Melanie entrou em casa jogando a mochila no sofá, exausta depois de mais um dia tentando se acostumar à ausência de Elijah. A rotina sem ele parecia estranha, vazia. Ela pegou um refrigerante na geladeira e sentou-se à mesa da cozinha, sentindo a tensão no ar antes mesmo de sua mãe abrir a boca.
— Precisamos conversar, Melanie. — A voz da mãe veio carregada de um peso que fez o estômago dela revirar.
Ela pousou a latinha na mesa, estreitando os olhos.
— O que foi agora?
A mulher suspirou, sentando-se de frente para a filha.
— Eu andei pensando sobre o nosso futuro. Derry… essa cidade não tem muitas oportunidades. Eu quero que a gente tenha uma vida melhor, um lugar onde você possa crescer e realizar seus sonhos.
Melanie sentiu um frio subir pela espinha. Ela já sabia para onde aquilo ia.
— Você quer se mudar. — Não foi uma pergunta, foi uma afirmação dura, quase um soco no peito.
A mãe assentiu, hesitante.
— Sim. Acho que é o melhor para nós.
A raiva veio como uma tempestade. Melanie se levantou abruptamente, derrubando a cadeira para trás.
— E eu não tenho escolha, né? É isso? Você simplesmente decide e pronto?
— Não é assim, filha…
— É exatamente assim! — A voz dela tremia, mas não de tristeza—de frustração. — Primeiro o Elijah vai embora, agora você quer me arrancar daqui também? Eu não quero ir! Meus amigos estão aqui, minha vida está aqui!
A mãe fechou os olhos por um segundo, como se estivesse reunindo paciência.
— Eu sei que é difícil, mas você precisa entender. Eu quero um lugar melhor para você. Uma cidade onde você tenha futuro.
— Derry é o meu lar! — Melanie gritou, sentindo a raiva transbordar em lágrimas furiosas. — Você nem perguntou o que eu queria!
— Porque você tem 16 anos! — A mãe rebateu, levantando-se também. — E é meu dever garantir que você tenha uma vida melhor! Não vou deixar que você fique presa nessa cidade morta!
O silêncio caiu entre elas, pesado e sufocante. Melanie sentia o coração bater forte no peito, enquanto sua mãe a olhava com um misto de frustração e compreensão.
— Isso não é justo… — Ela murmurou, os olhos ardendo. — Você nem pensou no que isso significa pra mim.
A mãe suavizou o olhar, mas não cedeu.
— Eu pensei, filha. E é por isso que estou tomando essa decisão. Você vai me odiar agora, mas um dia vai entender.
Melanie sentiu a realidade desmoronando ao seu redor. Primeiro Elijah, agora isso. Gabriel seria o próximo? Patrick? Sentiu um aperto no peito ao perceber que, pouco a pouco, tudo o que ela conhecia estava se desfazendo.
Sem dizer mais nada, ela se virou e subiu as escadas, batendo a porta do quarto atrás de si. Não queria ouvir mais nada. Não queria pensar. Só queria que tudo ficasse como antes.
A madrugada caiu sobre Derry, e Melanie continuava acordada, encarando o teto do quarto. O brilho fraco da luminária projetava sombras suaves pela parede, e o silêncio só tornava tudo mais sufocante. Seu coração ainda estava acelerado, como se a discussão com sua mãe estivesse ecoando dentro dela.
Seu celular vibrou ao lado da cama. Pegou o aparelho com os dedos trêmulos e viu o nome de Gabriel na tela. Suspirou, sabendo que ele provavelmente já tinha percebido que algo estava errado.
— O que foi? — Atendeu com a voz rouca.
— Você está bem? — A voz de Gabriel era suave, mas carregada de preocupação.
Melanie hesitou antes de responder. Fechou os olhos e soltou o ar lentamente.
— Minha mãe quer se mudar. Sair de Derry.
Do outro lado da linha, Gabriel ficou em silêncio por alguns segundos.
— Droga… — Ele finalmente murmurou. — Você quer fugir?
Ela soltou um riso sem humor, rolando na cama para encarar a janela.
— Como se eu tivesse escolha.
— Sempre tem uma escolha. — Ele disse com um tom enigmático, e Melanie soube que ele já estava pensando em alguma loucura.
— Gabriel…
— O quê? Só estou dizendo que podemos pensar em algo. Você não precisa aceitar isso sem lutar.
Ela apertou os olhos, sentindo um nó na garganta. Uma parte dela queria aceitar qualquer plano maluco que ele tivesse. Mas, no fundo, sabia que não era tão simples.
— Eu não sei, Gabe. Estou cansada…
— Eu sei. Mas não precisa lidar com isso sozinha. — A voz dele ficou mais baixa. — Patrick e eu estamos aqui. Sempre.
Melanie sentiu o peito apertar, mas, pela primeira vez naquela noite, uma pontinha de alívio também surgiu. Ela ainda não sabia o que faria, mas pelo menos não estava sozinha.
— Obrigada, Gabe. — Ela sussurrou.
O silêncio entre eles foi confortável, e, por alguns minutos, Melanie sentiu que o peso do mundo era um pouco menos esmagador.
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Às vezes, a dor de perder o que amamos não vem apenas com a distância, mas com as escolhas que nos forçam a deixar para trás.
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Até o próximo capítulo!
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☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
FanfictionEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
