| second season | sombras sob a neve

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O gosto de Magnus ainda incendeia minha boca, uma mistura de canela e calor que me faz esquecer, por um microssegundo, que meu coração não bate mais. O impacto contra a árvore ecoa pela clareira, mas o estalo da madeira não é o que me coloca em alerta.

O ar muda.

O aroma de Magnus, que é o meu paraíso e meu tormento, é subitamente cortado por um odor pútrido, adocicado e denso. Cheira a morte estagnada, a sangue que não corre mais, mas que foi acumulado por séculos de crueldade. É um cheiro que me causa náuseas, mesmo sendo eu mesma um monstro.

Eu me afasto de Magnus com uma velocidade que o faz vacilar. Eu o empurro suavemente para trás de mim, meus olhos dourados varrendo a escuridão entre os pinheiros. Meus músculos se retesam, e eu sinto o rosnado vibrar no fundo do meu peito, um som que não tem nada de humano.

— Me escuta, Magnus — sussurro, sem desviar o olhar das sombras. — Fica atrás de mim. Agora.

Ele não discute, mas ouço o som ríspido da sua transformação. O lobo cinza-escuro se materializa ao meu lado, os dentes à mostra, os olhos amarelos brilhando com o mesmo instinto de defesa que o meu.

— Alina! — A voz de Edward corta o silêncio. Ele surge de algum lugar à esquerda, sua expressão é de puro horror. — Me ajuda aqui, ele não está sozinho!

Antes que eu possa perguntar quem é "ele", um vulto se desprende da escuridão. Não é um Cullen. O estranho é pálido, com olhos de um vermelho carmesim que brilham com uma sede milenar. Ele sorri, e o som é como facas deslizando sobre o gelo.

— Que reunião fascinante — o nômade diz, a voz arrastada. — O lobo e a recém-criada. Grace tinha razão, o cheiro de traição é realmente inebriante.

A menção ao nome de Grace me faz querer arrancar a cabeça de alguém. Ela realmente nos entregou? Ela atraiu um assassino para a nossa porta?

— Me diga o que você quer antes que eu te desmonte — ordeno, meus dedos arranhando a casca da árvore ao meu lado.

— Eu não quero nada de você, menina. Eu só vim entregar um convite... e coletar um lanche.

Ele avança. É um borrão de movimento, mas eu sou uma recém-criada; meus reflexos são puros, rápidos e violentos. Eu salto em sua direção, mas antes que o impacto ocorra, um vulto enorme e risonho atravessa o meu campo de visão.

— Me deixa cuidar desse lixo, maninha! — O grito de Emmett é seguido por um estrondo que sacode o chão.

Emmett colide com o nômade no ar, jogando-o contra uma rocha com a força de um caminhão desgovernado. Meu "irmão" mais velho se levanta, estalando o pescoço, com aquele sorriso de quem acabou de encontrar o brinquedo favorito.

— Você está atrasada para o jantar, Alina — Emmett zomba, piscando para mim enquanto o nômade tenta se recuperar do impacto. — Carlisle e Esme estão preocupados. E você sabe como a Esme fica quando a gente perde o horário.

Atrás de nós, Carlisle e Esme emergem da névoa. Carlisle tem aquela expressão calma, mas seus olhos mostram que ele está pronto para proteger sua nova família a qualquer custo. Esme corre até mim, suas mãos frias e maternais segurando meu rosto por um segundo.

— Me perdoa, querida, não queríamos que você passasse por isso sozinha — ela murmura, seus olhos cheios de uma compaixão que eu ainda não entendo como ela consegue manter.

— Me digam o que está acontecendo — peço, enquanto Magnus, em sua forma de lobo, se aproxima de Carlisle, ambos trocando um olhar de mútua desconfiança, mas de aliança forçada.

𝐁𝐥𝐨𝐨𝐝𝐲 𝐒𝐮𝐧 - 𝐓𝐡𝐞 𝐓𝐰𝐢𝐥𝐢𝐠𝐡𝐭 𝐒𝐚𝐠𝐚Onde histórias criam vida. Descubra agora