Maceió.
Terça-feira, 11 de fevereiro de 2009.
11h00min.
Minutos antes de o avião pousar uma pequena turbulência causou um solavanco que acordou a bela jovem da poltrona 14F, do lado da janela que dava de cara com a asa direita da aeronave.
Havia adormecido de forma tão rápida que ficou surpresa ao perceber como mais da metade do caminho tinha sido percorrido. Seu pescoço estava doendo por ter ficado tanto tempo na mesma posição.
Olhou ao seu redor e começou a observar as pessoas que a cercava. Eram exatamente dezesseis pessoas no interior do Boeing 277. Esse tipo de voo econômico não era o seu favorito. Formado por quatro fileiras, cada uma com dois acentos, o que fazia ela se sentir numa lata de sardinha. Mas conseguia ser o que menos tempo gastava até seu destino final. Ela era uma jovem muito ansiosa, nunca conseguia deixar para depois o que desejava agora, pois isso significava ter urgência para ontem. Era o motivo de pegar aquele voo econômico.
Ao seu lado estava uma senhora aparentando ter seus quarenta e poucos anos. Era ruiva e bem conservada. Estava vestido com roupas e calçado branco. Apoiava nas pernas alguns livros e um jaleco, dando a entender que provavelmente trabalhava na área da saúde.
O grupo que a cercava era bem diverso. Na fila da frente três homens bem vestidos aparentavam ser advogados. Tudo indicava que deixaram o serviço pouco tempo antes de embarcar. Uma senhora na fila de trás não parava de reclamar para a mulher ao seu lado sobre cada atitude da cunhada, coisa que estava fazendo desde quando saíram do ponto inicial na cidade do Rio de Janeiro. Era exatamente por esses tipos de comportamentos diversos que ela não tinha muita paciência e não abria mão em hipótese alguma de viajar sem seu aparelho celular. Um desses modernos telefones que vem com câmera embutida, capacidade de armazenamento gigantesca e tocador de mp3, a principal função dele para ela. Como as quatro estações do ano, a jovem tinha seus momentos. Em determinadas épocas ouvia um rock mais sujo. Quando estava um pouco mais emotiva, gostava de algo mais relaxante, intelectual. Coisas que a faziam refletir sobre tudo como a vida amorosa, profissional, familiar e tantas outras. Estava distraída vendo as nuvens do lado de fora. Quando ficou um pouco monótona, percebeu que o fone de ouvido caiu e voltou a colocá-lo. Pulou algumas faixas até achar o clássico ''Come As you Are'' da banda norte-americana Nirvana. Essa música em particular marcou sua adolescência. Até hoje a fazia arrepiar quando o solo inicial começava. E assim mais uma vez aconteceu, seu braço arrepiou por inteiro quando a música começou. O mundo lá fora parecia ficar mais leve. Realmente a canção a deixava num estado de transe, muitas lembranças surgiam junto com desejos futuros. Ela perdia o controle de seus pensamentos. Tudo ficava desordenado, mas era de certa forma uma coisa prazerosa.
Exatamente às 11h25min o comandante da aeronave informou que haviam chegado à cidade de Maceió e que o tempo estava agradável apesar dos 32 ºC. Em seguida o avião pousou no aeroporto internacional Zumbi dos Palmares.
Depois que pegou sua mala ao desembarcar, a moça foi em direção ao primeiro táxi que avistou. Ela entrou e sentou no banco traseiro no mesmo instante que o taxista perguntou o destino.
– Para onde, moça?
– Avenida Jatiúca, banco Itaú.
Obedecendo a ordem da moça, o taxista partiu em direção ao banco.
12h00min. A moça desce do táxi enquanto o motorista apanha sua bagagem no porta-malas. Em seguida ela paga a corrida e sai puxando sua mala com rodinhas em direção ao banco.
Passando pela porta de entrada, a jovem se dirige até a sala do gerente, na qual espera por cinco minutos até a chegada dele.
– Boa tarde! O que posso fazer pela senhora?
– Bom dia! – responde ela enquanto observa o crachá do gerente. – Gostaria de abrir uma conta, ''Arthur''. O que eu preciso fazer?
– Você precisa me trazer uma cópia dos seus documentos, comprovante de residência e renda. Caso seja uma poupança. Se por acaso for conta corrente, não precisamos do comprovante de renda.
Talvez por interesse na bela jovem ou não, Arthur facilitou as coisas quando ela informou-o que não tinha um comprovante de residência naquele momento, já que tinha acabado de chegar de viagem. Neste caso, seria o único documento que ficaria em aberto.
– Olha, abrirei essa exceção para você, mas me prometa que vai me trazer esse documento amanhã. Temos um acordo?
– Claro. Eu te prometo. Trarei amanhã mesmo o meu endereço para você.
Mesmo que despercebido para muitos, com um sorriso um pouco interesseiro ele pediu a ela que esperasse alguns minutos e saiu da sala. Instante depois retornou com um papel em sua mão direita.
– Senhorita? Aqui está. O número da sua conta é esse. – E passou o papel que segurava para a moça.
Ao abrir o papel ela observou bem aqueles números e os gravou em sua mente. "12156-8".
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Tempo é dinheiro - Uma herança de John Dillinger
ActionO Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passava na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é. A melhor...