O tempo passou.
E, apesar de tudo… os esquisitos nunca morreram.
Derry ficou pequena, como deveria ser. Elijah voltou para a Inglaterra, levado pelas ondas da saudade e da ausência insuportável da mãe. Melanie partiu com a mãe em busca de um futuro brilhante e longe das cicatrizes que Derry insistia em manter abertas. E Gabriel… Gabriel seguiu com o corpo presente, mas metade do coração ficou cravada na cidade que o odiou. Ou talvez, na única pessoa que ele amou de verdade.
Mas Patrick… Patrick ficou.
Ficou porque sempre foi assim.
Ficou porque não sabia existir em outro lugar.
Ficou porque alguém tinha que guardar os fantasmas.
E porque, no fundo, ele esperava.
Esperava pelas cartas que chegavam toda semana com o perfume do lápis de olho barato e da tristeza bonita de Gabriel.
Esperava por cada página rabiscada com letras tortas, palavras debochadas e declarações que ardiam mais do que um cio não correspondido.
Esperava pelas promessas que nunca vieram em voz alta, mas estavam ali — entrelinhas, metáforas e silêncios carregados.
Mesmo longe, os quatro mantinham a chama acesa.
Elijah enviava mixtapes com bandas britânicas e frases enigmáticas que só Gabriel entendia.
Melanie mandava fotos com sorrisos desdentados e bilhetes cheios de “sinto sua falta, sua aberração adorável”.
E Patrick… Patrick escrevia com a caligrafia apertada de quem segura demais o lápis. Sempre com uma letra borrada no final, porque nunca conseguia segurar as lágrimas quando escrevia o nome dele.
Gabriel.
Ainda o chamava de “meu cadáver lindo”.
Ainda dizia que sonhava com ele com corpse paint e cigarro nos lábios.
Ainda o amava como se o tempo fosse uma piada.
E no último envelope…
Veio uma caixinha.
Pequena. Vermelha. Quase infantil.
Dentro, uma aliança de prata fosca, fina e discreta.
E a carta mais simples que Gabriel já escreveu:
“A gente nunca pôde se pedir em namoro.
Nunca fomos ‘oficiais’, nem no submundo.
Mas eu te amo, Patrick. Mais que todo o resto.
E estou usando a minha agora. No dedo da mão direita, como um pacto de quem espera.
Não precisa me responder. Só usa a tua também.
Te espero até o fim do mundo. – G.”
Patrick não chorou.
Ele caiu de joelhos.
E naquela noite, sob o poste quebrado onde Gabriel costumava esperar o ônibus, Patrick enfiou a aliança no dedo com a mão tremendo.
E sorriu pela primeira vez em meses.
Porque não importava quanto tempo passasse,
ou quantos quilômetros os separassem…
Ainda se amavam.
Mais que tudo.
Mais que todos.
Mais do que qualquer um jamais entenderia.
Separados pelo destino, unidos pelo sangue — eles eram Os Esquisitos, e ninguém nunca conseguiu calar isso.
____________________________________
.
.
.
.
.
.
.
.
Esse capítulo foi especial. Foi um salto no tempo, mas também um mergulho no que realmente importa: o amor, a amizade, e aquela conexão invisível que nem a distância consegue quebrar. Patrick e Gabriel nunca deixaram de se amar, mesmo quando o mundo parecia seguir em frente. E os Esquisitos… eles sempre estarão vivos, em cartas, memórias, risadas e promessas silenciosas.
Obrigade por estarem comigo até aqui.
A história ainda não acabou — não enquanto existir amor o bastante pra escrever sobre ela.
VOCÊ ESTÁ LENDO
☆•○《✨𝐵𝓇𝑜𝓀𝑒𝓃 𝑀𝒾𝓇𝓇𝑜𝓇𝓈✨》○•☆
Fiksi PenggemarEm Derry, onde a escuridão e o medo se entrelaçam, Patrick Hockstetter, um jovem atormentado por sua mente fragmentada, acredita ser o único real em um mundo cheio de ilusões. Sua vida muda quando três novos alunos chegam à escola, cada um trazendo...
