•38•

2K 102 8
                                        

Ana Luísa

Eu passei quase toda a viagem cochilando, vez ou outra acordava e ficávamos conversando, e acho que paramos umas duas vezes até chegar no destino final. E eu não sei o que me deixou mais feliz, se foi o fato dele me trazer até aqui ou o fato dele ter pensado em exatamente TUDO, e alugou um hotel super bonito e pertíssimo do estádio. Assim que chegamos, fizemos o check-in e subimos para o quarto. Ele era bem grande, continha uma cama de casal muuuito espaçosa, um banheiro com uma banheira enorme e uma sacada. 

Ana: Você pensou em tudo mesmo, né? – Coloquei meus braços por seu pescoço, aproximando nossos rostos até nossos narizes estarem praticamente colados. – Não pensei que você planejasse coisas desse tipo. Sabe que é loucura né?

MK: Loucura de amor, loira. Faço de tudo pra tu ficar feliz. – Colou nossos lábios, num beijo rápido. – Bora dormir pra tu ficar bem descansada amanhã. Temos que sair daqui umas 13h. 

Ana: E qual camisa tu vai usar? Já que não vai poder usar uma do flamengo? – encarei seus olhos e desci até sua boca. 

MK: Me resta uma camiseta preta né. Não tô doido nesse ponto. – Me puxou pro seu colo beijando e me colocando na cama, tirando sua camiseta para podermos dormir. – Boa noite, loira. 

Ana: Boa noite, Kaue. – beijei seus lábios uma ultima vez, e logo adormeci com a sua respiração na minha nuca e seus braços ao redor do meu corpo. 

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

Acordei com a claridade do quarto e consegui ouvir o MK conversando de dentro do banheiro. 

MK: Tamo de boa, vamo embora amanhã cedo. – pausa – Pode crê, avisa a maluca ai que Ana Luísa ta bem, nós tava morto, por isso ela não avisou. – dei uma risadinha. – É isso irmão, fé pa tu e cuida das coisas ai cuzão. – Ouvi a porta sendo destrancada, e uma imagem sua apareceu na minha frente de banho recém-tomado e sem camisa, enquanto eu me despreguiçava. – É pedir demais ter você assim na minha cama todo dia?

Ana: Depende qual é o seu demais. – ele me abraçou e me deu um beijinho no rosto. – Se for demais me pedir em namoro, então é sim. 

MK: Nada é demais quando se trata de você, aprende nunca? – me puxou da cama e me empurrou pro banheiro. – Vai se arrumar que vamos almoçar e já vamos pro jogo. 

Ana: Ta me chamando de fedida Kaue? – coloquei as mãos na cintura, olhando incrédula pra ele. 

MK: To te chamando de atrasada, anda logo em.  – bateu na minha bunda e eu dei risada, entrando no banho sendo mais rápida do que eu pude.

 Vesti a camiseta preta e branca do timão e um short jeans desfiadinho, e nos pés coloquei meu tênis branco que tinha usado ontem pra vir pra cá. Sai do quarto e Kaue já estava devidamente vestido com uma bermuda jeans e a camiseta preta. Lindo, como sempre. Me peguei com a boca salivando mas logo me recompus. 

MK: Não adianta disfarçar – deu uma risadinha, se aproximando e agarrando minha cintura. – Já vi você babando por mim, loira. 

Ana: Você é bem convencido né? – Ergui as sobrancelhas lhe encarando – Eu estava olhando a vista da sacada, mas até que você não é de todo mal. 

Ele selou nossos lábios em um beijo rápido e cheio de carinho, e eu sentia meu coração na boca. Antes eu sentia atração pelo Kaue pela sua aparência, hoje, minha atração vai além da forma física.  O que ele fez por mim, essa loucura de me trazer até São Paulo nem que por algumas horas só pra me fazer feliz, ninguém nunca tinha feito nada parecido, e isso me deixava com as pernas bambas e um sorriso besta na cara. 

Ana: Depois do jogo poderíamos passar pra ver a minha mãe, o que acha? – encarei seus olhos, e pela primeira vez ele desviou seu olhar sobre mim – O que foi? Não achou uma boa ideia?

MK: Mães não costumam gostar muito de mim não doutora – coçou a nuca sentando na cama –Mas te apoio, pô. Te deixo lá e fico esperando no carro, sem problemas. – Me ofereceu um sorriso sem dentes enquanto eu me aproximava do seu corpo, sentindo seu carinho. 

Ana: Eu quero te apresentar Kaue, minha mãe uma hora ou outra vai saber se você. – Afaguei seu rosto – E ela não é um bicho de sete cabeças, todos os meus amigos costumam amar ela. 

MK: Sou teu amigo não, pô! Sou teu homem, te manca em – apontou o dedo pra mim e eu bati no mesmo dando risada. 

Ana: Ta bom, meu homem! Independe tu vai ter que ir conhecer ela, e vai saber quando iremos voltar pra São Paulo ou então ela ir até o Rio. Acho que é a oportunidade perfeita, e eu não contei pra ela que eu estava aqui, vai ser uma surpresa dupla.– selei nossos lábios ainda ouvindo ele reclamando, mas logo depois saímos rumo ao estádio.

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

Assim que coloquei meus pés na arquibancada, senti as primeiras lágrimas escorrendo pelo meu rosto, funguei e tentei limpar, mas elas caiam descontroladamente. Meu coração parecia uma escola de samba e faltavam ar em meus pulmões. A sensação de estar ali, vivendo o maior sonho do meu pai era indescritível. Ele ia amar estar aqui, ia amar me ver feliz, e com certeza estaria gritando junto com a torcida organizada. Nos sentamos nos nossos lugares marcados, e só naquele momento MK se deu conta de que eu estava emocionada. 

MK: Papo reto, Ana Luísa. Eu já te vi de vários jeitos, mas ver tu realizando seus sonhos é minha versão favorita.  – Sorri envergonhada, limpando uma lágrima que insistia em cair. – Tu brilha, ilumina qualquer um. 

Ana: Só brilho porque tô contigo. Você realiza meus sonhos Kaue. Realizou todos os que eu te contei até agora. 

MK: E vou realizar qualquer um que você tiver, loira. Gosto de te ver feliz. 

Ana: Isso é uma promessa? Olha lá em, eu sou pior que criança quando me prometem algo. 

MK: Promessa pra mim é dívida, gata! – piscou me dando um selinho, e eu exibia um sorriso que não cabia no meu rosto. 

Logo o juiz apitou e o jogo se tornou vivo dentro do campo, e passamos os 90 minutos avacalhando um ao outro de forma discreta pra ninguém perceber que tinha um intruso entre nós. Quando o Flamengo fez o primeiro gol, eu senti o Kaue querendo surtar de tanto gritar, mas sua expressão neutra me fez dar gargalhadas até minha barriga doer. No intervalo tiramos uma foto juntos, que mais tarde eu pretendia compartilhar com os meus seguidores do Instagram. O segundo tempo pareceu passar muito mais rápido, bom, pelo menos pra mim, já que o Corinthians virou o jogo e o arbitro deu fim ao jogo com um placar de 3x1. 

Ana: Não esquenta meu amor, no próximo jogo talvez vocês tenham alguma chance. – dei pulinhos enquanto andava, mas percebi que Kaue continuou no lugar. Franzi o cenho, voltando até ele. – O que aconteceu? 

MK: Repete o que tu disse. – sorriu pra mim. 

Ana: Talvez na próxima vocês tenham chance. – outro sorriso surgiu em meu rosto. 

MK: Antes disso. – cruzou os braços. 

Ana: Humm, não sei... Deixa eu pensar. – Coloquei um dedo sobre o queixo. – Meu amor? – o encarei. 

Seu sorriso se expandiu ainda mais, coisa que eu nem sabia que era possível, e ele me agarrou pela cintura, me tirando do chão e me beijando, de forma carinhosa. 

MK: Só de te ouvir me chamando assim, já fez valer a pena eu sair de casa pra ver o Flamengo perder. – selei nossos lábios novamente. 


"Faz uma loucura por mim, 

Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê

torcer por ele."


Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora