E se você se apaixonasse por sua "maior" rival?
Cheryl e Toni não se gostam, isso não é novidade para ninguém.Todo esse ódio muda quando Cheryl decide passar uns dias em São Paulo, obviamente elas não se deram bem de cara,mas depois elas vão percebe...
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CHERYL BLOSSOM
O silêncio da casa era ensurdecedor. O relógio na parede marcava quase sete da noite, e eu ainda estava largada no sofá, envolta em uma manta macia, assistindo a um filme que mal prestava atenção,com apenas uma blusa larga no corpo. A televisão emitia uma luz azulada pelo ambiente, iluminando minha expressão abatida. O pote de sorvete derretia ao meu lado, quase esquecido.
A verdade era que eu não tinha ânimo para nada. Desde que Toni foi presa, tudo parecia sem cor, sem graça, sem propósito. Meus dias se resumiam a trabalhar, me distrair como podia e voltar para casa apenas para encarar o teto, sentindo o peso do vazio ao meu redor.
O sofá, que antes era nosso refúgio, agora parecia imenso e solitário. As almofadas que ela costumava abraçar estavam exatamente onde ela as deixou. O cheiro dela, que ainda impregnava algumas partes do apartamento, fazia meu peito apertar sempre que eu passava perto.
Não era só saudade.
Era uma dor física. Um buraco no peito.
A cada notícia que saía, a cada comentário cruel nas redes sociais, a cada noite dormida sozinha, a ausência dela ficava mais insuportável. O mundo parecia continuar girando, mas o meu havia parado no dia em que Toni foi levada.
Eu suspirei, afundando a cabeça na almofada, deixando o controle remoto de lado. O celular vibrava ao meu lado, provavelmente mais mensagens de Betty ou Laila perguntando se eu estava bem. Mas eu não queria responder.
Odeio admitir, mas parte de mim estava se acostumando com esse estado letárgico, com essa rotina de existir no automático.
Até que a campainha tocou.
Pisquei algumas vezes, demorando a processar o som.
Olhei para a porta com preguiça, esperando que quem quer que fosse simplesmente desistisse e fosse embora.
Mas a campainha tocou de novo.
Revirei os olhos e me arrastei para fora do sofá, bocejando no caminho.
— Se for vocês duas, juro que-
Minha voz morreu no instante em que abri a porta.
Minha respiração falhou.
Meus olhos ficaram embaçados.
Era Toni.
Por um segundo, meu cérebro se recusou a acreditar.
Ela estava ali, parada na minha frente, como se nada tivesse acontecido. Como se nunca tivesse ido embora. Como se o inferno das últimas semanas não tivesse existido.
O sorriso dela estava ali. O mesmo sorriso que eu vi em centenas de fotos. O mesmo sorriso que me fez me apaixonar por ela. E nas mãos, um buquê de flores.