《29》

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Capítulo 29

Gabriel abriu os olhos devagar, sentindo o peso do braço de Patrick ao redor da sua cintura. O quarto ainda estava escuro, a única iluminação sendo a fraca luz da rua entrando pelas cortinas. Ele piscou algumas vezes, tentando processar onde estava.

Então se lembrou.

A noite passada.

O calor subiu pelo seu rosto, mas ele não se permitiu sorrir feito um idiota. Ainda assim, a sensação do corpo de Patrick colado ao seu fazia algo dentro dele se revirar de um jeito estranho.

Suspirando, Gabriel virou a cabeça para olhar o despertador no criado-mudo.

6:40 AM.

Droga. Era terça-feira. Eles tinham aula.

E ele tinha que voltar para casa.

Só de pensar nisso, seu estômago se revirou. Ele já sabia o que o esperava. Se seu pai já ficava puto com coisas mínimas, imagina depois de uma queixa formal da escola?

99% de chance de apanhar.

O 1% restante? Só se, por algum milagre, o velho estivesse de bom humor. O que nunca acontecia.

Gabriel tentou se mover devagar para sair dos braços de Patrick, mas o outro apenas apertou mais o abraço, resmungando contra a pele dele.

— Patrick… — Gabriel sussurrou.

— Hm? — Patrick abriu um olho inchado de sono, os cabelos bagunçados. Ele estava ridiculamente fofo.

— Preciso ir pra casa.

Patrick franziu a testa e, em um movimento rápido, puxou Gabriel de volta, colando seus corpos novamente.

— Foda-se sua casa. Fica aqui.

Gabriel riu baixinho. Queria. Mas não podia.

— Preciso me trocar, e minha mãe já deve estar na escola resolvendo essa merda da briga.

O olhar de Patrick mudou na hora. Ele já sabia.

— Se seu pai encostar um dedo em você, eu mato ele.

Gabriel revirou os olhos, mas uma parte dele achou fofo a ameaça.

— Se ele encostar um dedo em mim, eu mesmo quebro a cara dele.

Patrick não riu. Apenas ficou olhando para Gabriel, claramente insatisfeito. Então, suspirou, relutante.

— Te levo pra casa depois do café.

Depois de um café da manhã silencioso, Patrick dirigiu até a casa de Gabriel. Nenhum dos dois falava muito. Patrick tamborilava os dedos no volante, claramente tenso. Gabriel apenas olhava pela janela, tentando não pensar no que o esperava.

Quando o carro parou na frente da casa, Patrick segurou o queixo de Gabriel e o puxou para um beijo rápido.

— Se precisar de alguma coisa, me liga — disse ele, sério.

Gabriel assentiu e saiu do carro. Ele nem tinha pisado direito dentro de casa quando viu a cena:

Seu pai estava sentado na poltrona da sala, as mãos entrelaçadas, o olhar fixo nele.

O tipo de olhar que Gabriel aprendeu a temer.

— Entra e fecha a porta — a voz dele era fria.

Gabriel engoliu em seco, mas fez o que mandaram. O som da porta se fechando atrás dele pareceu um veredito.

— Eu recebi uma ligação da escola. Sua mãe já foi lá resolver essa palhaçada. Mas e você, Gabriel? Onde você passou a noite?

Gabriel não respondeu.

☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆ Histórias para pegar e não largar. Descubra agora