Ana Luísa
12 de Fevereiro de 2024
15h00
Estávamos eu e a Victoria atrás da porta do banheiro da farmácia, esperando por um mínimo barulho ou movimentação que viesse do lado de dentro.
Assim que Melissa nos contou sobre o que havia acontecido, esperamos o intervalo do jogo dos meninos e demos uma desculpa que iríamos precisar sair por uns minutos, e cá estamos.
Minhas mãos tremiam e meu coração estava acelerado, pois nunca na minha vida eu pensei que uma coisa dessas podia acontecer com alguém tão próximo a mim. E a culpa corroía por dentro dos meus ossos. Quer dizer, não tinha como eu imaginar tudo que Neguinho e Melissa estavam passando, mas será que eu apenas não fui egoísta demais pra perceber o que estava ao meu redor? Minha vida é realmente tão agitada a ponto de não perceber que um dos meus amigos mais próximos está se afundando nas drogas?
Ouvi o barulho de porta sendo destrancada, e Melissa apareceu com o rosto vermelho e inchado, nos mostrando o teste com as mãos tremendo. As duas linhas vermelhas estavam bem fortes, indicando um positivo.
Mel: Eu acabei com a minha vida! – suas pernas bambearam e nós a seguramos, enquanto arrastávamos ela pra um banco que havia ali perto. – Os meus pais vão me matar, vão me colocar pra fora de casa.
Eu não sabia quem estava mais desesperada, se era a Melissa que tinha acabado de descobrir que iria ser mãe, ou se era eu e a Victoria tentando acalmar ela de alguma forma. Peguei meu celular mandando uma mensagem pro Kaue se virar pra achar o Neguinho pois iríamos resolver aquela situação de qualquer forma.
Vic: Vai dar tudo certo, Mel. Os seus pais vão ficar irritados no começo, mas você vai ver... Eles vão amar ter um netinho pra mimar. – Melissa negava com a cabeça enquanto as lágrimas rolavam por seu rosto.
Mel: Você não entende, Vic. Os meus pais são muito rígidos! Por isso nunca contei sobre o Diogo, eles nunca mais iriam olhar na minha cara só de saber que eu estava me envolvendo com ele, quem dirá agora que estou grávida. Grávida e sozinha, importante ressaltar isso.
Victoria me olhou com desespero, enquanto eu pensava no que poderíamos fazer com toda essa questão.
Ana: Mel, se seus pais te colocarem pra fora, você tem a gente. Sei que falhamos muitas vezes com você, e eu tive essa certeza hoje, mas nós estamos aqui! E vamos sempre estar, com você e com esse bebezinho. – coloquei a mão na sua barriga, que mesmo sem nenhum volume, já parecia ser um lar. – Você pode ficar com a gente, e eu tenho certeza que quando o Neguinho souber que você está gerando um filho dele, ele vai vir te pedir perdão de joelhos, por tudo o que fez.
Vic: Ele te ama, Melissa! E todas nós sabemos o quanto ele errou com você, mas ninguém pode negar a forma que ele te olhava e te tratava. Tem alguma coisa acontecendo com ele, e a gente não pode deixar ele se afundar assim. – Melissa concordou, abaixando a cabeça. – E você pode ter certeza que o bebê vai ser muito amado pelos titios dele. – sorrimos, enquanto ela secava as últimas lágrimas que escorriam.
Meu celular apitou, notificando uma mensagem do Kaue pedindo pra gente se encontrar às 18h, e me confirmou que o Neguinho estaria lá.
Ana: E o que você acha da gente preparar uma caixinha pra contar pro pai do bebê? – seus olhos brilharam, ainda com uma expressão triste no rosto. – Nos vamos estar lá pra te dar apoio. Vem, vamos escolher algumas coisinhas.
Peguei em sua mão, e na farmácia mesmo pegamos um outro teste que contabilizava as semanas de gestação, que já eram duas, e fomos pro shopping com o carro do BH, atrás de uma loja que ainda estivesse aberta, para podermos comprar alguma coisinha que remetesse ao bebê.
Por fim, compramos um body escrito "oi papai! estou a caminho" e colocamos os dois testes por cima. Melissa não se sentiu confortável em ir para a casa dos pais, então ficamos em casa, só nós três, pois decidimos entre eu e a Victoria que seria melhor pra ela agora.
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18h03
Estávamos nos três, subindo o morro em direção a casa do Kaue, e segurávamos as mãos da Melissa num incentivo para que ela continuasse firma na sua decisão. Por mais que tenhamos passado o dia juntas, não sei nem metade do que sua cabeça estava pensando.
Ana: Eu e a Victoria subimos na frente e você sobe por último, ok? – acenou com a cabeça concordando. – Assim a gente evita qualquer transtorno que possa estar nos esperando.
Os meninos da vigia anunciaram que estávamos ali, e logo fomos liberadas a entrar dentro da casa. Conseguia ouvir os três conversando, e escutei algumas risadas do BH e do Neguinho. O cheiro de maconha também estava bem presente, provavelmente estavam num momento de descontração. Abri a porta da sala e os três estavam no sofá, com algumas garrafas de cerveja, e o videogame ligado na televisão.
MK: Eai loira – sorriu ao me cumprimentar mas logo voltou a atenção para a televisão, onde BH e Neguinho disputavam uma partida no fifa. – Qual foi a de vocês?
Olhei pra trás e Melissa estava tão encolhida em um canto da sala, que tive que estreitar meus olhos pra conseguir enxergar ela ali. Fiz um sinal de espera pra ela, que concordou, então eu e a Vic nos aproximamos deles.
Ana: Nada, só o Neguinho que estava sumido. O que aconteceu? – sentei em uma das pernas do MK enquanto Victoria passou os braços pelo pescoço e costas do namorado.
Neguinho: Muita coisa na mente, princesa do morro. Não tava nem vendo os parceiros direito. – fungou o nariz, e eu logo olhei pra Victoria que já me encarava com os olhos atentos.
Vic: Sei... E por onde tu andou? – BH subiu o seu olhar até o dela, confuso.
Neguinho: Tava por aí, vivendo a vida. Sabe como é... – abriu um sorriso sacana.
Ana: A gente tem uma coisa pra falar pra vocês. Podem pausar o jogo, por favor? – olhei pro Kaue, que desligou a TV fazendo os dois chiarem, e chamei a Melissa pra perto.
Seu corpo todo tremia, dos pés a cabeça. Ela andava com passos lentos e antes mesmo que o MK falasse alguma coisa, tampei sua boca com a minha mão. Ela seguiu caminho até estar bem próxima a nós, e nesse momento Neguinho percebeu sua presença.
Neguinho: Tu ta fazendo o que aqui, Melissa? – se levantou num pulo do sofá, e o silêncio se instalou por todo o cômodo. – Pensei que o que tu tivesse visto fosse o suficiente pra não vir atrás de mim.
Franzi o cenho, querendo me levantar, mas o Kaue me puxou fazendo ficar por ali, tentando fazer eu não me envolver no assunto dos dois.
Mel: Não era muito da minha vontade te ver agora, mas precisava te entregar isso aqui. – vi o exato momento em ela engoliu em seco, praticamente jogando a caixa no peito dele.
Neguinho abriu a caixa, e BH surgiu atrás dele, querendo bisbilhotar. O moreno olhou para a caixa alguns instantes, e eu juro que quase consegui ver seus olhos lacrimejando.
BH: Caralho viado, tu vai ser pai maluco. – BH arregalou os olhos sorrindo, dando dois tapas em suas costas.
Ele fechou a caixa, colocando-a no sofá e ficou de costas pra nós. MK me empurrou de seu colo e se levantou indo até ele para o parabenizar, mas no meio do caminho, Neguinho virou com tudo apontando o dedo para Melissa.
Neguinho: E quem me garante que esse filho é meu?
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Loucura de Amor [MORRO]
No Ficción"Faz uma loucura por mim Fala que ninguém te pega igual o teu nego Coloco tanta grife no teu corpo Sou tão carinhoso e tão longe de apego (...) Faz uma loucura por mim Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê torcer por ele Divulga nosso lance em t...
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