❛ ( 53. adeus ) ❜
' JACKSON HILL'S POV '
QUANDO CHEGUEI NA PRISÃO PELA A PRIMEIRA VEZ, duvidei que fosse durar - e aí durou. Um ano inteiro e mais um mês. Aquele lugar se tornou a minha casa; aquelas pessoas, a minha família. Encontrei onde depositar a minha confiança e finalmente senti como se pudesse pertencer à algum lugar de novo.
Enquanto caminhava entre os errantes e perfurava seus crânios, eu tinha uma visão ampla do que a minha casa tinha se transformado - cinzas. O fogo cobria quase toda a área externa e interna. A nuvem de fumaça praticamente me cegava e dificultava a respiração.
- Carl! - Rick Grita.
Logo atrás de mim, ele e Dora caminhavam com dificuldade. Procurávamos por qualquer sinal de vida que pudéssemos encontrar. Eu segurava a Katana de Michonne nas mãos, na esperança de vê-lá surgir por entre a névoa.
Um único som de tiro corta o ar e Carl Grimes corre até a figura abatida do pai. O garoto não demora ao entrelaçar o braço do mais velho ao redor do seu pescoço, dando apoio para que Rick continuasse de pé. O Xerife tinha ferimentos por todo o rosto e a coxa baleada - incluindo os nós dos dedos rasgados pela fricção que havia feito contra o rosto do Governador, repetidas vezes.
- Onde está a minha irmã? - pergunto confuso ao notar que Carl estava mesmo sozinho. Ele nega com a cabeça e sinto meu coração acelerar. - Vocês se perderam? Estavam juntos!
- É, mas a situação ficou fora de controle, ela não tinha forças o suficiente para correr, então pedi para que Charlie à levasse até o ônibus - explica, defensivo. - Mas não sei se chegaram até lá, a fumaça ficou densa rápido demais.
Respiro fundo.
- E Melissa?
Ele nega de novo.
Merda.
Entramos aqui em quatro e estou saindo com apenas uma. Uma pontada em meu peito me faz sentir vontade de gritar - como as coisas tinham chegado naquele ponto? Minha preocupação aumenta ainda mais ao reparar que de fato não havia mais ninguém ali. Me viro para encarar Dora, que continuava calada desde que há tinha encontrado.
- E cadê a Sophia? - o Grimes mais novo pergunta para a loira, que desengata a chorar. Ela não parece se importar em demonstrar o que sentia, já que soluçava tanto que senti medo de que não conseguisse mais respirar. - Puta merda... - o garoto xinga ao ligar os pontos.
Me aproximo de Pandora e ela praticamente desmonta ao cair de joelhos no chão. Abaixo ao seu lado, colocando a cabeça da menor em meu peito e afagando seu cabelo com cuidado. Ela funga, enfiando ainda mais o rosto em mim e sinto as lágrimas gélidas molharem minha camisa.
Mal tenho tempo para lidar com o choro de Dora, quando ouço os passos largos de Carl correndo. Vejo quando o garoto debruça sobre um bebê-conforto vazio e ensanguentado - o bebê-conforto de Judith Grimes. Carl é o próximo a cair em um choro compulsivo, sendo agarrado pelo o pai.
Rick tentou consolar o filho, mas chorava tanto quanto.
- Isso é culpa minha, é culpa minha - volto a olhar em direção à Peletier, que lamentava sem parar. - Ela morreu, está morta - a voz embargada quase não sai. Aperto a mais baixa ainda mais em meu abraço, sem saber o que dizer. - A minha irmã está morta. Eu a perdi de novo, para sempre.
O fogo crepitando ao longe fazia jus a cena infernal em que reproduzíamos. Não sabia o que fazer, para onde ir ou correr - e eu sempre sabia. Eu sempre dava um jeito de nos tirar de toda merda possível, porque minha prioridade era sempre a nossa segurança.
A segurança delas.
E onde é que elas estavam agora?
A fumaça finalmente parece fazer efeito em meus pulmões quando começo a tossir. Afasto o rosto de Dora de meu peito e o puxo com as mãos, fazendo-a me encarar. Seus olhos claros estavam vermelhos, o rosto coberto de poeira, sangue e lágrimas. Estava uma bagunça - e ainda sim, eles eram doces.
- Precisamos ir - anúncio. - Rick! - grito, me colocando de pé. Puxo Pandora pelo o braço, ajudando-a a também se levantar. O Grimes me encara em meio as lágrimas grossas e quero muito dizer para ele que sinto muito. - Precisamos sair daqui, a fumaça 'tá aumentando.
O Xerife assente. Carl Grimes volta a dar apoio para que o pai pudesse andar, a postura agora derrotada. Acho que todos sentíamos o mesmo, como irmãos. Pandora tinha visto a irmã ser assassinada da maneira mais brutal possível. Marjorie estava sei lá onde e Carl tinha certeza de que Judith estava morta.
Existia uma empatia mútua na tristeza que todos sentiam - e isso permitia que pudéssemos ser fracos na frente um do outro. Por mais que, agora, eu não veja mais fraqueza nenhuma em sofrer por aqueles que amamos e não estão mais conosco. É tudo o que nos resta deles, afinal - a dor.
Dou uma última olhada para trás. Para o primeiro lugar que chamei de casa após o fim do mundo - o primeiro lugar onde fui genuinamente feliz em meio à tando caos. Era triste dar adeus. Só que era a única saída - aquela foi a queda final da prisão.
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₀₁ 𝐂𝐇𝐀𝐎𝐒. ! ༉ 𝘁𝗵𝗲 𝘄𝗮𝗹𝗸𝗶𝗻𝗴 𝗱𝗲𝗮𝗱 ⎷
Fanfiction𓈒 ࣪ ࣭ 🖇 . ˙ ˙ ⋆ ࣪ 𝐂𝐀𝐎𝐒 ˒˒ ↳ the walking dead fanfiction. Marjorie Hill viu com seus próprios olhos o mundo que conhecia se tornando um inferno, quando os mortos resolveram voltar a andar pela a terra - sedentos...
