A rua, como sempre, estava vazia. Não se via nem alma viva. O som dos meus passos ressoavam pela rua inteira como se fossem tiros disparados num campo. Senti uma aragem fria. Abracei ainda mais os livros que trazia, tentando proteger-me do frio e afastar o medo que tinha tomado conta de mim. Respirei fundo. Senti que alguém me observava. Parei de repente e ouvi passos atrás de mim. Voltei-me, tentando ver o mirone, mas não encontrei ninguém. Apenas encontrei uma rua escura e vazia como encontrava todas as noites. Respirei fundo, mais aliviada por não ver ninguém. Voltei me de novo e retomei a minha rota. Andei um pouco e ouvi de novo passos vindos detrás de mim. O medo voltou, o coração disparou. Parei de andar e os passos também pararam. Pensei estar a imaginar mas uma brisa trouxe-me um cheiro estranho, como rosas e mel. Voltei-me para encarar o mirone mas, uma vez mais, apenas encontrei a rua vazia como de costume.
-Tens de parar de ser paranóica, Heaven.- disse eu tentando acalmar-me.
Respirei fundo e voltei-me uma vez mais para retomar o meu rumo quando sinto uma mão tapar-me a boca. Tentei soltar-me mas o homem encapuçado prendeu-me os braços com uma das mãos enquanto que a outra continuava a tapar-me a boca.
Era um homem alto, vestido com um sobretudo preto com capuz, o que me impedia de ver a sua cara. Tentei, em vão, gritar por ajuda.
-Calma.- disse o homem.
A sua voz era doce e firme. Não parecia do tipo de homens que ataca uma mulher à noite.
-Não te vou fazer mal. Sou um amigo e não um inimigo. Se tirar a mão prometes não gritar?- disse ele.
Eu assenti com a cabeça. Ele tirou a mão que me tapava a boca e colocou-a a segurar-me o braço.
-Eu não tenho dinheiro... Max podes levar a carteira. Só não me faças mal.- disse eu.
-Não te quero fazer mal. Apenas te quero avisar. Tu precisas da minha ajuda. Quando os teus poderes aparecerem, mortes irão rodear-te. Nesse momento irás pedir a minha ajuda.- disse ele.
-Porque haveria de pedir a tua ajuda?
-Eu sou o único que te pode ajudar.
Ouvi uma voz familiar chamar o meu nome. Enchi os pulmões de ar e gritei:
-Ethan, estou aqui. Ajud...
O encapuçado voltou a tapar-me a boca. Ethan gritou uma vez mais o meu nome. Parecia entra perto, cada vez mais perto.
-Bolas! Porque fizeste isso?- disse o mirone.
Vi uma sombra aparecer no cruzamento ao cimo da rua e o encapuçado largou-me e fugiu. Estava quase a escapar ao fundo da rua quando gritou:
-Os sonhos são os mais reais dos medos.
Dizendo isto, desapareceu no preciso momento em que Ethan me viu e correu até mim. Eu fiquei imóvel e ele, mal chegou ao pé de mim, deu-me um grande abraço.
-O que se passa? Porque estás a chorar?
Só nesse momento percebi que as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
-Um...um homem perseguiu-me e agarrou-me... Pensei que me ia matar mas depois...depois eu vi-te e...- gaguejei eu.
-Agora estou aqui. Está tudo bem.- disse Ethan.
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Saphira
FantasiaHeaven Graham era uma rapariga normal, 20 anos, finalista na universidade de Medicina. Numa noite, de regresso a casa após um longo dia de universidade, Heaven apercebe-se que um homem a persegue. O medo de Heaven cresce ainda mais quando o homem l...
