Público

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A arena tremeu, das arquibancadas, ergueu-se um clamor diferente, não era o entusiasmo caótico de apostas ou espetáculo, mas algo mais profundo, quase reverente. — É ELE… — Murmurou alguém, com a voz embargada.

— O Rei dos Reis… — Outro respondeu, como se dissesse um título sagrado.

Figuras se levantavam, algumas tremendo, outras cerrando os punhos contra o peito, reis mortos, generais esquecidos, conquistadores apagados pela história, todos sentiam o mesmo peso no ar, o brilho dourado de Gilgamesh refletia nos olhos da plateia como um sol antigo retornando ao mundo.

— Não desviem o olhar! — Gritou um guerreiro de armadura rachada. — Vocês estão presenciando o ápice da humanidade!

Um coro começou a se formar, primeiro desordenado, depois uníssono.
— GIL! GA! MESH!
— GIL! GA! MESH!

Cada sílaba parecia empurrar o ar para frente, como se a própria arena reconhecesse o nome, alguns batiam armas no chão, outros apenas observavam em silêncio absoluto, incapazes de gritar diante da imponência daquele homem e até mesmo aqueles que odiavam tiranos sentiam o estômago revirar não por medo, mas por inevitabilidade. — Ele não luta para vencer… — Sussurrou uma mulher, com os olhos marejados. — Ele luta porque o mundo ainda ousa existir diante dele.

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O brilho dourado se intensificou por um instante, como se respondesse aos chamados e Gilgamesh sorriu de canto, a plateia já tinha escolhido seu rei. — Patético… — Gilgamesh endireitou a postura, limpando o punho manchado de sangue na própria túnica dourada. — Mesmo à beira da morte, ainda insiste em fingir que sofre por escolha, és um ator até quando sangra.

George cambaleou dois passos, bateu o pé no chão e abriu os braços como se recebesse aplausos invisíveis, suas costelas rangiam sob a pele, o ar entrava em seus pulmões como lâminas, mas o sorriso… E o sorriso não cedia

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George cambaleou dois passos, bateu o pé no chão e abriu os braços como se recebesse aplausos invisíveis, suas costelas rangiam sob a pele, o ar entrava em seus pulmões como lâminas, mas o sorriso… E o sorriso não cedia. — Fingir? — Ele riu, rouco, cuspindo vermelho no canto da boca. — NON, NON… Isso é interpretação de método, mon roi. Se eu não sangrar de verdade… O-O público não acredita!

As luzes ao redor da arena oscilaram, não como uma magia, mas como holofotes sendo ajustados e o chão pareceu ganhar granulação, sombras ficaram mais duras, como película antiga, Gilgamesh estreitou os olhos. — Hmph… Outra encenação inútil.

George bateu palmas uma vez. — CENA TRÊS! O RETORNO DO PROTAGONISTA!

Por um instante, seu corpo se distorceu, não fisicamente, mas narrativamente, toda a sua postura mudou e o olhar ficou vazio, técnico ele deu um passo e agora empunhava duas katanas, estava igual a Musashi, os golpes vieram secos, econômicos, sem floreio. Gilgamesh bloqueou com uma espada enferrujada, o impacto ecoou como sino rachado e as faíscas douradas e brancas se misturaram. — Copiar espadas não te torna um espadachim. — Gilgamesh girou o pulso e forçou o desarme.

— CORTE! — George deslizou para trás e a cena quebrou, agora, ele segurava uma espada larga, erguida acima da cabeça, este era Arthur Pendragon. — A lâmina que une reis… — Murmurou George, a voz grave demais para seu corpo. — Ou que os derruba.

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