Ana Luísa
Fiquei tão perturbada com tudo o que tinha acontecido, que dormi no máximo até as 10h, quando acordei tendo alguns relances de tudo o que tinha rolado dentro daquele carro. Tentei afastar meus pensamentos indo pro banheiro pra tomar um banho e tirar aquela indisposição, mas assim que me olhei no espelho, vi o pequeno chupão que ele tinha deixado no meu pescoço, e por um segundo, consegui sentir seus lábios nos meus novamente.
Chacoalhei a cabeça na intenção de esquecer tudo aquilo, e entrei dentro do chuveiro, desfazendo meu penteado e lavando meus cabelos. Decidi fazer uma lasanha no almoço, então me troquei e desci as escadas do meu quarto até a sala, procurando meu celular.
Mensagem de texto on
número desconhecido:
MK aqui, preciso falar contigo
amanhã na salinha
qualquer coisa pede pra algum vapor
te trazer
Ana Luísa:
Oii, bom dia
ok, pode ser às 14h?
Mensagem de texto off
Ele apenas reagiu minha mensagem com um joia, e se antes eu já sabia que ele tava puto, nessa hora eu tive certeza.
Terminei de pentear meus cabelos, peguei o dinheiro e chave e saí rumo a mercearia que tinha perto de casa pra conseguir comprar as coisas pro meu almoço. Eu tinha enviado uma mensagem pra Vic também, pra saber como ela estava, mas provavelmente ela ainda estava dormindo ou então curtindo o dia com o BH.
Neguinho: Eai princesa do morro – Dei um pulo, pois em uma hora eu estava sozinha e 2 minutos depois o Neguinho já tava conversando comigo no pé do ouvido. – faz tempo que eu não te vejo, mó saudade de tu.
Ana: Que susto Neguinho! Quer me matar do coração? – pus a mão sobre o peito, tentando acalmar minha respiração que tinha sido descompassada por um segundo. – Eu tava meio ocupada essas últimas semanas, eram minhas últimas provas e os preparativos da minha formatura.
Neguinho: Tô sabendo pô! Agora é doutora completa né? Da uma voltinha pra eu ver – ele ergueu meu braço me fazendo rodar no mesmo lugar enquanto assoviava, e eu só consegui dar risada sentindo minhas bochechas queimarem. E como se o destino estivesse querendo me dar uma lição, o MK passou nesse exato momento.
MK: Ô caralho, tu não devia tá no plantão Neguinho? Ta na hora de trabalhar não de ficar paquerando mulher da rua. – Ele nem olhou na minha cara, mas consegui perceber sua cara fechada e seu humor pessimo. Meu corpo se arrepiou e eu fiquei um pouco incomodada com a forma em que ele tinha se referido a mim, mas preferi não me intrometer pra não piorar a situação.
Neguinho: Ih patrão, qual foi? Desde quando tu é mal educado assim com os moradores? Ontem tava na festa da mina e hoje não dá um bom dia? – Arregalei os olhos, querendo mandar ele calar a boca, mas o MK fez isso por mim e mandou ele ir pra contenção, se afastando subindo numa moto e fazendo barulho. – Falando nisso, era pra eu tá ontem com vocês, mas fechei um esquema, sabe como é né loira? – deu um sorriso safado e eu dei um tapa no ombro dele revirando os olhos. – E não liga pro MK não, ele tá com o cão no couro desde cedo, no mínimo não conseguiu uma foda ontem.
Senti meu rosto quente novamente, e me despedi do Neguinho falando que se ele enrolasse ia ser pior. Segui rumo pra mercearia buscando o que eu precisava e voltei pra casa pra dar início ao meu almoço.
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Vic: Oi amiga! Cheguei com muita fome e novidade pra você – eu dei um pulo do sofá, já que estava em posição contrária a porta.
Ana: Caralho irmã, pra que isso? – coloquei a mão no peito enquanto ela erguia sua mão pra eu olhar. – Que isso?
No seu dedo estava uma aliança de prata com um único ponto de luz nela, juntamente com um anel solitário de pedra rosa.
Ana: NÃO. BRINCA. ME CONTA AGORA – Puxei a mão dela pra perto enquanto ela me contava detalhes de como tinha sido o dia deles, e como foi conhecer uma de suas (agora oficialmente) cunhadas.
Vic: Todos eles tem uma criação muito boa! Ela foi super simpática comigo, ajudou ele no plano e tudo. – ela não conseguia parar de sorrir, e pela primeira vez eu tinha certeza que ela tava realmente feliz.
Ana: Vic, eu tô tão feliz por você – senti meus olhos cheios de lágrimas, mas tentei disfarçar antes que ela visse – eu amo você amiga, você parece toda a felicidade do mundo! Que Deus abençoe muito vocês e essa nova trajetória que vocês vão trilhar.
Vic: Eu não quero mais falar de mim, quero saber como foi seu pós-festa – levantou as duas sobrancelhas e colocou um sorriso safado no rosto.
Revirei os olhos sentindo minha cabeça doer só de pensar naquele assunto.
Ana: Foi horrível tá, tu só me coloca em fria cara – fui me levantando pra tentar fugir dela, o que foi em vão, já que ela me seguiu até a cozinha. – A gente se beijou.
Ela me virou com tudo, olhando estática pra mim, não acreditando no que tinha acabado de sair da minha boca.
Ana: Mas nem adianta ficar feliz, porque eu travei... e fugi.
Vic: Para! Para agora! – se sentou na mesa, como se não conseguisse se manter em pé. – Ana Luísa você tá doida?
Ana: Você mais que ninguém sabe que eu não fico com envolvido! E ele é a porra do dono do morro Victoria. Olha, eles são legais, você namora com o braço direito dele e tudo bem! Mas comigo não dá. O que os outros iriam pensar sobre uma advogada namorando um bandido?
Vic: E desde quando você começou a se importar com o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre você?
Ana: Desde o momento que eu lutei pra caralho pra me formar, minha carreira sempre veio em primeiro lugar e você sabe muito bem disso! – me virei pra não ter que olhar em seus olhos, não queria enfrentar aquele olhar de julgamento que ela estava me dando agora. – E outra, ele pega tanta menina nesse morro que eu já perdi as contas. Não sou qualquer uma que ele simplesmente tem vontade de ficar e vai conseguir. Não sou descartável.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, uma sem ter coragem de falar nada pra outra, até ela quebrar o silêncio.
Vic: Ana – segurou no meu ombro, tentando me fazer olhar no seu rosto, o que foi impossível – eu não tenho papel pra te julgar, mas se você também quer, porque você vai ficar se culpando? Foi um beijo, e nada mais. Se não quer mais, ok! Mas você nem se permitiu viver aquele momento. – meu olhar subiu pro seu, e ela me abraçou. – Apoio você em tudo, mas quero te ver feliz. Pensa nisso tá? – Assenti enquanto retribuía o gesto de carinho dela. – Mas me conta... Ele beija bem? Porque ele tem cara.
Não aguentei e dei risada, contando os detalhes, tentando esquecer por alguns momentos de quem eu realmente estava falando.
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Loucura de Amor [MORRO]
Não Ficção"Faz uma loucura por mim Fala que ninguém te pega igual o teu nego Coloco tanta grife no teu corpo Sou tão carinhoso e tão longe de apego (...) Faz uma loucura por mim Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê torcer por ele Divulga nosso lance em t...
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