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MK
15 de Junho, 04:41

A estrada ainda estava úmida, refletindo os faróis do Corolla. O silêncio era agonizante, e era cortado apenas pelas respirações contidas de todos nós, que ainda sabemos que não vencemos, a fuga foi só o começo.

Além de todos, eu que estava pior. Só queria ir pro morro, viver minha vida igual antes. E o pior, eu sei que não voltaria a ser.

Minhas saidinhas com a Ana, nossas viagens, nossos rolês na orla da praia, na pista, as festas com todos do nosso grupo. Além do mais, filho do Neguinho prestes a nascer, e nossas caras tudo estampadas nos jornais, como muleque ia crescer de forma decente?

MK: Troca o caminho. – todos me olharam, sem entender o que eu tava falando. – Vamos pro morro agora.

Ouvi um suspiro surpreso vindo de Ana Luisa enquanto os meus dois amigos se entreolharam.

Eric: Não sei se é uma boa ideia mano... – me olhou pelo retrovisor. – Os cana ainda tão rondando, não vão parar tão cedo.

MK: Não quero saber, tô mandando ir pro morro então é pra lá que tu tem que ir porra. – Passei a mão no rosto frustado.

Ana: As meninas tão loucas querendo ver vocês, e eu sei que a saudade aperta... Mas é uma boa ideia? – mordeu os lábios, me olhando de forma apreensiva. – A polícia tá na nossa cola Kaue.

Não respondi, apenas abaixei a cabeça, enquanto Ana Luísa me encarava com expectativa. Depois de uns 5 minutos de silêncio ela desistiu de esperar uma resposta minha, então apenas se aconchegou no banco do carro, que já estávamos a uns bons km de distância do nosso destino final.

Minha cabeça não parava nem por um minuto, eu sabia que tinha deixado a administração em boas mãos, afinal, tudo que é dado a loira ela mergulha de cabeça, mas queria ver com os meus próprios olhos, ver o império que meu pai havia me deixado e que por um descuido de vaidade eu deixei escapar pelas minhas mãos. Meu velho estaria puto comigo nesse momento.

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Eram por volta das 08h10 da manhã quando chegamos a entrada do morro. Dois vapores comandavam aquele local, vendo quem entrava e quem saia. Um sorriso ladino surgiu no meu rosto, sabendo que estava de volta em casa.

BH: Puta merda, que saudade de casa. – deixou um suspiro de alívio sair. Concordei com a cabeça, sabendo qual era a sensação de estar de volta.

Olhei pra trás e Ana Luísa dormia com uma expressão serena no rosto. Podia ter sido um merda com ela nessas últimas horas, mas não tem como deixar de notar o quanto ela se esforçou e se dedicou para que tudo saísse conforme o plano que tínhamos planejado.

Abaixei o vidro do carro, deixando claro que era eu quem estava ali. Fiz sinal de silêncio com os dedos, e os dois vapores que estavam ali entenderem o recado, me deixando adentrar o morro.

Por mais que ainda seja cedo, a maioria do pessoal já tinha saído para trampar ou estudar, então as vielas estavam tranquilas, sem muito alarde.

MK: Toca pra boca, deixa BH e Neguinho lá, e depois passa no meu barraco que vou deixar a loira descansando. – Eric não trocou mais nenhuma palavra desde o momento em que eu decidi que viriamos direto para o morro, então ele apenas acenou a cabeça em concordância. Não demorou muito para que estivéssemos na entrada da salinha em que tanto ficávamos. – Já volto, não fujam pra ver rabo de saia ainda.

Loucura de Amor [MORRO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora