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𝐂𝐇𝐈𝐂𝐎 𝐌𝐎𝐄𝐃𝐀𝐒
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Era madrugada, mas o sono não vinha. Eu só encarava o teto, sem conseguir desviar o pensamento de Paris. A proposta. O brilho no olho da Maya. A dúvida.
Desde que ela me contou, eu fiquei com aquilo preso no peito. E não era medo de ela ir. Era medo de ser o motivo dela não ir.
Maya nasceu pra ser estrela. Pra dominar o mundo, pra deixar Paris pequena. E por mais que meu ego de garoto apaixonado gritasse pra ela ficar… meu coração dizia outra coisa. Dizia pra ela ir. Dizia que, se eu tivesse que ficar em pedaços pra ela continuar inteira, então que fosse assim.
Passei o dia sem rumo pela casa. TV ligada, celular mudo, vontade nenhuma de fazer nada. Parecia que tudo tava suspenso, esperando uma decisão que não era minha.
No fim da tarde, mandei mensagem pros caras. Eu precisava falar. Precisava ouvir.
“Bora pro bar hoje? Preciso de conselho de vocês, de verdade.”
A gente se encontrou no de sempre. Bar pequeno, cerveja gelada, mesa redonda e aquelas risadas que só amigos de verdade sabem dar. Mas naquela noite, o papo era outro.
— Irmão — Começou o Ramon, direto como sempre — Tu sabe que se ela recebeu esse convite, é porque ela merece. Balmain não chama qualquer uma. Isso é outro nível.
Eu só mexi a cabeça, sem muita força.
Maciel completou, pensativo, olhando o copo: — E se for amor de verdade, vai aguentar. Vai doer, claro. Mas a gente não ama pra prender, não. Ama pra ver voar.
Pig veio com aquele jeito prático dele: — Mano, se tu fizer ela recusar isso, vai ser teu maior vacilo. Vai por mim. Cinco, oito meses passam. Dá teus pulos, vai pra Paris, aprende a falar “croissant” direito.
Rimos, mas eu sabia que ele tava certo.
Alvinho soltou um daqueles silêncios antes de falar, e aí veio seco: — Se ela quiser terminar, tu tem que respeitar. Melhor isso do que vocês ficarem se machucando com saudade todo dia.
E aí o Beltrão colocou a mão no meu ombro. — Segura a onda, irmão. Mostra pra ela que tu tá junto. Mesmo de longe. Mostra que teu amor não depende do CEP.
Na volta pra casa, eu dirigi em silêncio. As palavras deles martelavam na cabeça. Eu sabia o que tinha que fazer.
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WhatsApp – Para: Maya
"Maya, eu pensei muito hoje. Fiquei o dia inteiro tentando entender o que eu sentia e o que eu precisava fazer. E a verdade é que... você tem que aceitar essa proposta. É uma oportunidade incrível, e eu nunca me perdoaria se você deixasse de viver isso por minha causa.
Eu sei que você não acredita em relacionamento à distância. E se quiser encerrar o que temos, eu vou entender. De verdade. Mesmo que doa pra caramba. Mas, se ainda quiser tentar, se ainda tiver espaço pra mim nesse seu novo mundo… eu prometo dar um jeito.
Vou visitar você toda semana, se for preciso. Juro, eu gasto milhões só pra estar do seu lado por umas horinhas. Só não posso me mudar com você agora, porque tenho o canal… mas não significa que eu não te escolha todos os dias, mesmo de longe.
Você é a mulher mais incrível que eu já conheci.
Eu te amo, Maya."
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Coloquei o celular do lado, encostei a cabeça no travesseiro e fiquei esperando o sono que talvez não viesse. Mas, dessa vez, o peito estava mais leve.
Pois eu sabia que amar alguém, de verdade, era saber a hora de deixar voar.
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