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Ana Luísa 

A delegacia estava um caos.

Eu acho que nunca tinha visto tanto policial junto na minha vida, parecia cena de filme. Me identifiquei na recepção e logo me colocaram numa sala a espera de um dos meninos. 

Antes de sair de casa tive que deixar a Vic e a Melissa num pronto atendimento, pois a pressão da Mel tinha baixado muito, e ficamos preocupadas com a saúde do bebê. E, aparentemente, entre nós três, quem estava com a cabeça melhor era a Vic, mas mesmo assim preferi comunicar uma das médicas de plantão para ficar de olho nela.

Meu celular não parava, e eu tinha até medo de olhar as notificações, afinal, eu sabia o tamanho da reputação dos meninos nesse mundo do crime, e com certeza tinha alguns jornalistas tentando contato comigo para uma reportagem. 

A sala era pouco iluminada, já que a maior parte da iluminação era natural, e eu me encontrava as 03:47 da manhã fora da minha caminha e dentro de uma delegacia gelada, e o mais importante, com o meu coração apertado.

XXX: Tem preferência em falar com algum deles primeiro? – Neguei, mesmo querendo mais que tudo ver o Kaue. – Vou ver se eles já estão liberados para falar com a doutora. 

Ana: Obrigada.– Dei um meio sorriso enquanto o policial acenava com a cabeça, saindo da sala. 

Abri minha bolsa pegando meu notebook e abrindo uma das principais páginas de notícias do pais, pois se tinha alguma coisa a mais que eu precisasse saber, estava lá. 

A porta foi aberta, e eu soltei um suspiro, tentando controlar meus olhos marejados quando meu namorado passou por ela, algemado, com roupas sujas e rasgadas e a cabeça cabisbaixa. 

Ana: Pode tirar as algemas, por gentileza. – Me recompus, e o gaurda negou meu pedido.

XXX: Melhor não doutora, manteremos ele algemado. – concordei com um sorriso ciníco e me levantei indo em sua direção.

Ana: A não ser que o senhor queira que haja uma denúncia, podendo te causar uma multa ou até mesmo anulação da prisão, é melhor que desfaça das algemas. Não há possibilidade de fuga e meu cliente não demonstrou comportamento agressivo. – Ouvi seus dentes rangendo e logo fez o que eu pedi. – Obrigada, e certifique que os outros também não venham algemados até mim. 

Esperei ele sair da sala pra pular em cima do Kaue, o beijando rapidamente. Meu coração doía em saber das condições que iriamos ter de ali em diante, de não poder conversar com ele a todo instante, não dormir junto todos os dias e não ter seus carinhos. Quando afastei nossos rostos, reparei em seus olhos vermelhos, provavelmente de ter chorado, e passei a mão por sua bochecha, me levantando pois podiam entrar ali a qualquer momento. 

MK: Pode acabar commigo, vai. Me diz que tu tava certa esse tempo todo e que eu deveria ter te escutado. –  sorri, negando com a cabeça, me sentando em frente a ele. 

Ana: Não preciso de nada disso, você já pagou com a língua. –  dei de ombros, brincando enquanto ele me dava a língua. –  Pode me contar como aconteceu esse infeliz acidente? 

Ele apoiou os  cotovelos na mesa, passando as mão pelo cabelo e soltando um suspiro longo. Não era surpresa que provavelmente o Kaue estava se culpando pelo o que aconteceu, mesmo que talvez a culpa não tenha sido só dele. Eu sabia o quanto ele se cobrava com as coisas relacionadas a boca e o crime, talvez por traumas de ter visto o pai em certas situações. Nós quase nunca conversamos sobre isso, e as poucas vezes ele falava de uma forma bem rasa, deixando claro que aquele assunto o incomodava. 

MK: Nós estavámos pegando os blocos de dinheiro, e o Neguinho não saia de lá de dentro. O carro tava me esperando, o aviso é bem claro, eu sou sempre o último a entrar porque eles apenas me esperavam, foda-se quem ficar pra trás. – Assenti, lhe dando força pra continuar me contando todos os detalhes. Nesse momento, isso era o mais importante, precisava de todas as informações detalhadas para poder montar uma estratégia de defesa. – Então ele pediu ajuda, e por conta do calor nós já tínhamos tirado as máscaras, porra, tava inusportável de ficar com aquilo. Eu e o BH entramos e tinha um bloco preso embaixo do banco. 

Passei a mão pelo rosto, já entedendo o final da história. 

Ana: E ai vocês foram ajudar, e quando viraram, a câmera captou o rosto de vocês. – Ele concordou, e eu praguejeei, nervosa. – Porra, ta, ok. Vou pensar em alguma coisa. Vou precisar ver o depoimento dos meninos, e o seu também, vocês já fizeram isso? Falaram alguma coisa que foi prejudicial para vocês? 

MK: Disse pra eles não falarem nada sem sua presença, e eu fiz o mesmo. – Sorri, pois com certeza isso iria ajudar muito. – Como tu tá? Foi mal, loira. Não queria que nada disso tivesse acontecido, te deixei lá sozinha e agora tô aqui dentro. Vou atrasar tudo nossa vida, nossos planos...

Ana: Fica tranquilo, amor. Vai dar tudo certo, vou dar um jeito de tirar vocês daqui. 

MK: Eu sei que vai, tu é a melhor que existe. – revirei os olhos sorrindo, sentindo minhas bochechas queimarem. – Lembra do que a gente conversou ontem? Você precisa cuidar dos negócios pra mim. 

Arregalei meus olhos, sentindo minhas mãos suarem. 

Ana: Como assim Kaue? – Franzi o cenho, confusa. Foi sobre isso que ele estava falando? – Eu nunca fiz isso na vida, não sei se dou conta de fazer umas coisas dessas. 

MK: As meninas vão te ajudar, vocês dão conta, acredita em mim. – Segurou minha mão e eu senti o gelo que elas estavam. – Tu é a primeira dama, loira. Tu é respeitada lá dentro, e eu vou deixar avisado que eles tem que te obedecer. No meu computador na boca tem tudo o que você precisa saber. 

XXX: O tempo acabou. –tirei minhas mãos da sua em um movimento rápido, mas o policial mal percebeu, pois seu olhar estava todo em Kaue. 

Ana: Preciso de mais 5 minutos, pode se retirar por gentileza? – Limpei a garganta, me recompondo, e mesmo contra vontade, ele fechou a porta, nos deixando sozinhos novamente. – Tem certeza disso? 

MK: Toda certeza do mundo, o BH vai conversar com a Vic também, mas não sei como no momento, se você puder adiantar sobre isso com ela. –concordei, suspirando fundo. – Via dar certo, os meninos vão ensinar vocês a atirarem, vai ser necessário. Tu é foda, elas são fodas. Não tem com quem deixar a não ser vocês. 

Guardei minhas coisas na bolsa, mesmo ainda tendo que conversar com os meus outros dois amigos que estavam envolvidos nessa bola de neve. 

Ana: Uma última coisa, eles falaram alguma coisa que seja importante resaltar? – Me referi aos policiais, mas meu namorado discordou.  – Bateram em vocês? 

O policial entrou novamente, dessa vez algemando seus pulsos de fora grosseira. 

MK: Sempre né, doutora. – Me deu uma piscadinha e eu escondi uma risada. Ele se levantou enquanto o policial estava na frente e me sussurou um "eu te amo". Soprei um beijo pra ele, e o policial voltou me avisando que já traria um dos meninos. 

Encostei minhas costas na cadeira, sentindo uma dor de cabeça vir lá no fundo. Tive que demonstrar que estava calma para não deixar ele estabilizado, mas não sabia se seria uma boa ideia. 

"Tu prometeu estar sempre com ele, Ana Luísa", obrigaga subconciente por me tornar uma sem palavra. 

Vai dar certo, tem que dar. 

A porta abriu, mas eu ainda estava com a cbeça baixa para reconhecer quem tinha entrado na sala. 

Neguinho: Acho que o pai vai ficar bonitão com roupa de presídio, fala tu princesinha do morro.  – Abri um sorriso, levantando minha cabeça para o encarar enquanto o policial saia pela porta. – Ta bonitona em. 

Ana: Você é estoicismo puro, Diogo. – Neguei com a cabeça ainda dado risada. 

Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora