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Ana Luísa
30 de Junho, 11:10

Um mês e meio e ainda não consegui tirar eles de lá.

Meu corpo pedia socorro, porque eu não dormia nem comia direito. Só trabalhava na administração do morro e pesquisava novos recursos pra diminuir a pena ou tirar eles de lá.

Vic: Trouxe pra você. — Sua cabeça surgiu em minha porta com um sorriso no rosto, e em seguida seu corpo a acompanhou com um prato nas mãos. — Fiz strogonoff de frango, sua comida favorita.

Senti um amargo na boca, porque não sentia fome nenhuma, mas forcei um sorriso e estendi minhas mãos para conseguir pegar. Deixei sobre a cama e continuei a pesquisa no computador, mas a Victoria decidiu ficar em pé me olhando.

Ana: O quê?

Vic: Vou ficar aqui até você comer. — coloquei uma garfada na boca, e apesar de estar deliciosa, me forcei a engolir. Meu corpo não aceitava nada. — Comer tudo.

Fiz uma careta e neguei com a cabeça, colocando o prato em cima da minha mesinha, pra dar espaço pra minha amiga sentar.

Ana: Sou uma péssima advogada. — ela fechou a cara. — e uma péssima namorada também.

Vic: Não, tu tá fazendo o que pode. E até o que não pode, pelo visto. — Passou a mão pelos meus cabelos que estavam embaraçados.

Ana: Melissa vai parir daqui 15 dias Victoria. E eu não consegui tirar o pai do filho dela da cadeia. Se o Neguinho perder o nascimento do filho dele... Ele nunca vai me perdoar. — Lágrimas nasciam nos meus olhos, não era ele quem não iria me perdoar. Era eu.

Vic me puxou pelo ombro, me dando um abraço apertado e reconfortante, daqueles que a gente precisa em um dia ruim.

Vic: Sabe... Eu sei que não é a melhor opção. Mas podíamos considerar a ideia deles também. Eles são grandes, sabem o que fazem.

Enxuguei minhas lágrimas que insistiam em descer pelo meu rosto, e olhei para minha amiga, tentando achar um traço de brincadeira.

Ana: E se for pior? A gente não tem como garantir nada.

Vic: Exato! Não tem garantia na vida, Ana Luísa. Eu sofro mais vendo você assim do que pelo meu namorado que ta na cadeia. — olhei cínica pra ela, não era possível.

Ana: Óbvio, eu te dei visitas semanais nas quais você aproveita muito bem. — revirei meus olhos enquanto ela dava risadinhas. — Vou pensar, ok? Vou conversar com eles, mas não tô muito convencida disso.

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Sabe o que animava qualquer pessoa? Compras.

Por mais que o Davi tivesse ganhado bastante roupinhas no chá revelação, eu me sentia na obrigação de fazer um enxoval completo pro meu sobrinho.

Eu e as meninas passamos em todas as lojas que tinham coisa de bebê possíveis. Melissa já tinha o quartinho todo decorado, pois ganhou de presente dos pais, que estavam ansiosos com a chegada do primeiro neto.

Mel ficou tão feliz quando a mãe quis se reaproximar dela depois de tudo o que ela havia passado no começo da gestação. E eu mais ainda, pois sabia como era o peso de ser rejeitada pela mãe por conta das suas escolhas de vida.

Falando nisso, minha mãe não me dava mais sinal de vida, nem mesmo sinal de fumaça. Antes eu ficava sabendo de uma coisa ou outra, mas depois de um tempo, ela chegou até me bloquear no Instagram. Nem preciso falar que chorei horrores com essa decisão.

Depois de muito andarmos, paramos na praça de alimentação para comer alguma coisa antes de ir pra casa, porque segundo a Vic, ela não iria pro fogão depois de cansar as pernas no shopping.

Mel: Tô tão apaixonada em tudo. Obrigada meninas, vocês são incríveis. — ela tinha um sorriso lindo no rosto, fazia tempo que não via um semblante assim.

Sorri sem mostrar os dentes, e continuei a comer minha comida, pois era o primeiro dia em muitos que eu sentia vontade de comer.

Vic: Hoje nem se compara ao dia do nascimento, ainda mais que o pai dele vai estar presente. Não é, Ana?

Minhas mãos começaram a tremer enquanto meu coração acelerou forte. Subi meus olhos em direção a Melissa, que me olhava com a boca aberta em um completo 'O', com um brilho nos olhos. Meus olhos marejaram e eu senti um aperto forte no peito.

Mel: É sério? Você me promete Ana? – Permaneci estática, sem uma reposta e Victoria se adiantou.

Vic: É verdade sim. — abriu um sorriso falso e me cutucou.

Respirei fundo puxando todo o ar que eu podia, limpei uma lágrima que iria cair e abri um sorriso amargo.

Ana: É... é verdade. — Melissa praticamente pulou em cima do meu colo me abraçando e beijando meu rosto, por toda a parte.

Mel: Obrigada, obrigada, obrigada! Você é a melhor advogada e amiga do mundo. Eu te amo, obrigada por sempre dar o seu melhor.

Eu juro que naquele momento, quase toda a comida voltou, meu pulso estava a mil e meu corpo com certeza estava gelado. Mas a única coisa que fiz foi a abraçar de volta e olhar pra Victoria, que olhava orgulhosa.

Se a maldita estava tentando mexer com o meu psicológico, ela conseguiu. Eu não vou decepcionar a Melissa agora.

Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora