Gabriel acordou com o som do despertador cortando o silêncio do quarto. Ele se levantou, os olhos pesados e a mente ainda nebulosa do que acontecera na noite anterior. A rotina foi mecânica: café, arrumar a mochila e se preparar para o dia. Era terça-feira, e, embora quisesse permanecer na segurança do seu quarto, sabia que tinha que enfrentar a escola.
Chegando lá, percebeu que algo estava diferente. Elijah não estava na aula, o que era incomum. Melanie parecia mais quieta do que o habitual, e seus olhos, normalmente cheios de energia, estavam opacos, preocupados. Patrick, ao seu lado, mantinha o semblante sério, como se algo estivesse incomodando profundamente.
A aula se arrastou lentamente, o ar pesado com a tensão não dita entre eles. Gabriel não conseguia afastar a sensação de que algo estava prestes a acontecer. Ele tentou focar nas palavras do professor, mas sua mente se perdia nas perguntas não respondidas. Por que Elijah estava ausente? O que estava acontecendo com ele?
No fim da aula, quando o sino finalmente soou, o grupo se reuniu no corredor. A preocupação era palpável no ar, e Gabriel sabia que algo sério estava acontecendo. Melanie foi a primeira a falar, sua voz baixinha.
— A mãe do Elijah… ela morreu. Overdose. — Ela disse, com um olhar triste, e Gabriel sentiu uma pontada de dor no peito ao ouvir a notícia.
Patrick, que até então parecia contido, agora parecia mais tenso do que nunca. Ele olhou para Gabriel, seus olhos refletindo a mesma preocupação.
— Ele… ele está lidando com isso, mas… — Patrick começou, mas sua voz falhou. Ele fechou os olhos por um momento, tentando se recompor. — Ele vai ter que voltar para o Reino Unido, para morar com os tios.
O impacto das palavras de Patrick caiu como uma pedra no estômago de Gabriel. Elijah, seu amigo estranho e gentil, estava indo embora? E agora, como eles iriam lidar com isso? A sensação de perda e impotência tomou conta de Gabriel, que sabia que nada seria igual sem Elijah ali.
Melanie suspirou, claramente abalada. Gabriel podia ver a luta nos olhos dela, o modo como ela tentava esconder o quanto estava sofrendo por seu amigo. Ele sabia que ela se importava profundamente com Elijah, mas, assim como ele, estava tentando processar a ideia de que ele iria embora.
— Vamos até a casa dele? — Gabriel perguntou, a voz carregada com a mesma preocupação que os outros. Eles não podiam deixar Elijah sozinho nesse momento.
O grupo concordou em silêncio, e, antes que pudessem perceber, estavam na frente da casa de Elijah. Mas algo estava errado. Ao longe, as sirenes da polícia já podiam ser ouvidas. Gabriel sentiu um frio na espinha, o pressentimento de que a situação estava mais grave do que imaginavam.
Quando chegaram, não puderam deixar de notar os policiais no local, conversando com os vizinhos e com as autoridades locais. A mãe de Elijah, que havia sido encontrada sem vida em casa, parecia ter deixado um vazio profundo na vida dele. Gabriel viu o rosto dos outros, todos com os olhos marejados, e sabia que eles estavam se perguntando o mesmo: o que seria de Elijah agora?
A porta de casa se abriu, e um homem alto e de aparência rígida apareceu. Ele se apresentou como o tio de Elijah, o responsável por levar o garoto para o Reino Unido. Ele parecia distante e sério, com o olhar cansado, como se já tivesse enfrentado muitos desafios na vida. Gabriel sentiu o peso daquela situação, mas o que mais doía era ver o rosto de Elijah, desolado, parado na porta da casa, olhando para o vazio. Ele sabia que seu amigo estava sendo levado de volta para um lugar que ele mal conhecia, longe de tudo o que ele tinha construído aqui.
— Eu… eu não queria ir, vocês sabem disso, né? — Elijah falou, a voz rouca, como se estivesse tentando se convencer de algo. Mas ele sabia, e todos sabiam, que ele não tinha escolha.
As palavras de Elijah cortaram o silêncio, e Gabriel sentiu o nó se apertar na garganta. Eles tinham acabado de perder alguém importante, e não podiam fazer nada para impedir que a vida seguisse seu curso.
Gabriel apertou Elijah, sentindo os ombros dele tremendo sob suas mãos, e as lágrimas, que agora caíam sem pudor, misturavam-se com as de Melanie, que estava ao seu lado. Ela segurava Elijah com força, como se tentasse evitar que ele se fosse, seu rosto contorcido em dor. Patrick ficou parado, próximo, mas não conseguiu se aproximar o suficiente para abraçar. Ele observava, os olhos carregados de emoções que não sabia expressar.
Elijah, no entanto, não afastava os braços, e, em um sussurro, disse: "Eu nunca vou esquecer. Vocês são minha família. Cada momento, cada risada... vai ficar comigo." Ele engoliu o choro, mas não conseguiu impedir que mais lágrimas caíssem.
A imagem do corte em sua palma estava gravada em sua mente como um símbolo de todas as coisas que viveram juntos, um lembrete de que, mesmo com a dor, ele levaria cada memória deles consigo, onde quer que fosse.
O silêncio que se seguiu foi pesado, mas, por um momento, a dor foi compartilhada e, no meio disso, os quatro amigos se sentiram mais unidos do que nunca.
Elijah já se foi. Agora, todos se encontravam na praça, tristes e abalados. Gabriel era o que mais estava destruído. Elijah havia sido mais do que um amigo; ele era como um irmão mais novo para Gabriel. Desde o momento em que se conheceram, uma ligação silenciosa os uniu, e agora... agora ele sentia que havia perdido um pedaço de si.
Ele olhou para os outros, mas nada parecia real. As ruas de Derry, antes familiares e reconfortantes, agora pareciam um borrão distante. Melanie estava mais quieta do que o normal, seu olhar perdido, como se tentasse processar a partida de Elijah, mas sua mente estivesse em outro lugar. Gabriel podia ver o quanto ela estava lutando para manter a compostura, mas as pequenas tremores nas mãos dela não passavam despercebidos.
Patrick, por outro lado, estava em silêncio. Gabriel sabia que ele também sentia a dor, embora não expressasse da mesma maneira. Ele tinha sua própria forma de lidar com as perdas, uma forma que não deixava transparecer a dor. Mas Gabriel sabia. Ele sempre soubera como Patrick escondia o que sentia.
E então, havia Elijah... que, com um sorriso tímido e uma maneira de ser ao mesmo tempo enérgico e sensível, sempre conseguia iluminar qualquer ambiente. A notícia de que ele havia voltado para o Reino Unido, para morar com os tios depois da morte da mãe, foi um golpe duro. Elijah sempre foi o mais vulnerável entre eles, com sua história marcada por perdas e tragédias que ele nunca soubera como enfrentar completamente.
Gabriel se apoiou em uma das árvores da praça, sentindo o peso da saudade esmagando seu peito. Ele não conseguia evitar a sensação de culpa, como se tivesse falhado em algo que poderia ter feito. Ele não tinha poder para impedir a partida de Elijah, não tinha poder para curar as feridas que o amigo carregava, mas ainda assim, a dor parecia insuportável.
— Eu devia ter dito algo mais, deveria ter feito mais para ajudar... — murmurou, mais para si mesmo do que para os outros.
Melanie olhou para ele com um olhar suave, compreensivo.
— Você não pode salvar todo mundo, Gabe. Nem todo mundo quer ser salvo.
Mas Gabriel não estava certo disso. Ele sabia que Elijah precisava de ajuda. Mas talvez, no fim, não fosse suficiente. Ele fechou os olhos, respirando fundo para tentar afastar a sensação de impotência.
Patrick se aproximou, colocando uma mão firme no ombro de Gabriel.
— Ele vai ficar bem. Não importa onde esteja, ele sabe que pode contar com a gente.
Gabriel tentou sorrir, mas a dor ainda estava ali, apertando seu coração. Ele olhou para o vazio à frente, sentindo-se perdido, como se o mundo ao seu redor estivesse desfazendo-se em pedaços.
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A saudade é uma dor silenciosa que ninguém vê, mas que todos sentem.
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Olá, pessoal! Antes de mais nada, queria agradecer a todos que estão acompanhando a história. Eu sei que a jornada de Gabriel e seus amigos está ficando cada vez mais emocional, mas espero que estejam gostando da forma como as coisas estão se desenrolando.
Como sempre, deixem suas opiniões nos comentários! Eu amo ler o que vocês pensam e o que mais gostariam de ver nos próximos capítulos. Até o próximo
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☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
FanfictionEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
