O céu ainda estava tingido de um azul escuro profundo, as estrelas começando a desaparecer sob a aproximação tímida da aurora. O frio da madrugada de Derry ainda pairava no ar quando Patrick ouviu o som insistente da campainha.
Ele se arrastou até a porta, sonolento, vestindo apenas uma camiseta velha e cueca. E lá estava ele.
Gabriel.
Parado na soleira como se o tempo tivesse congelado ao seu redor. Os olhos muito abertos, vermelhos de quem não dormiu, um sorriso esticado demais no rosto, tenso. E nas mãos, um buquê torto de flores campestres mal amarradas com uma fita preta.
— Cinco da manhã, Gabriel? — Patrick resmungou, coçando os olhos, mas sem conseguir esconder o calor que subia pelo peito ao ver o outro ali.
— Eu... eu queria te ver. — Gabriel disse rápido, como se cada palavra estivesse sendo arrancada da garganta. — E eu trouxe flores... achei que sua casa merecia um pouco de cor.
Patrick o encarou por um segundo longo, confuso. Havia algo errado no jeito que Gabriel sorria. Era o tipo de sorriso que se dá quando o coração está despedaçado por dentro, mas você precisa fingir que está tudo bem.
As horas foram escorrendo devagar, como se o mundo conspirasse pra manter aquele dia suspenso em uma bolha. Gabriel ficou o tempo todo ao lado de Patrick — colado, praticamente. O abraçava pelas costas quando ele tentava cozinhar algo, deitava no colo dele sem dizer nada, beijava cada centímetro do rosto do loiro como se estivesse decorando. Como se fosse a última chance.
Patrick sentia. Algo estava errado. Mas engoliu o incômodo, fingindo que era só mais um dos dias pegajosos e melosos de Gabriel, mais um capítulo no romance meio desajeitado que eles tinham.
Mas então, já era quase tarde quando Gabriel parou, com os olhos marejados, o sorriso trêmulo.
— Patrick... — sua voz saiu num sussurro rouco. — Hoje à noite eu vou embora. Pra sempre. Meu pai decidiu voltar pra França, e... eu não tive escolha.
O silêncio que caiu entre eles não foi vazio. Foi ensurdecedor.
Patrick ficou parado, olhando pra ele como se estivesse tentando entender uma língua nova. O ar sumiu dos pulmões, a garganta fechou.
— O quê? — ele perguntou, mesmo que já tivesse entendido.
Gabriel mordeu o lábio, tentando sorrir. — Eu queria te contar antes, mas... eu queria mais alguns momentos com você. Fingir que a gente ainda tinha tempo.
Patrick sentiu o mundo ruir sob os pés. Uma raiva quente subiu, batendo contra as bordas dos olhos junto com as lágrimas.
— Porra, Gabriel... — ele disse, a voz falhando. — Você tá indo embora e me deixa descobrir assim? Depois de me fazer café da manhã, depois de me dar flores... depois de me beijar o dia inteiro?
Gabriel tentou se aproximar, mas Patrick recuou um passo. Depois avançou dois. E então o abraçou com força, como se estivesse tentando impedir o inevitável com os braços.
Beijou Gabriel com raiva, com saudade antecipada, com dor. Chorando entre os dentes do outro, entre os beijos desesperados.
O tipo de beijo que diz “fica”, mesmo que saiba que é inútil.
Eles ficaram ali, grudados um no outro, como se o tempo pudesse congelar se se tocassem forte o bastante.
Patrick se sentou no chão da sala com Gabriel entre as pernas, a cabeça encostada no peito do outro, ouvindo o coração dele bater rápido demais. Os dois estavam em silêncio, mas era um silêncio cheio de palavras não ditas, cheio de desespero calmo. Gabriel passava os dedos devagar nos fios loiros de Patrick, como se memorizasse cada fio, cada textura, cada instante.
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☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
Fiksi PenggemarEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
