MK
23 de Maio, 10:22
BH: Tô garantindo, se a gente conseguir sair daqui, dar um sumiço por um tempo, ninguém consegue pegar nos de volta. — Estávamos no patio, tomando sol e alguns guardas passavam, então tínhamos que conversar despercebido.
Neguinho: Arriscado isso aí porra, vai dar certo não. — Negou, jogando algumas pedrinhas no chão. — Vai gerar tumulto, tumulto gera tiro, tiro gera morte. Tenho filho pra criar, caralho.
Revirei os olhos pela quinta vez só hoje, esse papo torto dos dois tava me deixando puto.
Um guarda se aproximou de nós com a algema nas mãos , e isso era sinal de visita.
Xxx: Bora Kaue, adianta meu lado. — estendi minhas mãos ele algemou, me empurrando pelas costas rumo ao corredor da salinha, o que indicava que quem estava ali era minha doutora.
Sorri antes mesmo de entrar na sala, porque só de saber que ela tava ali, toda minha, ja me deixava feliz. Mas assim que a porta abriu, a imagem de uma Ana Luísa com o semblante exausto, com olheiras e cabelo desgrenhado fez eu sentir pequenas agulhadas em meu peito.
Ana: Pode tirar as algemas, por favor. — Ela não encarou nos meus olhos, apenas manteve contato com o policial e logo depois abaixou a cabeça até o mesmo sair da sala.
MK: Qual foi, loira? — ela passou as mãos no rosto, e eu franzi a testa. — O que tá pegando contigo?
Ana: Tu não pretendia me contar que vocês tão planejando fugir da cadeia, Kaue? — sussurrou de forma ríspida. Seus olhos estavam fundos e seu rosto pálido demonstravam que ela não estava descansado. — Se tu fugir e eles te pegarem, você não sai daqui nunca mais. Tem noção dessa porra?
MK: Calma aí doidona, tá sabendo disso como? — tentei pegar na sua mão, mas ela afastou.
Ela se levantou da cadeira que estava sentada se apoiou na parede atrás dela, com os braços cruzados me encarando, chateada.
Ana: Eu tô trabalhando noite e dia pra tirar vocês daqui, eu não consigo dormir, minha ansiedade tá atacada. Tenho que cuidar do caso, das meninas, tenho que tomar conta das coisas que tu me passou... E ainda me chega por terceiros que vocês tão fazendo merda, cara. — seu rosto começou a ficar vermelho, junto com os seus olhos. Ela tava exausta, não tinha como negar. — Eu sei que é difícil ficar aqui, mas me dá a chance de ajudar vocês.
MK: Vem aqui, pertinho. — me afastei um pouco da mesa, e bati a mão na coxa, indicando pra ela se sentar, e assim fez. Seus braços foram pro meu pescoço, encaixando seu rosto ali. Beijei sua cabeça e acariciei suas costas em forma de consolo. — Não queria que tu passasse por nada disso, me perdoa.
Ana: Tô tão cansada, amor. Eu só queria que tudo isso passasse logo, pra ter nossa rotina de volta, nossa família. Davi vai nascer Jajá, e se vocês não tiverem saído ainda? — me olhou com os olhos lacrimejados.
MK: Vai dar certo, tu vai ver. Vai dar certo, minha princesa, confio em tu, porra. Fica de boa.
Ela juntou nossos lábios em um beijo rápido, com gosto de saudade. Encaixei minha cabeça em seu pescoço, te dando um cheiro, e seu perfume doce embargou minha garganta. Era disso que eu tinha medo quando pensava em encontrar alguém, pensava em todo esse sofrimento. Mas ver a Ana Luísa dessa forma, me destruía por inteiro, bem mais do que eu imaginava.
Ana: Os meninos te passaram os números da semana? — forçou um sorriso, e eu concordei, orgulhoso. — Conseguimos manter a estimativa.
MK: Falei pa tu que vocês são fodas. Já pode aposentar nos três. — Passei a mão pelo seu rosto, secando as lágrimas que escorriam, e então ela se levantou, voltando pro seu lugar de início.
Ana: Eu vim te dar esporro, mas também trouxe notícias. — pegou a bolsa, e colocou o notebook sobre a mesa, abrindo o mesmo. — As câmeras de segurança do carro forte tem uma imagem muito ruim, e comparada com uma camera de rua por exemplo, tem um desempenho muito pior. Isso por conta que essas cameras existem em apenas 4 unidades de veículos para teste, então vou tentar entrar com uma ação alegando que a qualidade da câmera não consegue comprovar que são vocês.
O vídeo rodava, e por mais que estivesse escuro e com uma qualidade baixa, era como se a cena se repetisse na minha cabeça.
MK: Não tem como, loira. Olha nos aí certinho. — apontei pra tela do computador, onde o meu rosto e o de BH estavam no frame. — Não consigo ver o Neguinho, mas nós dois vai ser pica pra dar isso como justificativa.
Ana: Tenho alguns contatos, vou ver o que consigo fazer. — Fechou o aparelho e guardou na bolsa — E pelo menos, se conseguir tirar o Neguinho já me tira um grande peso das costas. Tive uma conversa foda com a Melissa de madrugada. — Passou a mão no rosto.
MK: Tu não anda dormindo bem, devia tirar o final de semana pra você. — ela negou prontamente.
Ana: Nem pensar, se alguma coisa acontecer naquele morro, não sei o que sou capaz. Tá tudo na santa paz, e prefiro que continue assim. — abri um sorriso, pois ela se preocupada mais com os outros do que com ela. — E você, com aquela dificuldade pra dormir? Tem descansado?
MK: Só durmo bem contigo, loira. Tu sabe. — ela ia responder, mas o policial bateu na porta e logo depois a abriu, alegando que o tempo tinha acabado.
Me conformei como sempre, entregando meus pulsos para serem algemados, e mandei um beijo despercebido pra ela, que me mandou outro antes de sair das minhas vistas.
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BH: Então tu tá me dizendo que a gente vai esperar? Esperar mais? — passou as palmas das mãos nos olhos, agoniado. — 1 semana aqui e não aguento mais, papo reto.
MK: A gente tem que confiar nela também pô, tem gente que fica aqui anos. — dei de ombros, mesmo compartilhando do mesmo sentimento.
Neguinho não abriu a boca, apenas mantinha a cabeça baixa. Não sei quem tava pior, nós aqui dentro ou elas lá fora.
MK: Ana Luísa tava malzona, mané. Parecendo um fantasma.
BH: É foda, elas acabam sofrendo mais que a gente.
Neguinho: Aí, não quero nem pensar nisso, fechou? — Se levantou com o toque de recolher, e decidimos ir atrás pra não colocar desacato a autoridade na lista de crimes.
Xxx: Contratei uma advogada nova, pô, falar pa tu. — deu risada atrás de mim, ergui minhas sobrancelhas em desconfiança enquanto BH me encarava. —Castor que indicou, conseguiu tirar ele da jaula em 3 semanas, mas não é só isso não...
Xx2: Bonita? — outra voz desconhecida.
Xxx: Porra, bonita é pouco, e tô pra te falar, certeza que se se envolve com bandido. — ouvi umas risadinhas. — Loirona, corpão que parece que foi esculpida. Tô pra pegar ela e não vai ser difícil.
Senti meu sangue esquentando, mesmo sem saber de quem se tratava. Uma veia saltou da minha testa e Breno Henrique limpou a garganta, já sabendo o que viria.
Xx2: Passa o nome pra nós pô, compartilha o que é bom.
Xxx: Ana Luísa pô, vou te passar o contato. Mas ó, só depois que eu comer, aí tu vê o que tu... — Não consegui controlar, virei pra trás e dei um soco na cara do indivíduo. — Tá maluco porra? — a boca sangrava e ele me olhava com curiosidade.
Peguei a gola da sua camisa, o prensando na parede e dei mais um soco na boca do estômago.
MK: Da próxima vez que eu ouvir tu falando da minha mulher, eu vou te matar seu filho da puta, ta me ouvindo? — Seus olhos arregalaram e ele concordou rapidamente, então apenas o soltei e ele caiu no chão por conta da altura. Dei um chute na sua perna e continuei meu caminho.
BH: Cabação! — bateu na minha cabeça — Torce pra ninguém ter ouvido, porque vai sair em tudo qualquer mídia.
Tô pouco me fudendo, ninguém fala de mulher minha não.
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Loucura de Amor [MORRO]
Non-Fiction"Faz uma loucura por mim Fala que ninguém te pega igual o teu nego Coloco tanta grife no teu corpo Sou tão carinhoso e tão longe de apego (...) Faz uma loucura por mim Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê torcer por ele Divulga nosso lance em t...
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