•39•

1.8K 93 2
                                        

MK

Acho que nunca fiquei tão nervoso em toda a minha vida. Até porque nunca tive que lidar com esse tipo de pressão. Meu pai desde menor sempre me ensinou tudo o que eu sei até hoje, mas não é muito comum um bandido se apaixonar por uma mulher certa e ter que se apresentar pros pais dela. Bom, eu mermo nunca tinha visto uma cena dessa. 

BH foi um dos únicos no nosso meio que não se envolveu com puta, e ainda sim, não precisou se preocupar com isso, já que os pais da Victoria nunca se importaram muito com ela. Neguinho então, quanta mulher ele não pegou e deixou pra lá alegando que era caso de uma noite só? Até encontrar a Melissa e ficar na merma que eu, mas eles não pretendem se oficializar tão cedo, não que eu saiba. 

E então, sobra eu, um fudido que não sabe nem conversar direito e teve que ser obrigado a tomar coragem de vir conversar com a mãe da mulher que eu to apaixonado. Ai é foda irmão. 

Vou conversar com a velha sobre o que? Qual é o tipo de arma preferida dela, se ela tem passagem pela polícia ou em qual tipo de esquema ela ta envolvida? Porra, não fode. 

Ana: Por que eu sinto que você está nervoso? – me olhou enquanto eu mantinha meu olhar fixo nas ruas e nos carros em movimento. – Já te falei que ela não é de todo mal. 

MK: Mas tu é filha única Ana Luísa. Filha única, advogada formada e tá se envolvendo com um traficante, e calma que tem mais! Não é qualquer traficante não filha, é um dos maiores do Rio de Janeiro. – mantive minhas mãos firmes no volante ainda evitando olhar em seu rosto. – Ela vai me odiar gata, e eu não tenho nada contra isso! Eu também não ia gostar de ver filha minha numa situação dessa. Meu problema é você se sentir mal com o que ela disser a você. Só isso. 

Sua mão encontrou minha coxa, alisando o local. Toda minha tensão se esvai aos poucos do meu corpo, mas mesmo assim não me sinto a vontade para olhar para ela. 

Ana: Minha mãe entendeu quando Vic e BH se assumiram. E ela nunca foi uma pessoa que se intrometesse nos meus relacionamentos. 

MK: Por mais que ela considerasse muito a Victoria, só você é filha dela, loira. As reações são totalmente diferentes. 

Ana: Não importe o que ela fale, Kaue. Eu sei o que eu sinto, e isso já basta! Não se preocupe antes da hora. – Assenti com a cabeça, mas nada do que ela falasse me faria ficar tranquilo.

Continuamos o percurso por alguns segundos até pararmos em frente a um salão com a faixada luxuosa. Não sabia muito sobre Luzia, mas sabia que era boa no que fazia e tinha recebido uma proposta irrecusável. Não era de se espantar sobre onde tinha chegado. 

Ana: Aqui é bem bonito né? – um sorriso estava presente e me deu uma ultima olhada antes de sair do carro, fechando a porta em seguida. Dou um longo suspiro, tirando o cinto do meu corpo e fazendo a mesma coisa que a garota, indo atrás dela. 

Ana Luísa apertou o interfone esperando ser atendida, e o que foram segundos, pareciam horas. Minhas mãos suavam mesmo que eu tivesse acabado de limpa-las. A porta foi aberta, dando espaço a uma recepção com uma mesa de espelhos e um lustre enorme. A recepcionista nos encontrou com um sorriso no rosto, e nos localizou onde estava Luzia, certificando de que não estava atendendo nenhuma cliente. 

Seguimos por um corredor um pouco estreito e escuro, chegando até uma cozinha com uma mesa grande, geladeira, microondas e vários outros eletrodomésticos. Também tinham duas portas que eu desconfio que seja banheiro e alguma sala de descanso. 

Ana: Mãe? 

Esperamos por alguns segundos, até uma das portas finalmente ser aberta, uma figura de cabelos médios, com luzes e magra surgiu. Tinha um olhar confuso olhando para a filha, e franzindo ainda mais o cenho quando olhou pra mim. 

Luzia: Ana Luísa? O que está fazendo aqui minha filha? – Sorriu, indo de imediato abraçar a filha. As duas conversaram e choravam como se fizesse anos em que não se viam. De forma inconsciente dou um sorriso, vendo o quanto o companheirismo das duas fazem jus a tudo o que a loira já tinha me falado sobre a mãe. – Você está tão magra. 

Ana: Ai mãe! – revirou os olhos – Não começa. Surpresa em me ver? 

Luzia: Com toda certeza do mundo! O que veio fazer em São Paulo? – sentou na mesa puxando a filha, mas seus olhos a traíram passando os olhos sob mim uma segunda vez. 

Ana: É... essa é a parte que eu apresento vocês dois.– se virou pra mim, com um sorriso tímido. – Mãe, esse é o Kaue, meu...

MK: Namorado, sou o namorado dela. É um prazer conhecer você Dona Luzia. – estendi a mão pra ela, que olhou surpresa para a filha por 2 segundos, antes de se levantar e me abraçar, me surpreendendo. 

Olhei de relance para o local onde Ana Luísa estava sentada, olhando para nós dois com o rosto iluminado. Sua mãe me soltou do abraço, se sentando novamente com a filha e me convidando a sentar junto. 

Ana: Enfim, o Kaue veio me trazer para assistir um jogo do Corinthians no estádio, acredita mãe? – Sorriu me olhando. – Então decidimos passar aqui pra te ver, antes de voltarmos. Queria que vocês dois se conhecessem. 

Luzia: Claro! Eu já o conheço. – Sua expressão se manteve neutra, mas com uma leve curva em sua boca. – É um bom menino, espero que esteja cuidando de você. 

Ana: Está sim, mamãe. E espero que a senhora goste dele, iria significar muito pra mim. – Luzia me analisa de cima a baixo concordando com a filha. 

Luzia: A partir de hoje, ele é meu filho também. – sorriu para a filha. – Então quer dizer que você também torce para o Corinthians? 

MK: Ah não... não – dei risada – longe disso. Sou flamenguista. O jogo era contra o Flamengo. – ela concordou. – Mas sua filha merece realizar tudo o que almeja, só estou dando uma força. – olhei para Ana Luísa que também me encarava, e se apoiou no meu peito buscando conforto. 

Conversamos por um tempo até meu celular começar a vibrar indicando uma ligação do BH, fazendo eu me soltar dos braços da loira e pedir licença, indo até o carro para atender. 

Ligação on

BH: Fala puta, como ta as férias?

MK: Acabei de conhecer a sogra irmão. Mais nervoso do que nunca - soltei uma risada. 

BH: Boa mano, agora só falta o pedido oficial revirei os olhos esperando ele falar Desculpa interromper vocês ai, mas as coisas tão apertando. Precisamos adiantar 15 mil pra eles. Eu sei que tem na conta, mas precisava ver com você antes. 

MK: Faz o seguinte, tem um maninho devendo 7 mil pra boca, e to cobrando ele faz uma cota já. Disse que da próxima vez não ia deixar passar. Vai atrás dele e o que faltar pode completar da conta. 

BH: Fechou irmão, fé ai pra vocês. 

Ligação off

Assim que desliguei a ligação, uma Ana Luísa transtornada entrou dentro do carro, com o rosto vermelho e os olhos inchados. Virei seu rosto para mim, mas seus olhos não me encaravam. 

Ana: Amor, podemos ir embora? – Não a respondi, apenas liguei o carro e segui rumo ao hotel.


Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora