050.

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( 050. relaxar )

' MARJORIE HILL'S POV '

EU AINDA ESTAVA ME SENTINDO UMA COITADA. MAS, UMA COITADA com o pé fora da cova. Deitada sobre a minha cama, eu me sentia totalmente disposta a sair dali e ir atrás de um pote de sopa bem quentinha. Mas, segundo Hershel, eu precisava de "repouso".

Mais? Estava repousando faziam dias.

Ainda sim me sentia mais fraca do que o normal. Tinha emagrecido muito e agora que não estava tossindo mais feito uma maluca, continuava toda dolorida pelo o esforço. Porém os remédios fizeram efeito muito rápido e já amanheci sem febre alguma - o que me levava a acreditar que não teria mais "visões" de meus pais por perto.

- Alguém aí está com fome? - a voz de Carl me fez sentar de imediato sobre o colchão nada macio. Sorrio ao ver o garoto de chapéu adentrar a cela com uma lata de sopa nas mãos.

- Leu a minha mente! - digo, puxando a sopa das mãos do Grimes. Ele continuava sorrindo quando se sentou ao meu lado, os olhos azuis fixos em meu rosto ainda sem muita cor.

Apesar da vontade de atacar a sopa sem nem piscar, eu me esforço para sustentar o olhar cheio de afeto de Carl Grimes. Eu senti muita falta de todos os meus amigos - e sobre ele não era diferente. Torcia para que ele aparecesse em todo o tempo que fiquei sozinha, mesmo sabendo que ele não viria por conta de todo o perigo em que isso o colocaria.

Era bom vê-lo.

- Muito obrigada, Carl - sorrio.

- Eu que agradeço por você não ter morrido - ele responde sincero e eu gargalho. Não era como se eu tivesse muito controle sobre aquilo, mas ainda sim era bom ouvi-lo agradecer por eu estar ali. - É sério. Faz dias que não leio minhas hq's, esperando você para lê-las comigo.

Fofo.

Ele era um fofo.

- Eu realmente fiquei muito preocupado - suspira e seu sorriso some de repente. Tombo minha cabeça para o lado, minha mão livre procurando a dele sobre a beliche. - Por favor, não quase morra nunca mais, Margy.

Novamente: que controle eu tinha sobre aquilo?

Entretanto, de uma hora para outra, eu me senti determinada a não quase morrer nunca mais - porque queria muito fazer o que Carl me pedia. Sentia que poderia fazer qualquer coisa que ele me pedisse, se ele continuasse me olhando daquela forma; usando aquele tom de: "por favor,
eu imploro".

- Eu vou tentar - digo em um sussurro, agora com a minha mão sobre a dele. Ele continuava me encarando e quase perdi a voz. - E-eu... Senti a sua falta, Cowboy. Que bom que veio me ver - volto a sorrir, sentindo o aperto de seu toque.

Ainda segurando a sopa - que agora esfriava - com uma das mãos e a mão de Carl Grimes com a outra, senti o ar congelar conforme ele aproximou o rosto do meu. Em um ato repentinamente e cheio de carinho, ele deposita um beijo em minha testa, se afastando em seguida para poder voltar a me encarar.

Ajeito seu chapéu, soltando a mão do garoto e girando a aba do objeto em sua cabeça. Tentei fazer parecer que não estava quase explodindo por dentro - e torcia para que estivesse dando certo. Carl sempre foi meu amigo - ele era o meu melhor amigo.

Eu o amava.

Amava de verdade.

Só que nunca senti tanto amor assim - não como sentia naquele instante. Era quase sufocante. E tudo isso por conta de uma sopa? Ou porque ele estava preocupado comigo e não lia sem a minha companhia? Não sabia o que estava rolando, mas eu gostei. Gostei muito da sensação.

₀₁ 𝐂𝐇𝐀𝐎𝐒. ! ༉ 𝘁𝗵𝗲 𝘄𝗮𝗹𝗸𝗶𝗻𝗴 𝗱𝗲𝗮𝗱 ⎷Onde histórias criam vida. Descubra agora