Rio de Janeiro.
Entre os anos 80 e 00.
Maik Madaunsk filho de Joseph Madaunsk e Peggy Madaunsk, ambos estrangeiros, nunca foi de conquistar muitos amigos. Era um menino franzino e costumava apanhar de meninos mais velhos no colégio.
Nunca levou jeito algum nos esportes. Certa vez quando fazia parte do time de futebol da 5ª séria do ginásio, foi responsável pelo gol contra que seu time levou nos jogos internos do colégio da época, o que ocasionou à derrota e consequentemente a desclassificação. Por conta desse gol contra, tomou uma surra de alguns meninos do time que o fez perder dois dentes. Daquele dia em diante Maik aboliu de vez o esporte na sua vida. Começou a estudar muito, e aos dezesseis anos, participou das olimpíadas de matemáticas sagrando-se campeão.
Animado com o título que conquistara, Maik se esforçou muito até concluir o mestrado e doutorado com vinte e dois anos, sendo assim considerado uma das mentes brilhantes do país. Aos vinte e seis se formou em análise de sistema pela UFRJ. Aos trinta passou no concurso da polícia federal sendo designado dois anos depois para a área da perícia, sendo considerado um dos melhores detetives do país.
Na manhã da segunda sexta-feira do segundo mês do ano 2004, dia 13, na cidade universitária do Rio de Janeiro a agencia do banco do Brasil havia sido assaltada por quatro homens armados com rifles e pistolas, fantasiados com máscaras do então presidente da República Federativa do Brasil naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva. Instantes depois o investigador Maik Madaunsk havia sido indicado para missão de desvendar o caso. Chegando ao local do crime, Maik Madaunsk contemplou o que parecia ser um crime perfeito de algum filme de Hollywood. Haviam assaltado o banco do Brasil da cidade universitária do Rio de Janeiro ao melhor estilo Dillinger nos anos trinta. Todos mascarados, armados e rápidos o bastante para fugirem antes que a policia os cercassem. Em seguida, Maik foi direto para a sala de segurança do banco onde ficavam os arquivos das câmeras de vigilância e sentou-se no computador central para começar a estudar o caso.
As câmeras conseguiram pegar muitas imagens. A entrada dos assaltantes no banco, a hora que dois dos quatro foram para os caixas e esvaziaram todos enquanto os outros dois explodiam os outros caixas, aqueles eletrônicos. Tudo bem sincronizado e planejado minuciosamente.
As coisas pareciam tão fáceis enquanto Maik olhava aqueles vídeos. Principalmente pelo fato de a ação ter durado exatamente 5 minutos.
Maik voltou um pouco a fita e assistiu novamente. Fez esse mesmo movimento mais algumas vezes e depois apertou o botão pause num certo momento. Ficou observando aquela imagem durante alguns minutos. Em seguida ele fechou o programa, confiscou os arquivos e partiu.
Seis meses depois, no dia 13 de agosto de 2004, na segunda e última sexta feira 13 daquele ano, exatamente às 09h00min, o banco Itaú localizado na Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro havia sido invadida por quatro homens armados com rifles e pistolas automáticas sofisticadíssimas e todos fantasiados. Cada um com uma máscara de um personagem da turma da Mônica, uma história em quadrinho muito conhecida no País.
A ação dos bandidos foi espetacular. Dois deles foram à frente atirando para todos os lados até chegarem ao caixa onde saquearam tudo que puderam. Os outros dois cuidaram em explodir quase todos os caixas eletrônicos para retirar o dinheiro. A ação durou nada mais, nada menos que 5 minutos. Uma viatura da polícia militar do Rio de Janeiro com dois policiais ia passando pelo local na hora do assalto quando viram aquela cena de filme acontecer. Os quatro personagens da turma da Mônica corriam saindo do banco pela porta da frente com sacolas cheias de dinheiro e armas de alto calibre. Sem dó nem piedade os dois policiais abriram fogo contra os terroristas. A resposta foi imediata, os quatro devolveram os tiros enquanto continuavam correndo até entrarem num Ford Maverick 1977 de cor preta que saiu a toda velocidade pelas ruas da cidade.
A viatura da policia saiu queimando pneu seguindo o Ford Maverick e atirando para impedir a ação. Do outro lado, os personagens aterrorizantes da turma da Mônica colocavam parte do corpo para fora do carro e devolviam os tiros com mais força ainda. Em um desses movimentos o inesperado aconteceu. A máscara de um dos bandidos saiu por conta do vento forte e só parou quando se chocou com o para-brisa da viatura militar. Tão rápido quanto à ação do vento que derrubou sua máscara, foi a bala do bandido, que inesperadamente atingiu o pneu dianteiro da viatura, fazendo-a capotar pelas ruas da cidade maravilhosa e consequentemente deixar os bandidos fugir a toda velocidade.
Em alguns minutos, às 10h25min, o investigador Maik Madaunsk segurava em sua mão esquerda a máscara do personagem Cebolinha da história em quadrinhos turma da Mônica, enquanto conversava com um dos policiais acidentados.
– Então... Vejamos... Assim que a máscara voou do rosto do bandido a bala atingiu o pneu e vocês capotaram?
– Sim. Exatamente. O desgraçado acertou em cheio.
– E o senhor não conseguiu ver o rosto dele?
– Não. Foi tudo muito rápido. A única coisa que pude enxergar naquele momento foi a cor dos cabelos dele.
– E qual era?
– Loiro.
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Tempo é dinheiro - Uma herança de John Dillinger
AksiO Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passava na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é. A melhor...