Dedicado a @Evanuzia:
Evanuzia, obrigado pelo apoio.
Lado positivo e lado negativo. Toda a nossa vida sempre se resumiu nisso. São os que ficam e os que partiram, os que serão lembrados e os que serão esquecidos, os que farão falta e aqueles de quem não precisamos. O ser humano sempre teve a necessidade de separar as coisas, de lhe colocar uma etiqueta. E enquanto podemos separar as coisas, a nossa vida está bem. Quando deixa de haver separação, então a nossa vida ficou tão confusa ao ponto de querer-mos desistir de tudo. Quanto a mim, a minha vida não está cheia de etiquetas, porém não é um desastre total. Vivo a minha vida e ao mesmo tempo a de outra pessoa, perdi-me no tempo e afastei-me de casa, perdi pessoas que amei e mesmo assim...aqui estou eu. Nunca se saberá o que nos espera no futuro, porém, o presente é que deve ser recordado. O futuro, por sua vez, será encarado...por mais estranho que ele seja. Por isso aqui estou eu, vivendo o agora e esquecendo o amanhã..
***
"Vejo o meu irmão a abrir a porta. Aproximo-me dele devagar, silenciosamente. Quando ele abre a porta, eu perco o silêncio e tiro uma faca do bolso. Não consigo comandar os meus movimentos. Toco no ombro de Ethan que se volta. Sem pensar duas vezes, espeto-lhe a faca no peito. Ele cai no chão. Eu subo para cima dele e continuo a cravar-lhe a faca vezes e vezes sem conta. De seguida..."
Acordei sobressaltada com este sonho. Tentei acalmar-me. Fechei os olhos, respirei fundo e abri-os novamente. Apenas nesse momento reparei que tinha a minha cabeça em cima do peito de Eric, que tinha o braço dele à minha volta.
Olhar para o lindo sorriso que ele fazia enquanto dormia. Isso fez-me acalmar. Levantei-me, devagar, tentando não fazer barulho. Estava a correr bem até que bati contra um jarro de rosas que estava em cima da mesa que se partiu fazendo um grande estrondo ao cair no chão.
Olhei para Eric, que permanecia deitado. Baixei-me para apanhar os cacos e, assim que peguei no primeiro caco, cortei-me. O meu sangue escorreu pelo caco e só então reparei na forma do caco: parecia uma faca.
Atirei o caco para longe e comecei a chorar. Senti uma mão tocar-me no ombro e senti um odor familiar- mel. Os braços dele abraçaram-me e eu pude sentir com mais clareza o cheiro a mel.
-Queres falar?- perguntou Eric apertando-me ainda mais contra o seu peito.
-Sim.- disse eu quase instantaneamente.
Eric pegou em mim, cuidadosamente, e tranportou-me até à cama. Deitou-me e depois deitou-se. Aninhei-me contra o seu peito e contei-lhe de todo o meu sonho. No final, acrescentei:
-Não sei porque tenho o sonho. É como se servisse para me lembrar que o meu irmão morreu por minha culpa...
-A culpa não foi tua.- disse Eric limpando-me as lágrimas.- Tu não mataste o teu irmão.
-Então porque sinto que o fiz?- disse eu.
-Porque tens necessidade de culpar alguém pela morte dele...e neste momento culpas-te a ti. Mas isso vai passar...- um silêncio seguiu-se.- Tenho de ir.- continuou ele.
-Obrigado.- disse eu.
Ele sorriu e disse:
-Este imbecil está sempre ao seu dispor.
De seguida, deu-me um beijo na testa e foi-se embora.
Levantei-me, vesti-me e fui até ao pátio, onde encontrei uma carruagem.
-Ah, menina Saphira. Muito obrigado pela estadia mas temos de ir.- disse o Senhor Crawley.- Surgiram uns problemazinhas no meu Reino. Mas nada de grave. Até uma próxima.
Os senhores Crawley despediram-se de mim e entraram na carruagem. Jason foi até ao pé de mim, enquanto eu acenava para os senhores Crawley.
-Problemas?- disse eu.
-Parece que uns amigos meus fizeram asneiras a pedido de um tipo qualquer...- disse Jason sorrindo.
-Fico feliz por teres cumprido a promessa.- disse eu.- Vais ficar?
-Ele vai-nos ajudar.- disse Eric aproximando-se de nós com cara séria.- Podemos falar, Jason?
-Claro.- disse ele.
Ambos se dirigiram ao escritório. Passado uns minutos, comecei a ouvir berros. Fui até ao escritório e ouvi atrás da porta:
-Ela ainda não está pronta.- disse Eric.- Ela ainda não vai.
-Tu próprio disseste que ela já tinha terminado os treinos. O que esperamos?- disse Jason.- Eu quero a Saphira de volta.
-Eu concordo.- disse Esmeralda.
-Ela não vai aguentar-se.- disse Zio.
-Se não lhe disseres que a Saphira está viva sou eu quem lhe conta tudo.- disse Jason.
-Se o fizeres és um homem morto.- ameaçou Eric.
-Acalmem-se garanhões.- disse Esmeralda.- Esta dois-dois. Precisamos de alguém que decida se vamos ou ficamos.
Eu entrei na sala e gritei:
-Permitam-me que seja eu a desempatar.
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Saphira
FantasyHeaven Graham era uma rapariga normal, 20 anos, finalista na universidade de Medicina. Numa noite, de regresso a casa após um longo dia de universidade, Heaven apercebe-se que um homem a persegue. O medo de Heaven cresce ainda mais quando o homem l...
