Capítulo 83

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Giliard 🦇

Minha vida tava indo de vento em popa, mas é assustador como o meu passado tem o poder de me derrubar, parece uma maldição.

Não suporto ouvir a história onde fui adotado, de que de alguma forma eu não pertencendo a minha família, não tenho um laço sanguíneo com a minha mãe que eu tanto amo e idolatro, sei nem explicar o quanto isso me magoa e me deixa pra baixo.

As palavras que aquela mulher que se diz minha mãe de sangue abriu uma ferida no meu peito que eu não sei como curar.

"Você nunca vai ser escolhido pela Deolane, se um dia ela se sentir na obrigação de escolher entre um dos filhos dela, ela nunca vai escolher você."

Aquilo foi pior que uma facada no meu peito, ficava aquela dúvida se minha mãe iria me escolher ou me deixar de lado numa situação dessas.

Mesmo sabendo que eu nunca ia tá contra os meus irmãos, era horrível viver nessa dúvida, nessa incerteza.

Eu não sabia o que fazer.

Não queria ligar pra ela e aperrear o juízo dela com as minhas besteiras, mas também não sabia o que fazer, não tinha ninguém que eu me sentisse bem pra conversar e na real tudo que eu queria era o colo da minha mãe, do mesmo jeito que ela me dava quando eu caia da bicicleta ou me machucava jogando bola.

Tava de peão por aí sozinho pensando na minha vida quando o telefone tocou, olhei por cima vendo que era a minha mãe, é provável que alguém já tenha contado a ela o que aconteceu, mas não queria atender.

Assim que a ligação caiu ela mandou uma mensagem dizendo "Estou na casa da sua avó, venha aqui agora!".

Parecia que eu tava ouvindo a voz dela brava me dizendo isso.

Peguei a moto e rapei pra casa, parece que eu já estava vendo que a coroa ia arrancar meu coro por ter sumido esses dias e não ter atendido ligação de ninguém.

Deolane: Moleque tu enlouqueceu de vez foi? Pra sumir e deixar todo mundo aqui preocupado, loucos atrás de tu! - Gritou assim que eu entrei pela porta.

Dayane: Até no IML eu fui, acredita?

Kaique: Tia Dayane é exagerada. - Murmurou em tom de brincadeira.

Giliard: Eu só precisava ficar sozinho, tem como vocês entender isso ou não? Mas foi mal aí mãe, ter te tirado de onde tu tava pra voltar pra cá novamente.

Deolane: Eu vim porque eu quis, pq eu preciso conversar com você sobre o que aconteceu! - Assenti e ela me chamou pra conversar a sós no quarto. - O que esse povo meteu na tua cabeça pra tu sumir desse jeito?

Giliard: Sei lá mãe, a pressão psicológica foi grande pô! Começaram a dizer que eu nunca ia ser teu filho de verdade, que se um dia fosse pra escolher entre um dos filhos eu ia ser colocado de lado e essas parada aí.

Deolane: E tu acreditou no que aquele povo sem noção falou? - Cruzou os braços me encarando. - Eu acho que não preciso dizer pra você que tu não precisa disso, tu é meu filho igual os outros três, sem diferença nenhuma, eu te amo como também amo eles, e eu jamais escolheria entre um dos meus filhos e isso inclui você, sempre fiz de tudo pra os quatro serem unidos mesmo sendo diferente uns dos outros.

Giliard: Eu sei mãe, eu tenho consciência disso mas as vezes me pego pensando que não faço parte dessa família, também não tenho outra e eu fico me sentindo perdido sem saber qual é o meu lugar.

Deolane: Teu lugar é aqui do meu lado, eu sou a sua mãe e isso nunca vai mudar, Kaique, Valentina e Arthur são seus irmãos e isso nunca vai mudar, Dayane e Daniele são suas tias e Solange e sua vó, certo? Tenho certeza que eles pensam da mesma maneira e se outra pessoa dizer ao contrário eu tô aqui pra te defender sempre, tô sempre do teu lado mesmo tu sendo insuportável.

Aquelas palavras eram tudo que eu precisava ouvir, essa mulher era de ouro, tive uma sorte do caralho por Deus ter unido os nossos caminhos e feito dela a minha mãe.

Deolane: Vem aqui, deita aqui no colo da mãe. - Me chamou com a mão e eu ri deitando no colo dela enquanto ela fazia cafuné.

Doutora Dos Vielas Onde histórias criam vida. Descubra agora