𝟑𝟒

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O sol do fim da tarde deixava tudo com aquele tom dourado meio mágico

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O sol do fim da tarde deixava tudo com aquele tom dourado meio mágico. Maya estava sentada na canga, mordendo o milho com gosto, enquanto Chico tomava o caldo de cana como se fosse a melhor bebida do mundo. De vez em quando, ele se inclinava e pegava uma colherada do milho dela, só pra provocar.

— Não sei por que você não pegou o seu — ela disse, sem tirar os óculos escuros do rosto.
— Porque o seu tem mais tempero. Tipo você.

Ela deu uma risada leve e roubou um gole do caldo. Os dois estavam tranquilos, em sintonia. De vez em quando se beijavam com selinhos doces, pequenos toques de afeto sem cerimônia. Afinal, estavam em público, mas isso não impedia que o carinho transbordasse.

Quando o céu já começava a ganhar tons rosados, eles decidiram ir embora. Foram andando pela orla, sem pressa. Conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo: uma senhora que vendia pulseiras, uma criança correndo atrás de uma pipa, uma teoria aleatória do Chico sobre a existência de tapioca gourmet.

Maya ria com facilidade. O sol já tinha ido, mas ela continuava brilhando.

No apartamento dela, Maya foi direto pro banho. Enquanto isso, Chico foi até a cozinha. Abriu a geladeira, encontrou os ingredientes e começou a preparar um macarrão ao molho branco com bacon e brócolis. Estava concentrado, mexendo o molho com uma colher de pau, quando ouviu os passos dela voltando do quarto.

Maya apareceu com um pijama de seda azul-claro, o cabelo preso de qualquer jeito e os pés descalços. Ela parou na porta da cozinha, observou a cena por uns segundos e sorriu de canto.

— Você cozinhando é o meu novo prato favorito — disse, se aproximando e dando um selinho demorado nele.
— Vai me trocar pelo molho branco?
— Se tiver bacon, talvez.

Ela assumiu o fogão e praticamente o empurrou pro banheiro.

— Vai tomar banho. Eu termino aqui.

Mais tarde, com a mesa posta, eles comeram entre garfadas felizes e olhares cúmplices. Maya também tinha feito brigadeiro, porque segundo ela, toda boa noite merecia um bom final.

Depois do jantar, os dois se jogaram no sofá. Decidiram fazer uma maratona da trilogia Para Todos os Garotos que Já Amei. Chico reclamou no começo, mas logo foi fisgado pela fofura dos filmes. Durante o terceiro, já deitados e com a luz da sala apagada, ele pegou no sono com a cabeça apoiada na barriga dela.

Maya sorriu e acariciou o cabelo dele com carinho.

Quando foram pro quarto, ele praticamente desmaiou na cama. Ela, ainda desperta, ficou mexendo no celular. Rolava o Instagram sem muita atenção, até que uma notificação de e-mail chamou sua atenção.

Assunto: Proposta de Parceria – Balmain

Era um e-mail enviado diretamente para a Carol, em francês. Carol já havia respondido, repassando para Maya junto com a tradução e uma mensagem no corpo:

“Maya, eles querem que você seja uma das modelos do próximo desfile da Balmain. A proposta envolve não só o desfile, mas uma série de eventos e ativações da marca. Eles pedem que você fique entre 5 a 8 meses em Paris, começando ainda este ano. Precisam da sua resposta até o fim do mês. Converse comigo quando puder. Beijo, Carol.”

Maya ficou parada, lendo e relendo o e-mail. O coração acelerou. Era uma das maiores marcas do mundo. Era Paris. Era o tipo de coisa que ela sempre sonhou.

Mas e o Rio?
E o Chico dormindo ao lado dela com aquele jeito leve de quem nunca precisou de muita coisa pra ser feliz?
E se…

Ela bloqueou a tela e deixou o celular de lado, virando de costas na cama. Mas o sono, esse demorou a vir.

𝐈𝐍𝐅𝐑𝐀𝐍𝐆𝐈𝐋𝐈𝐁𝐄- 𝐂𝐇𝐈𝐂𝐎 𝐌𝐎𝐄𝐃𝐀𝐒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora