Capítulo 120

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Milena 🧚‍♀️

O clima tava tenso, pesado pra falar a verdade! Todos em casa estava um poço de silêncio, meu pai estava na dele só observando e minha mãe parecia tá numa depressão profunda, e eu estava no meio sem saber o que fazer.

No fundo o que minha mãe achava é que iria ser diferente, que ele iria se arrepender e aceitar o Kevin, mas isso não aconteceu, e além disso ainda humilhou ela e o Kevin, tratou como se fosse um nada.

E creio que pra qualquer mãe uma situação dessas não é nada fácil, meu bebê nem nasceu ainda e eu já me coloco nessa lugar, iria doer demais ser desprezada e ver o filho ser desprezado junto.

Marcos: O que aconteceu hoje aqui foi muito pesado pra sua mãe, mas pode ir pra casa e eu vou cuidar dela!

Milena: Eu tô com medo que ela entre em uma depressão profunda, ela tá irreconhecível e isso não é de agora.

Marcos: Eu sei, filha. Venho percebendo isso, mas vai ficar tudo bem eu prometo. Não se aperreia tá? Pra não prejudicar o nosso bebê. - Alisou minha barriga e deu um beijo na minha testa.

Meu pai era super carinhoso, atencioso, me tratava feito uma princesa.

Fui pra casa a pés mesmo, pra esticar as canelas e também não era tão longe a minha casa, fui olhando as paisagens da favela, os becos e vielas, as luzes, as casinhas pequenininhas, os muros pixados, aqui eu sentia uma paz mesmo em meio ao caos, eu não me via morando em outro lugar.

Eliza: Amiga, amiga... - Ouvir ela gritando e olhei pra o outro lado da rua.

Ela já tinha tomado o seu rumo e estava morando junto com o Sabiá, o que era fofoca pra o resto do ano na favela.

Eliza: Vamos comer um pastel? Faz tempo que a gente não conversa.

Milena: Sei lá, estou tão cansada, hoje o dia foi cheio!

Eliza: Vamos? Por favor. - Juntou as mãos pedindo.

Milena: Tá, tu venceu. - Ela riu e saio me arrastando até a barraca mais próxima.

Fizemos os pedidos dos pastéis e ficamos conversando até chegar, geralmente demorava um pouco pela grande demanda de pedidos.

Enquanto o pastel não chegava fui até o sanitário, vida de grávida que mora mais no banheiro do que dentro de casa.

Sair, lavei as mãos e voltei pra mesa e os pastéis já tinha chegado.

Fomos conversando enquanto comíamos, e o pastel estava uma delícia como sempre!

Eliza: Você me empresta alguma roupa sua pra eu ir no baile amanhã? - Perguntou de boca cheia.

Milena: Tem umas roupas lá que já estão apertadas em mim, aí vou te dar. Vou fazer a limpa no meu guarda-roupa.

Eliza: Gostando da vida de grávida? Sempre dizia que não queria filhos.

Milena: Verdade, não queria nem tão cedo. Mas se Deus permitiu é porque ele tem planos pra gente.

Eliza: Mesmo assim, se fosse eu teria abortado, não sou privada a gerar uma criança que eu não quero.

Milena: Ninguém é obrigado a nada, mas eu me inspiro na minha mãe sempre, ela nunca teve boas condições e escolheu me criar e criar o Kevin, ainda criou o Davi e porque eu com as condições que eu tenho hoje vou me recusar? Jamais.

Eliza: É verdade amiga, tá se sentindo bem?

Milena: Sim, só estou cheia, comi demais. Já tinha jantado na cada da coroa e agora comi esse pastel enorme. - Me levantei. - Vou pra casa, meu love já deve ter chegado.

Eliza: Também vou, não queria mas vou. Odeio tá em casa.

Milena: Eu amo ta em casa, melhor coisa! E hoje meu filho vai dormir comigo, já tenho vários planos pra nos. - Ela sorriu.

Pagamos e saímos de lá, fomos conversando até ela chegar na esquina da rua que estava morando e eu seguir sozinha pra casa.

Enquanto subia a mini ladeira comecei a sentir uma dor leve no pé da barriga, coloquei a mão em cima e seguir andando até chegar em casa.

Entrei em casa e estava o Kaue, Davi pai e Davi filho me esperando. Os três tagarelando como se não tivesse nada de importante pra fazer.

Davizinho correu pra me abraçar e eu sentir uma dor forte no mesmo lugar de antes, tão forte que parecia que tinha alguma coisa se rasgando na minha barriga.

Capitão: Milena, o que foi? Tu tá pálida. - Se levantou rápido e veio até mim.

Davi: Mamãe, eu fiz alguma coisa?

Nesse momento eu comecei a ver minha vista escura e tudo girar, os três estavam falando e eu estava ouvindo as vozes longes e não estava conseguindo entender nada.

Sentir uma água descendo pelas minhas pernas e pensei: A dor foi tão grande que eu fiz xixi na roupa?

Olhei pro chão e só vi sangue, muito sangue, não conseguir mais sentir o meu corpo e minha vista apagou me fazendo perder a consciência.

Doutora Dos Vielas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora