| second season | ecos da eternidade

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Magnus Black 


O silêncio que seguiu a partida de Alina era mais ensurdecedor do que o uivo de um lobo ferido. Eu me sentei à mesa, encarando a comida que Esme havia preparado com tanto esmero, mas meu estômago se revirou. O cheiro da carne, que antes me daria água na boca, agora parecia cinzas.

Me sinto como um espectro habitando uma casa de memórias.

Lembrei da forma como ela me olhou — aquele dourado líquido que agora substituía o azul que eu tanto amava. Ela disse que não podia ter filhos. A dor na voz dela quando mencionou Miles e Grace foi como se ela tivesse arrancado um pedaço do meu peito com as próprias mãos. O que eu dei a ela em troca do seu amor? Uma eternidade de sede e a visão constante do que ela nunca poderia ser.

Ouvi um farfalhar suave do lado de fora. Meus sentidos de alfa dispararam. Não era um vampiro; o som era pesado demais, humano demais.

— Magnus? — A voz de Sam soou na varanda. Ele entrou sem bater, sua presença ocupando o espaço com uma autoridade que, no momento, eu não tinha forças para contestar. — Você voltou.

— Se é que se pode chamar isso de voltar, Sam — respondi, sem desviar os olhos da mesa. — Eu estou aqui, mas parece que deixei minha alma em algum lugar entre Denali e aquela montanha.

Sam se aproximou, colocando uma mão pesada no meu ombro. O calor dele era irritante. — Você precisa se recompor. A matilha está sentindo sua instabilidade. O conselho está perguntando sobre o "assunto Grace". Eles querem saber como o herdeiro de Ephraim vai lidar com um filho de sangue quileute e uma... — ele hesitou — uma fria.

— Ela tem nome, Sam! — rosnei, e por um segundo, meus olhos brilharam em amarelo. — O nome dela é Alina. E se alguém no conselho ousar chamá-la de outra coisa, eu vou pessoalmente lembrá-los de quem é o alfa aqui.

— Então aja como um — Sam retrucou, mantendo a calma. — Grace está espalhando que você a abandonou por um monstro. Ela está ganhando a simpatia das anciãs. Se você não assumir Miles publicamente e resolver esse impasse com a Alina, a matilha pode se dividir.

Eu me levantei, chutando a cadeira para trás. 

— Me deixe em paz, Sam. Eu vou resolver. Mas vai ser do meu jeito.


Do outro lado da floresta...


Alina Cullen

Correr era a única coisa que me impedia de destruir algo. A velocidade era minha droga, o vento cortando meu rosto a única sensação que me lembrava que eu ainda "existia".

Parei na margem do rio, onde a água corria furiosa contra as pedras. Eu conseguia ver cada gota, cada bolha de oxigênio estourando na superfície. O cheiro de Magnus ainda estava impregnado em mim. Aquele mix de canela, suor e lobo que me fazia querer beijá-lo e drená-lo ao mesmo tempo.

Cantante.

A palavra de Edward ecoava na minha mente como uma maldição. Como eu poderia amá-lo se meu instinto mais básico queria consumi-lo? E Grace... a imagem daquela mulher loira com o bebê no colo não saía da minha visão. Ela tinha o que eu nunca teria. Ela tinha o futuro. Eu tinha apenas o presente estagnado.

— Alina? — A voz de Edward surgiu do nada. Ele estava encostado em uma árvore, os braços cruzados. — Você está pensando alto demais. Suas emoções estão criando uma estática que até o Jasper está sentindo lá de casa.

𝐁𝐥𝐨𝐨𝐝𝐲 𝐒𝐮𝐧 - 𝐓𝐡𝐞 𝐓𝐰𝐢𝐥𝐢𝐠𝐡𝐭 𝐒𝐚𝐠𝐚Onde histórias criam vida. Descubra agora