participar no ano passado, afirmando que já era grandinha o suficiente pra isso. Mas Bia e Zack não deixaram, porque ficaram com medo de depois ela usar isso pra aprontar com os primos.

—Eu estava esperando outra coisa, mas parece divertido. —Luca girou seu copo de suco sobre a mesa, parecendo distraído com alguma coisa. Aproveitei o momento para observa-lo, vendo a pequena covinha no canto dos seus lábios quando ele sorriu de leve. —Vocês só literalmente aprontam uns com os outros.

—Antigamente a gente fazia isso com os vizinhos. —Zack deu de ombros quando Luca olhou pra ele como se não pudesse acreditar nisso. —Mas ficamos adultos demais pra continuar a fazer isso, então os irmãos Willis deram a ideia desse jogo.

—Aposto que vocês enlouqueciam seus pais quando tinham a minha idade. —Luca comentou, e enquanto Bia e Zack riam, me toquei do fato de que Luca ainda tinha apenas 19 anos. Eu era três anos mais velha do que ele. Parecia um detalhe quase engraçado.

—A gente ainda faz isso. —Sussurrei, mas sabia que Luca tinha ouvido porque olhou pra mim. Nós dois nos encaramos por um momento quase longo demais. Não havia nenhuma timidez passando nos olhos dele, apenas uma curiosidade genuína e uma gentileza calma.

Desviamos os olhos ao mesmo tempo e eu decidi que ia mesmo evitar olhar pra ele pelo restante do jantar, porque meu coração estava martelando no meu peito como se alguém tivesse chutando uma bola lá dentro. E havia uma sensação calorosa sempre que Luca olhava pra mim, porque normalmente ele evitava fazer isso quando estávamos no mesmo lugar.

—A gente ganhou no ano passado. Quem ganha, começa os jogos no próximo ano. —Bia voltou a falar, e eu olhei pra ela, vendo o sorriso quase grande demais que ela abriu. —E eu já tenho uma ideia de como podemos começar isso em grande estilo.


Continua...

A última jogada do coração/ Vol. 3Onde histórias criam vida. Descubra agora