MAHARA HASSAN
24 de novembro.
Poucos dias se passaram após a audiência e a relação com a minha irmã ainda estava uma merda. Não sabia como encará-la e sim, não fazia a mínima ideia de como iniciaria aquele assunto. Eu sei que estava evitando, mas porra, não encontrava as palavras certas.
Mais um dia falando com ela o básico e sendo fria.
25 de novembro.
Me encontrava na mesma e Lasya já percebeu isso. Ela às vezes puxava conversa comigo, como costumávamos fazer antes — um momento nosso entre irmãs. No entanto, não dava continuação porque não sabia fingir. Não conseguia agir com naturalidade, tendo consciência de que a nossa situação era uma porcaria.
Uma verdadeira merda do caralho que eu não sabia superar.
Será que estava exagerando e pegando muito pesado?
26 de novembro.
Nenhuma atualização sobre mim e Lasya. Mas, por outro lado, tinha uma boa notícia. Cometi uma loucura. Dois dias após o julgamento, Zamira falou comigo e disse para eu enviar meu currículo para o hospital particular mais renomado de Lincoln, o Lincoln Wellness Hospital, e concorri a uma vaga como assistente de documentação médica.
Eu acompanharia os médicos durante as consultas ou atendimentos e registraria todas as informações importantes no prontuário eletrônico, como sintomas, exames, diagnósticos e procedimentos. Era um trabalho perfeito para uma estudante de medicina como eu. Como ainda estava no início do curso, não era estágio nem nada relacionado a práticas clínicas, era só mais uma forma de me sustentar.
Zamira garantiu que, com meu currículo ideal e detalhado, eu conseguiria o emprego e pelas informações que me deram, ganharia 45 dólares por hora. Repito: por hora. Ou seja, não precisaria me desgastar procurando outros trabalhos, porque esse já pagaria tudo o que eu precisava e ainda sobraria.
Também significava que poderia sair de todos os trabalhos extras que tinha, inclusive da lanchonete. Contava os segundos para receber logo o resultado. A ansiedade era tanta que nem conseguia me concentrar nos estudos.
Era um sonho. Um sonho que desejava realizar, porque acabaria com os meus problemas financeiros. Não totalmente, claro, mas pelo menos 80% estava garantido.
Torçam por mim.
27 de novembro.
PRESENTE
Hoje era feriado nacional, dia de ação de graças e como primeira programação do dia, Kailani pediu para que eu a acompanhasse na ida para o shopping. Zamira não veio porque ela estava abarrotada de treinos. A coitada nem tinha tempo para responder às nossas mensagens ou passar tempo conosco.
— E depois, no final do jantar, você acredita que o cara, literalmente, me obrigou a pagar a minha conta e a dele? — Kailani reclamava do último encontro que teve. — Ei, tá me escutando? — Estalou os dedos diante dos meus olhos.
Fitei a mulher marrom de olhos grandes e chamativos. Maquiada e vestida com roupas quentes e o cabelo solto, que continha algumas ondinhas.
— Sim. É só o bloquear, Lani. — Respondi neutra.
— O que você tem? Tá quieta demais. Você ainda não conversou com a sua irmã? — Pegou o carrinho e eu segui seus passos até o caixa.
— Não... — Disse apreensiva. — É complicado.
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Ritmo da Vida
RomantikVocê já viu um pouco delas em "a lua está linda hoje", mas elas cresceram e agora estão de volta com sua própria história pra contar. Melhores amigas na infância, Kira e Mahara, cruzam seus caminhos novamente em uma nova cidade, Lincoln, na fase uni...
