"Faz uma loucura por mim
Fala que ninguém te pega igual o teu nego
Coloco tanta grife no teu corpo
Sou tão carinhoso e tão longe de apego
(...)
Faz uma loucura por mim
Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê torcer por ele
Divulga nosso lance em t...
Finalmente em solo americano. Minha ansiedade não cabia no peito, e eu estava ainda mais feliz de realizar esse sonho ao lado da Vic.
Eu não sei qual foi a bruxaria que o Kaue fez, mas em menos de 2 semanas nossos passaportes já estavam prontos. E ele já tinha até feito o do BH e da Victoria. E pra falar a verdade, nem sei porque ele demorou tanto tempo pra avisar eles sobre a viagem, e muito menos porque decidiu fazer de última hora, mas eu não iria reclamar, de forma alguma.
Ninguém sabia falar inglês aqui, eu era a que mais desenrolava algumas palavras, então fiquei responsável por fazer pedidos no restaurante e check-in no hotel. Subimos cada um pros seus quartos, o nosso ficava no 12º e do outro casal no 9º.
Ana: A gente já pode sair pra turistar? – biz biquinho enrolando meus braços no pescoço do meu namorado. – Mal consegui dormir em saber que iríamos vir pra cá.
MK: Acho que a tu pode ir tomar um banho e ir tirar um ronco, o que acha? – revirei meus olhos bufando. – A gente tem mais 4 dias aqui, loira. Fica sussa.
Seu celular tocou, e ele saiu do quarto pra atender, me deixando sozinha. Eu estaria mentindo se dissesse que não tentei escutar a conversa por trás da porta, mas não tive sucesso, então apenas fui tomar um banho e me deitei na cama pra tirar um cochilo.
BH: E tu acha que a gente dá conta? – abri uma frestinha do meu olho e encontrei os dois conversando baixo, provavelmente pra não me acordar – Não tem como a gente aumentar o faturamento de forma tão repentina assim, MK. Isso é loucura mano, tô te falando.
MK: Vontade não é minha não filho, as ordens vem de cima. Não tem o que eu posso fazer.
BH: E como a gente vai resolver esse bagulho?
MK: No evento que ele vai dar amanhã. Ele vai passar o que tem que ser feito...
BH: E vamos falar o que pra elas? – interrompeu o Kaue – Tu não pode me pedir pra eu falar pra Victoria que vamos numa festa em que todos os chefões mais picas do crime vão estar lá. Já tive que fingir que não sabia dessa porra dessa viagem.
MK: Só falar que é uma reunião a trabalho e ponto. Tu não precisa ficar dando detalhe de nada. – comecei a me mexer dando sinais que iria "acordar" e eles pararam de falar.
Abri o olho me sentando na cama e passando a mão pelo rosto, encarando as duas personas que estavam na minha frente.
Ana: Tô com fome, vamos sair pra comer? – BH olhou em direção ao Kaue, que concordou com a cabeça.
MK: Bora loira, vai se trocar.
BH: Vou ir lá acordar a Victoria. – e saiu do quarto batendo a porta.
MK se virou de costas para mim, evitando olhar em meu rosto e eu dei um suspiro alto indo em direção a minha mala para me trocar.
Ana: Tem alguma coisa pra me contar? – ele continuava virado enquanto eu vestia minhas roupas, mas passou a mão pelo pescoço erguendo a cabeça para cima. – Sabe que você não precisa ficar mentindo pra mim, não sabe Kaue?
MK: Não sei do que tu tá falando loira. – sentou na cama e eu concordei com a cabeça, ficando em silêncio. – Tá tudo certo, pô.
Ana: Ta mesmo? Ou você tá tentando enganar todo mundo ao seu redor? – bati os braços sobre o corpo, cansada – Vocês tão cheios de segredo, não contam nada pra gente! Tu ta com medo de que?
MK: Não sou homem de ter medo de nada. – se levantou vindo em minha direção. – Confia em mim, tá tudo certo.
Ana: O que a gente veio fazer aqui? – encarei seus olhos engolindo o choro que veio em minha garganta, e ele desviou seu olhar do meu rosto, passando a mão no queixo – Por que do nada você trouxe a gente pra cá?
MK: Nos dois estamos sempre viajando – deu de ombros – só quis trazer tua amiga junto.
Ana: Só me fala a verdade Kaue. – segurei seu rosto, forçando ele a olhar pra mim – Eu ouvi a conversa, já estava acordada. Que porra de festa é essa?
Seu maxilar ficou rígido enquanto eu examinava cada detalhe do seu rosto, tentando achar algum vacilo.
MK: Ana Luísa, já te falei que tu não tem que ficar se envolvendo em coisa do tráfico. – revirei meus olhos – Tu não tem nada a ver com essa situação.
Ana: Eu tenho sim! Tu ta me levando de companhia. – ergui o dedo em direção ao seu peito – E também sou sua advogada. Ah e além, sou tua mulher, caralho.
MK: É só uma festa, tá satisfeita? – ergui meu queixo, estudando seu semblante – É organizada de tempos de crise em algum complexo. Fazem a divisão de lucro de cada morro e no que nos pode melhorar.
Franzi meu cenho, confusa.
Ana: Qual morro tá em crise?
MK: O mermo que nos vai fazer a missão do assalto. Bagulho tá feio pro lado deles... – interrompi.
Ana: E o que o resto tem a ver com isso? – cruzei meus braços enquanto ele tirava sua camisa pra se trocar. – Eles vão prejudicar todo mundo assim.
MK: Ô loira, tô seguindo ordens de peixes maiores. – concordei, suspirando cansada daquela conversa. – Agora pensa que nos vai passar 4 dias aqui, quer ir aonde primeiro?
Abri um sorriso, erguendo uma lista que eu havia feito no meu celular.
MK: Tu anda bem mimada né garota? – puxou meu corpo beijando meu pescoço, enquanto eu dava risada.
Ana: Tu que me acostumou assim, não vem reclamar não.
MK: Não sou nem doido de reclamar de ti. – olhei pro seu rosto sorrindo, e selei nossos lábios.