Ana Luísa
16 de Maio, 05:33
Tentei acostumar meus olhos com a claridade que vinha surgindo do céu assim que sai da delegacia. Minha cabeça doía, minha barriga roncava de fome e eu tinha certeza que se eu encostasse em qualquer lugar eu dormia. Mas com certeza, o que mais me incomodava era o meu coração.
Nas primeiras horas em que eu estava ali, me preocupei apenas em ouvir os relatos dos meninos. E claro que tudo batia, porque nenhum dos três era maluco de mentir olhando nos meus olhos. O foda era que tinha a prova dos três ali, Neguinho era o menos prejudicado, mas não seria um caso fácil, tendo em vista o tamanho deles na rede do tráfico.
Entrei dentro do meu carro, encostando meus braços e cabeça no volante, tentando puxar ar dos meus pulmões e senti meus olhos lacrimejando pela milésima vez só hoje. Ainda não consigo acreditar que tudo isso aconteceu em tão pouco tempo. Uma hora o Kaue estava no meu quarto, falando dos nossos planos e o quanto me amava, e menos de 3 horas depois ele estava algemado em uma sala fria e sem possibilidade de sair de lá.
O celular dos três havia sido apreendidos, mas entrei com recursos e consegui com que eles me entregassem, mas antes lógico que fizeram uma varredura e não encontraram nada, pois os meninos não eram bobos. Liguei o celular do MK e sorri ao ver uma foto das nossas mãos dadas, no dia em que compramos meu carro.
Ana: Vou te tirar daqui, meu amor. Vou tirar vocês tres, e nossa família vai estar completa de novo. - Suspirei pesado, ligando meu carro e indo em direção ao hospital que eu tinha deixado as meninas horas atrás.
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Ana: O negócio é o seguinte... - Me sentei em frente a elas, que não estavam numa situação melhor que a minha. Melissa havia sido medicada por conta dos riscos que o estresse poderia causar ao bebê, e Victoria estava com o rosto inchado, assim como o meu. - Vai ser um caso complicado, mas eu vou dar um jeito. Eu vou tirar eles de lá, mais cedo ou mais tarde, mas preciso que vocês confiem em mim, e mais que tudo, me ajudem.
Vic: A gente tá juntas nessa, irmã. Tu pode confiar, vamos fazer o possível. - Segurou na minha mão, tentando me dar apoio, e era isso que eu mais admirava nela, mesmo estando fudida, ainda estava ali por mim.
Ana: Eles estão bem, na medida do possível. Claro, os policiais agrediram eles, mas isso seria surpresa se não tivesse acontecido. - Revirei meus olhos, tentando manter minha postura. - Acontece que, eles já eram procurados a mais tempo, e quando conseguiam conectar que esse assalto era pro morro, tiveram certeza com quem eles estavam lidando.
Mel: Eles sempre foram tão cautelosos, como deixaram uma coisa dessa passar? - Encostou na cadeira, olhando pra cima e passando a mão na sua barriga, que a essa altura já estava enorme. - Diogo não vai estar aqui pra ver o nascimento do nosso filho.
Vic: Não fala isso! A Ana Luísa vai dar um jeito. - olhou pra mim, esperando uma resposta, mas eu não poderia prometer algo que talvez não conseguiria cumprir.
Soltei um longo suspiro, me levantando pra pegar um copo d'água. Não era apenas por mim, e nunca vai ser.
Ana: Os meninos me pediram uma última coisa. - Senti o olhar das duas nas minhas costas, e tomei coragem pra falar de uma vez. - Eles querem que a gente tome conta da boca e dos negócios até eles saírem.
Vic: QUÊ? - se levantou batendo as mãos na mesa, assustando a mim e Melissa. - Ana Luísa, tu sabe que isso é um absurdo!
Ana: É óbvio que eu sei Victoria, eu já contestei tudo! Não tem outra saída, as duas pessoas de confiança do Kaue estão presos junto com ele! Não tem mais ninguém que ele possa passar a responsabilidade, não funciona dessa forma. Qualquer um que entrar aqui pode querer tomar o comando do morro e quando eles saírem, não vão estar a par de porra nenhuma. - Mordi meu lábio, sentindo meu coração sair pela boca. - Eles não pediriam isso se não fosse de extrema importância, você mais que ninguém sabe que eles fizeram o máximo possível para não nos envolver em assunto do crime.
Ouvi suspiros vindo das duas, e a preocupação corria em todo o meu corpo. Se elas não aceitassem, teria que tomar conta dessa bucha sozinha, e não sei se conseguiria conciliar tudo. Meus ombros pesavam uma tonelada enquanto eu esperava uma resposta delas.
Mel: Tudo bem, vamos fazer isso por eles. Eles precisam de nós mais que tudo nesse momento, por mais que o Diogo não mereça. - revirou os olhos e eu dei uma risadinha. - O que precisamos pra começar?
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Estávamos na salinha da boca, enquanto eu mexia no computador do Kaue tentando entender tudo o que eles tinham passado pra nós.
Ana: Segundo a planilha, chega carregamento as segundas, e os aviõezinhos já sabem o valor que tem que ser passado. Pagamento do pessoal da boca as quintas, e temos um prazo de 15 dias para quitação de dividas. - Melissa estava deitada no sofá, e Victoria na poltrona a minha frente com as pernas em cima da mesa. - MK passou um recado pros meninos e todos já sabem que foi passado a ordem pra nós.
Vic: Tô me sentindo a Bibi perigosa, sabia? - Jogou a cabeça pra trás, dando risada. - Olha na onde a gente foi se meter, Ana Luísa!
Soltei uma risadinha, negando com a cabeça.
Ana: Pois é irmã, ninguém mandou querer se envolver com envolvido. Eu te avisei! - apontei o dedo pra ela brincando que me deu língua como resposta. A porta foi aberta e um dos vapores entrou na sala.
Xxx: Boa tarde patroa. - se referiu a mim e eu fiz careta, negando com a cabeça. - A contagem da semana já foi feita, os números tão aqui - me estendeu um papel - MK pediu pra ensinar vocês a atirar ainda essa semana, pra quando tu quer?
Me encostei na cadeira, respirando fundo enquanto olhava pras meninas, que fingiam que aquela conversa nem estava acontecendo.
Ana: Amanhã a gente começa, combinado? - olhei pra ele que apenas fez um sinal com a cabeça e saiu. — Vic, consegui uma visita amanhã antes deles serem levados de fato ao presídio, BH queria muito te ver.
Vic: Não sei se aguento amiga. — me olhou com um biquinho, e eu dei um sorriso reconfortante. — Saber que vou embora e vou deixar ele lá me dá um aperto no coração.
Ana: Nos vamos juntas, você conversa com ele e eu preciso revisar algumas coisas com o delegado do caso. E quem sabe não consigo falar com o Neguinho. — falei um pouco mais alto, mas Mel fingia que não me escutava, apenas se concentrando na sua barriga. As mágoas dela com ele ainda eram muito recentes, e ela mal sabia que ele tinha feito todo aquele show pra manter ela afastada e conseguir ser melhor do que estava proporcionando a ela durante os meses inicias da gravidez. Voltei minha atenção para a planilha, preenchendo como pude com as informações novas e tentando me acostumar com a nova vida que viria pelos próximos meses.
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Voltei rs, querem me matar?
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Loucura de Amor [MORRO]
Non-Fiction"Faz uma loucura por mim Fala que ninguém te pega igual o teu nego Coloco tanta grife no teu corpo Sou tão carinhoso e tão longe de apego (...) Faz uma loucura por mim Assiste o jogo do meu time mesmo sem cê torcer por ele Divulga nosso lance em t...
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