Brasil.
Verão de 2009.
A Avenida Ceci Cunha, ou, como era mais conhecida, "Avenida do Futuro", era uma das mais movimentadas da cidade. Uma de suas saídas laterais era a Rua Francisco Chagas, formando assim de certa forma, um "T" imaginário.
Na esquina onde as respectivas ruas se encontram, existia uma pequena loja de classe médio-alta da cidade que vendia materiais antigos, peças raras de colecionadores, grandes obras primas vindas de todas as partes do mundo. A loja "Paraíso".
Sempre ao bater com o espanador em suas prateleiras, a poeira se dispersava pelo ar do ambiente, deixando um cheiro esquisito, era o Sr. Roberto Falcão, um Homem de cinquenta e três anos, um metro e setenta de altura, cabelos curtos e grisalhos, olhos pequenos e deslumbrantes da cor azul e também dono da loja na qual trabalha desde que a herdou de seu pai. A loja que ficava com a porta principal virada para a Avenida Ceci Cunha, não era tão grande, possuía apenas um primeiro andar interno, ou, um mezanino, como é mais conhecido esse tipo de móvel. Lá ficava localizado o escritório do Sr. Roberto Falcão, uma pequena sala, dona de um luxo considerável que abrigava em seu interior secreto um saquinho preto com cerca de cem belíssimos diamantes vermelhos de aproximadamente 2 cm cada, peças raras, avaliadas em milhões, guardado no pequeno cofre que ficava atrás da fila de livros vermelhos na recheada estante que ali existia.
Na parte inferior da loja, abaixo do mezanino, ficavam as prateleiras presas na parede e um balcão onde ficava o único vendedor da loja, o bem humorado Sr. Anderson, um rapaz de trinta e três anos, de um metro e oitenta de altura, cabelos lisos e pretos, moreno, sorridente, bem educado e muito simpático. À frente do balcão ficava o espaço dos clientes, com um sofá confortável encostado no canto e também com as outras mercadorias da loja, tanto em prateleiras como também dispersas no interior da loja.
Todos os dias exatamente às 16h50min, o Sr. Anderson olhava para o relógio de parede perto da porta de entrada, e começava a organizar tudo para a loja ser fechada caso não tivesse algum cliente por lá. Logo após o procedimento, exatamente às 17h00min, o Sr. Anderson a fechava junto ao Sr. Roberto Falcão e partiam dali.
No dia onze de fevereiro, enquanto o Sr. Roberto Falcão descia a escada do primeiro andar interno da loja, o Sr. Anderson olhava para o relógio de parede próximo a entrada principal no qual marcava 16h50min, quando avistou pela vitrine da loja, no outro lado da rua, um caminhão de mudança estacionando bem em frente à ''Paraíso''. A primeira pessoa a descer do caminhão, foi o motorista, um senhor com aproximadamente 45 anos, cabelos grisalhos e uma barba mal feita. Logo em seguida, ele parou em frente a uma porta e gritou:
– O lugar é esse mesmo, pode descer dona.
Da porta do passageiro, desceu aquilo que parecia ser um anjo aos olhos do Sr. Anderson, era a coisa mais linda que ele havia visto em toda a sua vida. Tinha vinte e sete anos, era dona de um cabelo longo e bem escorrido de cor preta, pele branca como a neve e um belo par de olhos da cor azul. Sofia, assim era chamada.
– Vizinhança nova!
Foi o que falou o Sr. Anderson enquanto virava o rosto lentamente de encontro ao do Sr. Roberto Falcão.
– E que vizinhança nova! – Respondeu o dono da loja com um sorriso no rosto.
Uns dois dias depois, a moça que havia se mudado para a pequena casa que ficava de frente com a "Paraíso", estava agora sentada numa mesa de bar, trocando flertes com o sorridente Sr. Anderson.
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Tempo é dinheiro - Uma herança de John Dillinger
ActionO Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passava na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é. A melhor...