Capítulo 25

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JUNG WOOYOUNG

Estava do outro lado da rua quando vi a moto que tanto odiava estacionar em frente a farmácia, meu coração acelera quando vejo Choi San saindo da moto com uma cara nada boa, sacudindo a mão aparentemente machucada. Ele a encara resmungando algo e pondera entre entrar no local ou sair.

Parece que alguma luz de lucidez pairou em sua cabeça que aparentemente o fez pensar que ninguém venderia algo para curar esse machucado para ele. Ele estava no morro rival, onde muitos o odiavam. Infelizmente o hospital mais perto ficava no morro do Agrícola e consequentemente a farmácia também, uma droga essa divisão não é mesmo.

Atravesso a rua e vou ao seu encontro, ele ainda continuava olhando para a porta da farmácia quando cruzei seu campo de visão, sua ruga na testa sumiu mas um rosto incomodado apareceu, e meu peito se encheu de culpa, novamente.

Choi San passa a mão não machucada pelo cabelo e suspira cansado.

- Olha se for pra  vim me dando sermão sobre as atitudes que eu tomo é melhor você... - começa me fazendo bufar, cara na boa eu nem sei porque eu me importo.

Na verdade eu sei sim mas fingimos desentendimento.

Estendo a mão o fazendo parar de falar e me olhar confuso.

- Que foi?

- Seu cartão.

Choi San põe a mão no bolso tirando a carteira visualizando seu cartão.

- Porque tu quer ele? - indaga confuso.

Reviro os olhos. O que tem de inteligente para alguns assuntos é burro para outros.

- Eu compro as coisas pra ti limpar a mão - olho a mão machucada dele de relance. - Tá bem ruim.

Me olha relutante com o cartão entre os dedos, olha para baixo e lentamente me entrega o cartão.

- Senta na praça que eu já volto. - digo em um leve tom de ordem o que faz o moreno em minha frente dar uma risada anasalada, me obedecendo em seguida.

Me sento do seu lado o fazendo parar de observar a vista. Nos encaramos por muito tempo, Choi San pigarreia e tenta pegar a sacolinha na minha mão, mas nego com a cabeça o que faz ele olhar para frente novamente. Dou um breve suspiro e tiro algodão e um vidrinho de álcool para limpar o ferimento. Seguro sua mão e começo a aplicar, escutando alguns resmungos de dor.

- Como ele está? - pergunta quebrando o silêncio.

- Não obtivemos respostas ainda. - suspiro cansado. - Mas acho que se arrumarmos os equipamentos e colocarmos na sua casa vai ser melhor, pra recuperação dele.

- Eu posso funcionar muito bem sob pressão, ideia de gênio foi essa. - rimos um pouco.

- Afinal, onde conseguiu tanta grana? Achei que chefes do crime não tinham tanto dinheiro assim não.

Ele riu sem graça.

- Drogas não são a única coisa que dá dinheiro não. Digamos que depois que meu pai morreu eu peguei algum dinheiro e investi. Pareço ser imbecil mais eu queria no futuro sair dessa vida e ter uma família, ter alguém além dos meninos em casa.

- Ah! - fico surpreso, bem que minha vó falava que as pessoas podem nos surpreender. - E resolveu usar com a criança?

- De certa forma, ele é da minha família. Pode não ser de sangue, mas é como se fosse, como se eu tivesse um senso de responsabilidade sobre ele incontrolável.

- Como se fosse um filho - digo e nossos olhares se encontram.

- Ta ligado né - exclama me fazendo rir e balançar a cabeça em negação. - O que foi? - pergunta rindo ladino.

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