Arapiraca.
Desde pequeno o filho de Eduardo dos Santos demonstrava ser uma pessoa inteligente.
Quando tinha um ano já falava muito melhor que a maioria dos meninos da mesma idade. Aos quatro anos já falava em perfeitas condições com seu pai e era o aluno número um do jardim de infância, no colégio conhecido como Nossa Senhora Aparecida, ou simplesmente "pingo de gente" que fica localizado no Bairro Eldorado em Arapiraca.
Com dez anos se transferiu para outro instituto educacional, o Colégio Cenecista Nossa Senhora do Bom Conselho. Um dos mais antigos e recomendados da cidade. Era bem maior e possuía animais soltos por todas as partes. Uma espécie de "mini-zoológico", o que o tornava bem legal para muitas crianças. Animais como Cutia, Ganso, tartaruga e até mesmo pavão transitavam livremente nas dependências do estabelecimento. Entretanto, outras espécies como Araras, Macacos e outros pássaros menores permaneciam presos.
Seu endereço era a Rua Estudante José de Oliveira Leite, no centro da cidade. O diretor e dono era uma pessoa ilustre de Arapiraca, o Dr. Moacir Teófilo.
Ficou lá por muito tempo e conheceu muitas pessoas já que cada sala possuía uma média de cinqüenta a sessenta alunos. Namorou duas meninas entre a quinta e sétima série. Aos quinze anos terminou o primeiro ano de ensino médio e se transferiu novamente. Dessa vez para o antigo instituto São Luiz, o Colégio Rosa Mística, localizado na mesma Rua do Colégio Bom Conselho.
Era um ambiente totalmente diferente. Os meninos se importavam bastante em saber quem era o mais rico. Falavam sobre carros caros, viagens caras e bens materiais que seus pais possuíam. Contavam vantagens o tempo todo sobre meninas que namoravam.
As meninas queriam saber entre elas qual a que vestia a melhor marca ou usava a bolsa mais cara. Disputavam também a modalidade de quem namorava o menino mais musculoso e com menos neurônios possíveis.
Com tantas futilidades, Emanuel percebeu que a única coisa que restava a fazer era estudar. Dedicou-se durante dois longos anos em um meio ambiente desfavorável a ele e depois disso completou o terceiro ano científico, prestou vestibular e passou a cursar administração na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió.
Em um de seus primeiros dias como universitário ele se interessou pela loirinha da sua sala que sentava próximo a janela enorme de vidro que ali existia. Entretanto, a menina aparentava não o notar, o que o deixava tímido e sem coragem para puxar assunto. No fim do primeiro semestre em um congresso no estado da Bahia, Emanuel tomou uns goles a mais de cerveja até criar coragem e ir falar com a loirinha que praticamente pedia pra ser convidada a dançar.
A atitude dele não foi em vão, Emanuel dançou a noite toda com a loirinha que se chamava Helen. Era uma menina magra de aproximadamente um metro e setenta de altura. Possuía longos cabelos tingidos por um tom amarelado. Tinha os olhos grandes e castanhos claros. O corpo esbelto, o que chamava a atenção de muitos outros rapazes. Ela era muito estudiosa e apaixonada por uma boa música. Não gostava tanto de sair, mas, dependendo da ocasião, aproveitava a festa. Com tudo, ali era o inicio de um longo e feliz relacionamento.
Três anos e seis meses depois, mesmo período em que concluíam o curso de administração, os dois se casaram e decidiram morar em Arapiraca, terra natal de Emanuel dos Santos. Com o passar do tempo se estabilizaram e conseguiram empregos melhores. Emanuel havia estudado bastante por não se satisfazer com o emprego que tinha no banco HSBC até arrumar coisa melhor, sendo contratado para ser gerente do Banco Itaú. Helen era gerente de vendas de uma empresa grande de material de construção da cidade. Como era muito inteligente e esforçada, pouco tempo depois era diretora administrativa da mesma empresa. Depois de algum tempo construíram uma casa maior e se mudaram para ela mais ou menos quando tiveram o primeiro filho, Caio. A casa nova ficava na Avenida do Futuro, próximo a Praça Lyons, uma das melhores moradias em Arapiraca. Ao completar do quinto ano de Caio e também quinto ano que residiam ali, tiveram uma filha, a pequenina Débora.
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Tempo é dinheiro - Uma herança de John Dillinger
ActionO Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passava na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é. A melhor...