Desenrolar - parte III

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Ethan

Desde a primeira vez que a vi sabia que não era mais o mesmo. Parece estranho um cara de 16 anos falar isso, mas é sério. Quando nos conhecemos eu tinha 6 anos. Ta, talvez seja engraçado, pode rir, não me importo. Meu pais haviam se mudado pros Estados Unidos e eu havia ficado na Alemanha com os meus avós. Não queria ir para aquele país. Vim visitar meus pais nas férias. Foi quando meu irmão disse que receberia as amigas dele em casa. Não me importei, eu ia ficar no quarto jogando vídeo game. E foi o que fiz, eles ficaram brincando e eu no quarto jogando. Decidi descer pra tomar um copo d'água, vi meu irmão brincando com aquelas meninas, daí eu vi aquela ruivinha. Fiquei olhando ela, decidi que ia brincar com eles. Nem preciso dizer que não quis voltar pra Alemanha. Nos tornamos amigos, eu cuidava dela, protegia. Mesmo que ela não precisasse, eu estava ali. Estava porque gostava de estar. Ela foi crescendo e eu acompanhei as fases, uma pior que a outra. Eu amei acompanhar o desenvolvimento dela. Lembro que dois anos atrás ela me disse que tava com dificuldades em matemática. Chegou a zerar uma prova pra me pedir ajuda, disse que repetiria o ano por isso. Eu sei que ela é ótima com números, mas decidi entrar na brincadeira dela. Fiquei de professor particular. Enquanto explicava eu via o jeito como ela me olhava, era um olhar de admiração, era um olhar com significados. Quando viemos pra cá eu percebi como ela ficou ao me ver falando as meninas da minha turma. Ela se afastou de mim, eu sabia qual era o motivo. Naquela sexta-feira eu acordei decidido a perguntar o porquê da tortura, aproveitei que ela estava sozinha na arquibancada e fui até lá. Ela não soube o que me responder e aquela confusão foi o suficiente para que eu confirmasse o que já sabia - ela gosta de mim.
Então começaram os jogos. Eu surpreendia ela com beijos no rosto, abraços repentinos e beijos jogados no ar, em público. Ela ficava desconcertada - ela gosta de mim.
Comecei a falar com as garotas da minha sala no recreio, só quando ela tava perto. Ela mudava o semblante, tentava ignorar, mas pegava ela dando umas olhadas, querendo matar as garotas - ela gosta de mim. Eu devo dizer pra ela quais são os meus sentimentos.

AntonellaOnde histórias criam vida. Descubra agora