Capítulo 109

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Terror ☠️

Chegamos na casa da coroa e entrei pela porta dos fundos que dava na área de laser da casa, Deolane entrou calada com o Arthur nos braços que segurava no pescoço dela e analisava tudo com aquele olhar esperto dele.

Val: Olha quem resolveu da o ar da graça, achei que tinha esquecido que tinha mãe. - Olhou feio pra mim enquanto estendia as roupas no varal e eu continuei calado. - Veio me pedir desculpas pelo que me falou ontem, Deolane? - Deolane olhou sério pra minha mãe.

Deolane: Não, até porque quem me tratou mal foi a senhora, eu apenas me defendi e defendi meu filho.- Respondeu simples.

Val: E eu defendi o meu filho, desse golpe que você tá tentando dar nele. - Deolane respirou fundo tentando se controlar, o clima já estava tão pesado que até o Arthur com apenas dois anos estava percebendo.

Terror: Mãe, bora respeitar por favor? Esse é o Arthur meu filho e pronto! - Falei tentando amenizar o que estava impossível.

Val: Seu filho segundo quem? - olhou diretamente pra Deolane. - Porque pra mim isso aí é golpe. Mulher esperta sabe muito bem como segurar homem.

Deolane: Engraçado… - Sorriu de canto - a senhora fala como se conhecesse meu caráter. Mas eu nunca precisei engravidar pra segurar homem nenhum.

Val: Ah, não? No morro a gente já viu esse filme muitas vezes.

Kevin: Já chega, mãe! Tá passando dos limites. Eu vim falar com as minhas filhas, onde elas estão?

Val: Sophia não sei deve tá em algum lugar da casa e Soraya no quarto como sempre. - Assenti.

Deolane: Como eu disse antes foi uma péssima ideia vim aqui, eu vou pra casa com o Arthur ele tá agitado e essa conversa tem que ser só sua com as meninas. - Assenti e dei um selinho nela e um beijo na cabeça do Arthur.

Terror: Chama algum dos moleques pra te levar até em casa de carro jaja chego por lá. - Ela assentiu e saiu.

Eu entrei procurando as meninas e os olhos da Sophia me viu de longe, correu pra me abraçar e eu perguntei aonde estava a irmã dela e ela disse que estava no quarto, então fui até lá sabendo que a conversa com a Soraya seria difícil.

Sentei no chão do quarto e as duas olharam pra mim curiosas.

Terror: Eu pedi pra conversar com vocês porque a vida da gente mudou… de novo. E eu não quero que vocês descubram nada por surpresa.

Sophia: É por causa da moça que a vovó falou que está morando na mansão no alto do morro?

Terror: É. A Deolane. Ela é minha esposa agora. -Soraya solta um riso sem humor.

Soraya: Troca rápido de família, né?

Terror: Eu nunca troquei vocês. Nunca.

Sophia: Pai… o que mais mudou? - perguntou curiosa.

Terror: Ontem… eu descobri uma coisa. - Falei com a voz embargada. - Eu tenho mais um filho. - Sophia arregala os olhos. Soraya vira rápido.

Soraya: Como é que é?

Terror: Um menino. Ele tem dois anos. O nome dele é Arthur.

Sophia: Um bebê? — encantada. — Ele é nosso irmão?

Terror: É. Irmão de sangue de vocês duas. - Silêncio pesado. Soraya fecha o rosto.

Soraya: Então enquanto a gente tava vivendo um inferno… você tava fazendo filho por aí?

Terror: Não foi assim. Eu nem sabia que ele existia. Eu descobri ontem. Ontem, Soraya.

Soraya: Sempre tem um “ontem” pra justificar tudo.

Terror: Eu não tô pedindo pra vocês aceitarem agora. Só tô sendo honesto. - Sophia sorri de leve.

Sophia: Eu queria conhecer ele.- Soraya encara a irmã.

Soraya: Você é sentimental demais Sophia, ver bondade em tudo.

Terror: E é por isso que eu quero vocês comigo. Eu vou morar com a Deolane. Ela já tem três filhos… e agora tem o Arthur comigo.

Soraya: Uma família pronta.- Usou ironia.

Terror: Não. Uma família quebrada tentando se juntar.
- Soraya cruza os braços me encarando.

Soraya: E onde eu entro nisso?

Terror: No centro. Do jeito que você conseguir. Com silêncio, com raiva, com distância… mas comigo, eu quero minhas duas filhas comigo. - Me levantei e caminhei até a Soraya que estava sentada na cama. - Eu quero levar vocês duas pra morar com a gente. Não pra esquecer o passado… mas pra tentar recuperar o tempo perdido, recomeçar tudo do zero.

Soraya: E se eu não conseguir olhar pra ele? Pro bebê? Pra sua esposa? E se eu não conseguir ficar nessa nova casa e nessa nova família que você me arrumou?

Terror: Então você olha pro chão, pra parede… mas você não vai estar sozinha. Por favor minha filha, tenta. - Sophia me abraça.

Sophia: Eu quero ir. - Alisei os cabelos cacheados dela e ela sorriu pra mim.

Soraya estava em silêncio olhando pro nada e ao mesmo tempo eu percebia que ela tava com um nó na garganta tentando engolir o choro.

Soraya: Tá bom eu vou, mas não prometo nada. - Saiu do quarto sem olhar pra mim e eu fiquei até feliz com essa resposta dela.

Eu sempre soube que com ela não seria fácil.

Doutora Dos Vielas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora