Capítulo 15:

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Arapiraca e Maceió.

Sexta Feira, 13 de março de 2009.

'' Triiiimmmm... ''

O portão da casa da família ''Dos Santos'' mal terminara de fechar na saída de Emanuel quando a campainha foi acionada. Helen pôde ouvir antes mesmo de entrar em casa, dando assim meia volta e indo até lá para ver quem era tão cedo do dia, o que, por sinal, não era comum. Talvez por isso não tenha lhe passado pela cabeça que estava cometendo o pior, ou, um dos piores erros de sua vida.

– Pois não?

– Correios!

Com uma expressão um pouco surpresa, Helen não chegou nem a conferir pela peça chamada de ''olho mágico'' que fica na porta para ajudar a ver quem esta do outro lado e foi logo a abrindo.

'' BRUMMM! '' – Foi o som causado com o impacto do corpo de Helen ao cair no chão devido ao empurrão vindo do outro lado da porta quando ela abriu apenas alguns centímetros. Sua visão agora era aquele céu de cor bem azul, e sua cabeça começara a doer com o impacto da pancada. De repente, tudo ficou escuro. Um saco foi colocado em volta de sua cabeça. Em seguida a boca, mesmo por cima do saco foi vedada com uma espécie de faixa elástica. Helen foi colocada no porta-malas de um carro junto a duas crianças instantes depois.

A ação foi muito rápida. Levando em média uns 00h05min. Após isso, o carro saiu a toda velocidade, virou a direita na rua conhecida como Francisco Chagas, uma que forma de certa forma um ''T'' imaginário ao se encontrar com a ''Avenida do Futuro''. No mesmo local onde existe na esquina uma pequena loja de classe médio-alta da cidade que vende materiais antigos, peças raras de colecionadores, grandes obras primas vindas de todas as partes do mundo. A loja '' Paraíso''. Seguiu seu caminho em frente e saiu cortando por dentro do bairro Alto do Cruzeiro em direção ao centro da cidade.

Subindo uma ladeira que vinha logo depois de passar pelo prédio da empresa Unimed, Emanuel vira a direita e avista o semáforo marcando a cor verde. Empurrou o pé no acelerador de seu Honda Civic prateado, o que o fez parecer uma flecha cruzando as ruas do centro de Arapiraca na tentativa de conseguir cruzar o semáforo antes que o mesmo mudasse para a cor vermelha. O esforço, no entanto foi inútil. Antes que chegasse ao destino, Emanuel teve que brecar seu poderoso carro, pois o sinal havia mudado para cor amarela e ele achou melhor não arriscar a travessia. Após esperar aproximadamente 80 segundos, o sinal volta a marcar a cor verde e ele afunda o pé novamente no acelerador do Civic que responde imediatamente com seus potentes 140cv no motor. Seguindo esse curso, ele passa em frente a Agência do Banco do Brasil, denominada com o número 4234-X no mesmo instante que um Fiat Doblô 1.6 de cor verde escuro sobe a ladeira na esquina anterior a essa mesma agência bancária.

09h02min. – Bom dia! – Foi a primeira palavra dita por Emanuel ao entrar no escritório do Banco Itaú.

– Bom dia! – Responderam todos enquanto Emanuel dirigia-se para sua sala.

''Traaa!'' – Foi o primeiro som escutado seguido de outros mais longos.

'' Tra-ra-ra-ra-ra...Tra-ra-ra-ra! ''.

Emanuel virou o pescoço para o lado no mesmo momento e pensou consigo mesmo se seriam aqueles sons de tiros. Os outros funcionários ficaram em silêncio por certo tempo até que um deles quebrou o silêncio.

– Tiro?

O silêncio permaneceu por mais alguns segundos até Emanuel voltar sua visão para o funcionário e responder.

– Não sei. Mas, por via das dúvidas vamos ficar todos "antenados". Nunca sabemos o que pode acontecer.

Essas suas últimas palavras foram praticamente uma premonição do que já estava acontecendo com sua família.

10h38min. O segundo capitão, Willian, chega ao Banco Itaú e pergunta onde se encontra o gerente. O segurança informou que o Banco estava temporariamente fechado pelos acontecimentos que estavam ocorrendo no quarteirão vizinho.

– Assunto policial! Tenho ordens para tratar com seu gerente. Assuntos sigilosos. - Instantes depois, o segundo capitão batia a porta da gerencia.

– Sr. Emanuel dos Santos? Assunto policial. Preciso que o Senhor me acompanhe.

Emalgum lugar próximo a cidade de São Miguel dos Campos, estado de Alagoas, opassageiro que embarcou no ônibus da empresa Real Alagoas Viação Ltda olhapela janela enquanto aperta o botão de seu celular mudando de uma faixa musicalpara a seguinte, achando o clássico ''ComeAs you Are'' da banda norte-americana Nirvana. Essa música em particularmarcou sua adolescência. Até hoje a fazia arrepiar quando o solo inicialcomeçava. E assim mais uma vez aconteceu, seu braço arrepiou por inteiro quandoa música começou a tocar.

Tempo é dinheiro - Uma herança de John DillingerOnde histórias criam vida. Descubra agora