O caminho de volta para casa parecia mais longo do que antes. O silêncio entre Gabriel e Patrick era pesado, cheio de palavras não ditas e sentimentos que se acumulavam como a chuva fina que caía sobre eles. Gabriel sentia o peso de cada passo, como se seus pés estivessem afundando no asfalto molhado, presos na realidade que ele tentava negar.
Elijah se foi. Melanie se foi. Só restava Patrick.
O pensamento martelava sua mente, fazendo seu peito doer ainda mais. Ele tentava controlar a respiração, mas o ar parecia pesado, difícil de puxar, como se algo estivesse pressionando seu peito por dentro.
Ao chegarem em casa, Patrick abriu a porta e esperou que Gabriel entrasse primeiro. Ele hesitou por um segundo antes de cruzar o limiar. A sala estava escura, o telefone mudo agora, sem mais chamadas de despedida. Sem mais chances.
Patrick trancou a porta atrás de si e se virou para Gabriel, que permanecia parado no meio da sala, os ombros tensos, o cabelo pingando da chuva.
— Você quer se sentar? — Patrick perguntou, a voz suave, cuidadosa.
Gabriel não respondeu de imediato. Em vez disso, soltou um riso seco, quase sem vida.
— Qual a diferença? — Ele murmurou, sem encarar Patrick. — Eu posso sentar, ficar em pé, correr até a casa da Melanie de novo, gritar até minha garganta rasgar… E nada vai mudar.
Patrick suspirou, dando um passo à frente.
— Eu sei que dói.
— Você não sabe. — Gabriel o interrompeu, finalmente levantando o olhar. Seu rosto estava vermelho, os olhos inchados de tanto chorar. — Você não faz ideia do que é isso, Patrick.
Patrick não se ofendeu. Ele apenas observou Gabriel com aquela mesma expressão neutra de sempre, mas havia algo diferente ali. Algo mais… vulnerável.
— Não sei? — Patrick inclinou a cabeça ligeiramente. — Eu não sei como é ver todo mundo indo embora e ficar para trás?
Gabriel abriu a boca para responder, mas nada saiu. Ele queria negar, queria dizer que era diferente. Mas… era?
— Meus pais mal percebem que eu existo. As únicas pessoas que me toleravam na escola sempre foram temporárias, descartáveis. E agora? Agora é só você. E eu. — Patrick deu um meio sorriso, mas seus olhos estavam escuros, indecifráveis. — Então, sim, eu sei como é, Gabe.
Gabriel sentiu a garganta fechar. Ele queria gritar, quebrar alguma coisa, se afogar na raiva porque era mais fácil do que admitir o que realmente estava sentindo.
— Eu não queria que fosse assim. — Sua voz saiu quebrada, quase um sussurro. — Eu não queria ficar sozinho.
Patrick deu mais um passo à frente. Desta vez, Gabriel não recuou.
— Você não tá sozinho.
Gabriel encarou Patrick por um momento, sentindo a respiração pesada, o coração acelerado. Ele queria acreditar. Precisava acreditar.
E então, antes que pudesse pensar demais, ele se jogou contra Patrick, os braços ao redor do pescoço dele, segurando-o como se sua vida dependesse disso.
Patrick ficou tenso por um segundo, surpreso, mas logo relaxou, envolvendo Gabriel com os braços. Ele não disse nada, não tentou fazer promessas vazias. Apenas ficou ali, segurando Gabriel no escuro, enquanto o mundo ao redor deles continuava mudando.
E, pela primeira vez naquela noite, Gabriel não sentiu que estava afundando sozinho.
Patrick segurava Gabriel firme, sem dizer nada, apenas sentindo o calor do corpo dele contra o seu. O mundo ao redor estava silencioso, apenas o som da chuva fina contra a janela e a respiração instável de Gabriel preenchiam o espaço. Ele tremia, mas Patrick não sabia se era pelo frio ou pelo que estava sentindo.
Gabriel afundou o rosto no ombro de Patrick, apertando os olhos com força. A dor em seu peito era esmagadora, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dele, algo que ele nunca teria de volta. Ele queria parar de sentir. Queria que tudo simplesmente parasse.
— Isso é tão injusto — Gabriel murmurou contra a camisa de Patrick, a voz abafada e trêmula.
Patrick passou a mão devagar pelos cabelos úmidos de Gabriel, deixando os dedos deslizarem suavemente.
— O mundo é uma merda — Patrick respondeu, sem rodeios.
Gabriel soltou um riso fraco, sem humor.
— Obrigado pelo consolo — ele resmungou.
— Eu não sou bom com essas coisas — Patrick admitiu, dando de ombros. — Mas… eu sei que você está mal. E eu sei que nada do que eu disser vai mudar isso.
Gabriel respirou fundo e, aos poucos, se afastou, apenas o suficiente para encarar Patrick. Os olhos dele estavam cansados, perdidos.
— Eu sinto que tudo está desmoronando — Gabriel confessou. — E eu não posso fazer nada.
Patrick o observou por um momento, os lábios franzidos, pensativo. Então, ele soltou um suspiro e, de um jeito quase hesitante, ergueu a mão para tocar o rosto de Gabriel. Os dedos deslizaram pelo maxilar dele, frios contra sua pele quente.
— Você ainda tem a mim — Patrick disse, e não havia provocação na sua voz dessa vez. Apenas uma verdade crua.
Gabriel piscou algumas vezes, sentindo um nó se formar em sua garganta.
— E se você for embora? — Ele perguntou baixinho, como se estivesse temendo a resposta.
Patrick não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele inclinou a cabeça ligeiramente, como se estivesse considerando as palavras certas.
— impossível eu ir embora, mas...e se você for embora?— Patrick disse, finalmente.
Gabriel pensou por um momento
— Eu nunca vou ir embora, eu prometo — Gabriel disse mais para sí mesmo do que para patrick
E, pela primeira vez, Gabriel quis acreditar nisso.
O silêncio entre eles se alongou, denso, carregado de algo que nem um dos dois conseguia nomear. Gabriel sentiu o peito apertado de novo, mas não era só pela dor. Havia algo mais ali, algo diferente no jeito que Patrick olhava para ele.
A respiração de Gabriel estava entrecortada, e ele percebeu que Patrick também parecia tenso. As mãos dele ainda estavam em seu rosto, os dedos pressionando levemente sua pele. Nenhum dos dois se moveu, mas a distância entre eles parecia diminuir a cada segundo.
Gabriel não sabia quem se aproximou primeiro. Talvez tenha sido ele, talvez Patrick. Mas, de repente, seus rostos estavam tão perto que ele podia sentir a respiração de Patrick contra seus lábios.
Ele parou.
Patrick parou.
Por um momento, o tempo ficou suspenso.
Então, Patrick desviou o olhar por um segundo, como se estivesse ponderando alguma coisa. Gabriel sentiu o coração disparar contra o peito, tão alto que parecia ensurdecedor.
Patrick deu um meio sorriso, um daqueles quase insolentes, mas havia algo mais suave em sua expressão agora.
— Você está tremendo, Gabe.
Gabriel piscou, confuso.
— O quê?
Patrick soltou um suspiro e passou o braço ao redor de Gabriel de novo, mas dessa vez de um jeito mais relaxado, quase protetor.
— Vamos subir. Você precisa dormir.
Gabriel hesitou. Ainda sentia o corpo pulsar de adrenalina, de emoção, de… algo. Mas estava exausto.
Ele assentiu devagar, e Patrick o guiou escada acima, sem soltar sua mão.
E, mesmo com toda a dor, mesmo sabendo que o mundo poderia levá-lo embora também… Naquela noite, Gabriel não estava sozinho.
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Naquela noite, entre o peso das despedidas e o medo do amanhã, Gabriel encontrou em Patrick a única coisa que ainda parecia real.
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Até o próximo capítulo!
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☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
FanfictionEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
