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Ana Luísa

Eu não queria, mas depois da cena que eu vi os meninos atirarem naquele homem, eu me senti meio estranha.

Fiquei feliz por ter sido defendida, mas ao mesmo tempo estava incomodada em ter deixado o corpo ali, sem ninguém saber o que tinha acontecido.

Sai do box, limpando o espelho embaçado e me encarei enquanto enxugava e amarrava a toalha pelo meu corpo. Soltei um suspiro cansado enquanto passava alguns produtos pelo meu rosto, e então a porta abriu revelando o Kaue ali na minha frente.

MK: Tá tudo bem mermo, loira? – escondi meus lábios, evitando olhar pra ele e continuei minha rotina de cuidados. – Sabe que fiz aquilo pra te proteger, num sabe? – se aproximou de mim, colocando a mão no meu ombro e massageando o local.

Ana: Sei – fechei meus olhos, passando a mão pela minha testa –, mas eu não tô acostumada com cenas como essa. É estranho, não leve a mal, por favor.

Ele concordou, me dando um beijinho e foi tomar banho, enquanto eu me troquei colocando um pijama e me deitando na cama. Fiquei encarando o teto por uns minutos até Kaue sair do banheiro e se deitar ao meu lado, me abraçando. Fechei meus olhos, me entregando ao sono, mas no fundo ainda conseguia ouvi-lo.

MK: Faço de tudo por tu, Ana Luísa.

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10 de Maio de 2024.

Sábado, e estava uma correria pois de última hora o Kaue decidiu fazer um baile em comemoração ao meu aniversário. Mesmo eu falando cerca de 250 vezes que eu queria uma coisa mais intimista, o moreno decidiu que meu nascimento deveria ser comemorado da melhor forma.

Além dele me entregar 23 presentes, representando cada ano que estou na terra, ele organizou um dos maiores bailes que a Rocinha já teve. Óbvio que eles iam lucrar muito com isso, mas eu ainda preferia uma coisa só com os meus amigos mais próximos.

Apesar de eu amar fazer aniversário, esse ano eu estava desanimada por diversos motivos. Primeiro: eu ainda estou sem conversar com a minha mãe. Ela se quer me manda uma mensagem a não ser o dinheiro que ela insiste em mandar todo mês. Segundo: eu estava com um pressentimento horrível no peito. Uma coisa que nunca havia sentido antes na vida.

E eu não conseguia disfarçar o meu descontentamento toda vez que alguém me perguntava se eu tava ansiosa pro meu aniversário. Um sorriso falso surgia no meu rosto e eu contava a maior desculpa já inventada na face da terra.

MK: O que tua cabeçona anda pensando? – abraçou o meu corpo, nos aproximando. Sorri, me virando para ficar de frente a ele.

Ana: Que eu tenho o melhor namorado do mundo. – dei um selinho – O mais lindo, – e outro selinho – O mais perfeito que existe. Mesmo que seja teimoso e faça um baile enorme contra a minha vontade.

MK: Tua existência tem que ser comemorada, pô. – beijou meu rosto.

O celular dele começou a tocar, então ele se levantou e foi atender, enquanto eu me virei para encarar o teto e pensar o quanto minha vida tinha mudado desde o meu último aniversário. Quando completei 22 anos, minha mãe e a Vic fizeram um bolo surpresa assim que eu saí da faculdade. Passamos a tarde assistindo série e tomando sorvete, e por incrível que pareça, foi um dos melhores dias da minha vida.

Hoje, o tanto de pessoas novas que estão na minha vida, minha família! Nunca imaginaria que eu poderia amar tanto alguém igual eu amo eles. Cada um com o seu jeitinho, que faz o nosso grupo ser completo. E não tem como eu pensar em mudança e não pensar no MK. Sorri toda bobinha, enquanto a porta do meu quarto foi aberta pela Victoria e pela Melissa, com duas sacolas de roupas e a maior gritaria possível.

Vic: A gente veio te animar, já que você parece uma morta viva! – Jogou a sacola na minha direção enquanto eu revirava meus olhos.

Ana: Não tô desanimada. – dei de ombros e evitei olhar para as duas mulheres na minha frente, que não estavam nem um pouco convencidas com as minhas palavras.

Mel: Tá bom gata, então vai pro banheiro se arrumar que hoje a noite é exclusiva sua.

Levantei me arrastando enquanto as duas me empurravam pra dentro do cômodo e dei risada negando com a cabeça, tentando evitar meus pensamentos.

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Como de costume, estava lotado. Conseguia ver a multidão de pessoas de longe, e não era pra menos porque iríamos ter show do Ret e do Chefin.

Não era sempre que os meninos tinham como trazer cantores grandes pra cá, mas os de hoje já tinham tido contado com a rocinha, então ficou mais fácil. Senti um braço rodeando minha cintura, e olhei pra cima dando de cara com o Kaue me encarando com um meio sorriso.

MK: Te amo. – sorri, com o coração cheio, e não sei o porquê, mas meus olhos se encheram de lágrimas. – Eu juro pá tu que vamos ser felizes pra caralho. Ter nossa casa, nossa família e nossa vida.

Ana: Promete mesmo? – concordou com a cabeça. – É o que eu mais quero desde o dia em que eu te conheci.

Ele beijou minha cabeça, e fomos em direção ao camarote onde nossos amigos já nos esperavam, e nós receberam com gritos, palmas e abraços.

Vic: Um brinde a minha melhor amiga, minha irmã de alma. Que sua vida seja recheada de bençãos e felicidades, e eu te amo mais que tudo no mundo. – fiz biquinho, segurando sua mão enquanto ela me olhava com um sorriso estampado na cara. – A Ana Luísa.

Todos brindamos, e alguns vieram me abraçar me felicitando adiantado. E eu juro por tudo, que eu queria estar animada, mas eu não conseguia. Eu sorria pois achava injusto com todos que organizaram essa comemoração pra mim, mas eu só queria ficar grudada nos meus amigos, dentro de casa, em segurança até essa sensação passar.

Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora