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Ana Luísa
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1 de Junho, 09:44

Eu já estava decidida, e eu tinha um plano que era quase impossível de dar errado.

Vic: Vai trabalhar hoje? – Assim que desci as escadas, a visão das meninas sentadas a mesa atingiu meus olhos. – Fiz da café da manhã, senta com a gente.

Ana: Eu bem que queria mesmo, mas tô atrasada. – dei um beijo no topo da cabeça da Mel e outro no rosto da Victoria. – Hoje vai ser um dia bom, escuta o que eu tô falando.

Mel: É bom te ver animada de novo. – Sorriu pra mim – Sentíamos falta dessa Ana.

Meu coração apertou por alguns segundos, pois sabia o quão afastada eu estava. Meu emocional não era um dos melhores, e minha companhia piorou.

Ana: Sempre por vocês, gracinha. – Peguei a chave do carro e fui rumo ao local marcado, chegando com pelo menos meia hora de antecedência.

Apesar de ser bem controlada, eu estava ansiosa, nervosa e com medo. Quer dizer... Não é todo dia que você arma uma fuga de uma cadeia de vigilância máxima, né?

Uma figura com camisa cinza e boné da cabeça se sentou junto a mesa, colocando um cardápio em frente ao rosto, decidindo o que ia pedir.

Eric: Se me pagarem aqui eu tô fudido, não tô de marola. – disse discretamente logo chamou a garçonete para anotar o pedido. – Tenho 30 minutos no máximo, pra tu.

Ana: Meu cliente não ia gostar de saber a forma que tu anda falando comigo, vacilão. – mostrei o dedo pra ele, e logo a atendente chegou perto da nossa mesa. – Um capuccino grande, por favor. – Ela concordou com a cabeça, anotou nossos pedidos e esperei ela estar o mais longe possível para começar a conversa. – Tu tá devendo uma pro MK, sabe disso né?

Eric: Lembro disso todos os dias da minha vida, mas qual foi?

Ana: Preciso de um favor... – Nossos pedidos chegaram, e mais uma vez esperei estamos sozinhos para colocar o plano em ação.

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15:21

A sala pequena e abafada parecia ainda pior no dia de hoje. E nem o meu terninho preto passou despercebido durante a revista dos policiais.

Ana: Não entendi ainda o porquê de um agente me acompanhar na visita de hoje. O meu papo com o meu cliente é uma coisa de extrema importância e pessoal. – O guarda nem me encarou, ainda com a postura ereta.

Xxx: Reclama com o juiz, doutora. Não é comigo não. – Bufei e coloquei minha maleta sobre a mesa, revisando minha papelada enquanto o MK não chegava na sala, mantendo minha postura.

Kaue entra algemado, como de costume. O cabelo mais curto e barba rala deixam em evidência que havia sido revistado recentemente. Ele se senta a minha frente e entre nós dois, tem apenas uma mesa de metal e uma saudade letal, que dói o peito. Nenhum toque, nada além dos olhos.

MK: Boa tarde, doutora. – tentando se manter frio, encostando na cadeira.

Ana: Boa tarde Kaue, temos pouco tempo. – Tiro os papéis da pasta. Por fora, relatórios, por dentro: esboços do plano, desenhado com palavras cifradas.

Aponto uma caneta para o que seria o "recurso negado", mas na verdade, está indicando a planta da ala de segurança minima.

Ana: O juiz recusou a liminar. A movimentação agora depende de um recurso superior... – abaixo o tom de voz, tentando mexer minimamente meus lábios. – ...ou de uma saída não convencional.

MK: Quanto tempo eu tenho? – abaixou os olhos, prestando atenção no papel.

Ana: Quatorze dias, no máximo. – mantenho o tom baixo – O bebê do Neguinho tá quase vindo.

MK: Não posso deixar o moleque nascer sem o pai. Ele já cresceu sem o dele.

Silêncio. Eu o observo, mas mantenho a pose. Ele olha nos meus olhos, enxergando algo.

MK: Tu tá nervosa.

Ana: Tô controlada.

MK: Eu conheço teu olho esquerdo quando mente. Ele pisca menos.

Solto um sorriso de canto, abaixando a cabeça. Mas o agente nos olha desconfiado então eu logo mudo para a minha expressão neutra.

Ana: Você precisa manter a postura. Nas câmeras, nos corredores, até no banho. Tudo é suspeito.

MK: E tu? – suspira, cansado.

Ana: Já comecei o teatro. Peruca ruiva, esquema de distração pronto. Mas você tem que me prometer uma coisa.

MK: Tudo, loira.

Ana: Não surta se algo der errado. Não tente bancar o herói. Eu vou tirar vocês daqui...

MK me olha com um misto de orgulho e preocupação. E eu sinto ali, que ele quer dizer que me ama, mas opta por usar um código.

MK: Lembra aquele dia no Arpoador? Que tu disse que queria nadar até a pedra sozinha, mas quase se afogou?

Tentei puxar na memória, até que veio.

Ana: Lembro, aquele dia foi um caos.

MK: Dessa vez... Eu vou nadar contigo. Só não olha pra trás.

A gente se encara por alguns segundos longos demais. O agente pigarreia e eu recolho os papéis.

Ana: Assina aqui. – Ele assina sem ler, a confiança é cega. Eu levanto, arrumo os papéis e vou até a porta. Antes de sair, sem virar o rosto, digo em tom neutro:

Ana: Próxima visita: terça às 15h. – baixo o tom novamente, quase inaudível. – A última antes da queda.

Eu saio, e ele fica. Mas já tenho outro olhar sobre a situação. Um olhar de quem já começou a fugir.

Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora