A casa estava silenciosa quando eles chegaram. Elijah e Melaine mal conseguiam se manter em pé de tanto cansaço, tropeçando pelos corredores até o quarto de Gabriel. Sem cerimônia, trocaram de roupa, pegando peças confortáveis e largas do próprio anfitrião. Melaine pegou um moletom grande demais para ela e se jogou no colchão improvisado no chão. Elijah, enrolado em uma blusa de banda de Gabriel, caiu no sono antes mesmo de encostar a cabeça no travesseiro.
Gabriel observou os dois, soltando um suspiro leve e um sorriso discreto. Eles estavam seguros, quentinhos e tranquilos, e isso já era suficiente para ele se sentir um pouco melhor.
Patrick não estava ali. Provavelmente ainda estava acordado, fazendo sabe-se lá o quê.
Suspirando, Gabriel começou a se preparar para dormir. Primeiro, arrumou sua cama, dobrando os cobertores e tirando o excesso de travesseiros. Depois, foi se desfazendo das camadas que vestia. As pulseiras foram as primeiras a sair — couro, metal, spikes, fivelas. O som delas se chocando umas contra as outras era quase reconfortante. Quando finalmente deixou seus braços livres, algumas pequenas manchinhas escuras ficaram visíveis em sua pele. Mas ele não olhou muito tempo. Apenas pegou uma blusa regata e uma calça de moletom, vestiu-se e, com um movimento rápido e automático, retirou os brincos e a maquiagem.
Ele não queria se olhar no espelho.
Passou a mão pelo rosto para limpar o que conseguiu, mas o borrado ainda estava lá. Algumas sujeirinhas de rímel se misturavam com a sombra preta esfumada ao redor dos olhos. Ele decidiu que não importava.
Saiu do quarto, desceu as escadas em silêncio e foi direto para a cozinha. Não encontrou Patrick ali, mas a porta da frente estava entreaberta. O vento frio da noite entrava devagar, arrepiando sua pele.
Ele franziu a testa.
"Patrick?" chamou uma vez.
Nenhuma resposta.
"Patrick, tá aí?"
Silêncio.
Ele se inclinou para fora, o ar da noite cheirava a terra úmida e tabaco.
"Patrick, porra, se for uma brincadeira, não tem graça."
O vento soprou contra ele, fazendo as folhas secas rodopiarem na varanda. Gabriel sentiu um arrepio esquisito na espinha.
Então veio o som.
Um grito rasgado, agudo e horrível, vindo do fundo do quintal.
Gabriel estacou. Seu coração bateu forte, um gelo se instalando no estômago. Ele conhecia aquele som. Era de um gato. Mas não era um miado comum — era um grito de dor, de desespero.
E então... silêncio.
Gabriel disparou para fora, correndo pela lateral da casa até o quintal. Sua respiração estava pesada, as mãos suando frio. Ele não sabia o que esperava encontrar, mas, quando dobrou a esquina, seu corpo congelou.
Patrick estava de pé, a luz amarelada da lua iluminando seu rosto de perfil. Ele segurava algo nas mãos, e o cheiro de ferro tomou o nariz de Gabriel.
No chão, um gato preto jazia imóvel.
O coração de Gabriel pareceu parar por um segundo.
"Patrick... o que você fez?" Sua voz saiu num sussurro, hesitante, como se ele não quisesse ouvir a resposta.
Patrick virou-se devagar, os olhos escuros brilhando sob a luz fraca. Ele estava calmo demais. Tranquilo demais.
"Ele tava gritando muito." Patrick encolheu os ombros, como se aquilo fosse algo trivial. "Acho que eu só quis ver o que aconteceria se—"
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☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
Fiksi PenggemarEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
