《30》

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Gabriel olhava pela janela com o coração acelerado. Ele sabia que Patrick era teimoso e não desistiria facilmente. Se seu pai estivesse em casa, as coisas poderiam se tornar um inferno ainda maior, mas pelo menos agora ele não corria esse risco imediato.

A única pessoa na casa era sua mãe, e ela, como sempre, não faria nada para ajudá-lo.

Os minutos se passaram, e então ele o viu. Patrick caminhava determinado pela calçada, os punhos cerrados, os olhos fixos na casa de Gabriel.

— Merda... — Gabriel murmurou, saindo do quarto às pressas. Ele desceu as escadas rapidamente, passando pela sala e indo direto para a porta da frente.

Quando Patrick estava prestes a bater, Gabriel abriu a porta e saiu, fechando-a atrás de si.

— Que porra você tá fazendo aqui? — Gabriel sibilou, segurando Patrick pelos ombros para impedi-lo de entrar.

Patrick estreitou os olhos.

— Você não atendeu minhas ligações, não apareceu na escola, e agora tá agindo como se eu fosse um problema? Qual é a sua, Gabriel?

Gabriel respirou fundo, tentando manter a calma.

— Eu só... Não posso falar sobre isso agora. Tá tudo bem, sério.

Patrick riu, sarcástico.

— "Tá tudo bem"? Ah, claro, você some, sua voz parece uma merda pelo telefone, e agora tá me impedindo de entrar na sua casa. Super normal.

Gabriel sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele queria afastar Patrick, mas, ao mesmo tempo, queria que ele ficasse ali.

— Meu pai não tá em casa agora. — Gabriel disse, baixando o tom de voz.

Patrick franziu o cenho.

— E daí?

Gabriel hesitou.

— Se ele voltar e te ver aqui, vai dar merda, Patrick.

Patrick ficou em silêncio por um momento, analisando o rosto de Gabriel.

— Ele te machucou de novo, não foi?

Gabriel desviou o olhar.

Patrick rangeu os dentes.

— Eu vou matar esse filho da puta.

Gabriel agarrou os braços de Patrick com força.

— Não! Se você fizer qualquer coisa, vai piorar pra mim, Patrick. Você não entende?

Patrick respirava pesado, a mandíbula tensa. Ele queria fazer algo. Queria resolver essa merda.

Mas então ele olhou para Gabriel. Para seus olhos cansados, para os hematomas que ele tentava esconder.

Patrick fechou os olhos e suspirou, forçando-se a se acalmar.

— Tá bom. Eu não vou fazer nada.

Gabriel relaxou um pouco.

Patrick o olhou nos olhos.

— Mas você vai sair comigo. Agora. Você precisa respirar um pouco.

Gabriel hesitou.

— Patrick...

— Sem discussão. Anda.

Gabriel hesitou novamente. Ele não queria mais problemas. Se seu pai voltasse e descobrisse que ele tinha saído, seria pior. Mas, ao mesmo tempo, ficar ali, naquela casa sufocante, não era uma opção melhor.

☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆ Histórias para pegar e não largar. Descubra agora