Cap. 8: A Pedra Protetora

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Andei pela aldeia, na esperança de encontrar alguma coisa...algo. O meu subconsciente não parava de ralhar comigo:"Vamos a ver Heaven, tu acabaste de abandonar a pessoa que te salvou de seres morta por uns maníacos vestidos de preto e enviados por uma guardiã demoníaca, deixaste uma aldeia inteira para trás e agora estás aqui a vaguear à procura do quê? De uma máquina do tempo que te leve para casa? Ou estás a pensar chegar a casa a pé? Se for esse o caso é melhor despachares esses pezinhos porque ainda tens de andar mais SETE SÉCULOS!!!"

Continuei a andar pela aldeia tentando não ouvir o meu subconsciente. As pessoas continuavam a olhar para mim mas, desta vez, notava-se tristeza nos seus olhares.

Comecei a ouvir gritos. Olhei para as pessoas agitadas, tentando arrumar apressadamente as suas coisas. Não sabia o que se passava. Foi então que segui o olhar de uma mãe aflita. Ergui a cabeça para o céu e vi guerreiros vestidos de negro voar.

-Pessoas que voam?- disse eu para mim mesma não esperando obter resposta.

O meu maior espanto foi quando a mesma mãe que olhava para o céu aflita me respondeu, sem tirar os olhos do céu:

-São os homens da Rubi. Ela que destruir-nos...- a mulher olhou para mim e ajoelhou-se, colocando as mãos fechadas uma contra a outra ao nível do peito.- Por favor princesa, ajude-nos.

Eu voltei a olhar para o céu e disse:

-Eles não estão a atacar. Porquê?

Os mesmos homens continuaram a voar sobre nós, ignorando-nos completamente. Com o olhar, segui a direcção dos homens e, quando descobri o seu destino, gritei:

-Eles vão para o castelo!

Nesse mesmo instante, desatei a correr na direcção do castelo, pensando em Eric, nas crianças que vira a brincar e em toda a gente boa que acreditava em mim. Não podia desiludi-los.

***

Atravessei a aldeia o mais rápido que pude voltando a fazer o caminho que já tinha percorrido. Quando avistei o castelo, olhei para o céu e suspirei de alívio quando vi que os homens de negro já lá não estavam.

Aproximei-me do portão que rapidamente se abriu. O meu alívio rapidamente passou quando vi um monte de pessoas em círculo. Furei a multidão, tentado ver o motivo de tanto alvoroço, e foi quando o vi, ali estendido no chão.

Dei uns passos em frente, até à beira do corpo, e ajoelhei-me em frente dele. As lágrimas escorreram pelos meus olhos mesmo quando as tentei controlar.

Ali estava o corpo de um dos meninos que brincava no pátio tão feliz...ali estava ele, inanimado, estendido no chão. Os nervos tomaram conta de mim e pensei que ia explodir quando uma mão tocou no meu braço.

-A culpa não é tua.- disse uma voz doce atrás de mim.

-Não é, Eric? Se tivesse ficado ele...- disse eu.

Eric agachou-se ao meu lado e tapou o corpo da criança com o casaco.

-Se cá estivesses estarias como ele a esta hora.- disse ele.

-Foi a...Rubi?- disse eu.

Ele assentiu com a cabeça.

Se eu tivesse ficado, se eu estivesse ali...teria protegido aquele menino...Teria feito algo. Cerrei os punhos e apertei-os tentando conter a raiva.

-A culpa é minha...A culpa...é minha.- disse eu.

-Não, não é. - disse Eric.

-É sim.- disse eu.

-Não minha senhora. A culpa é daquela malvada que nos traiu.- disse uma senhora com os olhos inchados de tanto chorar.- Ela matou o meu menino.

A mesma senhora ajoelhou-se junto do corpo do filho e agarrou-lhe a mão.

-Eu perdi o meu marido em guerra...e agora perco o meu filho...Esta guerra já dura à muito tempo...- disse a senhora. De seguida voltou-se para mim e disse.- Por favor, acabe com a guerra, acabe com a Rubi...Vingue o meu filho...Traga paz a esta terra.

Eu, ainda encarando o corpo, agora coberto, disse:

-Prometo que o vingarei. Isto não fica assim... Agora isto é pessoal.

Levantei-me, sem qualquer expressão na cara, e fui até Esmeralda e Zio. Eric seguiu-me. Quando parei, eu apenas disse:

-Está bem...Eu faço-o...Eu torno-me na guardiã... O que é que eu tenho de fazer?

-Estava a ver que não perguntavas.- disse Zio.

-Esta é a pedra protectora, a safira.- disse Eric estendo a mão com um anel que tinha tirado do casaco.- Pega nele e, assim que o usares, herdarás os teus poderes.

Eu peguei no anel e, receante e a tremer, coloquei-o no dedo. O meu vestido mudou para um vestido azul com brilhantes, muito belo, porém, não me sentia diferente. A multidão aplaudiu e Esmeralda disse:

-Bem-vinda.

Eu olhei para o corpo do rapaz, uma vez mais, e sai do castelo, procurando um lugar onde pudesse estar sozinha...e talvez chorar.

SaphiraOnde histórias criam vida. Descubra agora