Capítulo 19: Maximiliano do Brasil.

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São Paulo e Arapiraca.

Entre os anos 70 e 10.

A família Viana, composta por Francisco Viana e Maria Cecília de Araújo Viana, moravam na "Grande São Paulo" quando tiveram o primeiro filho, Diego Viana. Isso em meados dos anos setenta. Quando o menino comemorou seu décimo primeiro aniversário, em 1979, ganhou um irmão e futuro fã número um, Maximiliano Viana, ou, como seria popularmente conhecido, Max.

Diego sempre fora muito astuto. Gostava de estudar e de se dedicar em tudo que fazia. Não gostava de perder. Quando entrava em uma disputa era para ganhar, fosse ela um jogo de poker valendo muito dinheiro, ou, fosse um jogo de bolinhas de gude. Assim como a maioria dos meninos do seu país, era fanático por futebol. Seu time de coração era conhecido como Palmeiras. Coincidentemente ou não, esse time era de origem Italiana, mesmo país de onde a família Viana tinha seus ancestrais.

O irmão mais novo onze anos, Max, foi praticamente criado por Diego. Com isso, virara uma sombra do irmão, copiando tudo que conseguia. Era uma coisa natural, pelo convívio mesmo.

Max não tinha tanta desenvoltura nas coisas que fazia como seu irmão, mas era um garoto esforçado. Uma das poucas coisas que não copiou do irmão mais velho foi o fanatismo pelo futebol. Tinha uma pequena simpatia pelo Palmeiras, pois cresceu vendo os jogos do clube paulista, já que seu irmão não desperdiçava nenhum. Ao completar sete anos, o que mais se passava em sua casa era a que marcara a décima terceira vez que a participava da competição. Era o único país a participar de todas as edições do torneio da , fato que persiste até a última edição realizada da Copa. A Seleção foi dirigida pela segunda vez consecutiva por . Os brasileiros tinham muitas dificuldades naquele ano, muitos craques como Zico e Falcão não tinham condições de serem titulares por conta de contusões. Outros haviam sido cortados por indisciplina, caso de Renato Gaúcho, um dos melhores atacantes daquela época e da história do futebol brasileiro. Mesmo assim, a seleção que caíra no grupo de Espanha, Argélia e Irlanda do Norte não se intimidou e terminou a primeira fase em primeiro lugar sem tomar nenhum gol. Embalados pela vitória contra a Polônia, nas Oitavas de final da copa, os brasileiros chegavam com moral para enfrentar os atuais campeões europeus. A França de Michel Platini. O equilíbrio marcou aquele jogo, em que as melhores oportunidades foram do Brasil. Aos dezoito minutos de jogo, Careca abriu o placar. Foi o quinto gol do artilheiro da Seleção naquela Copa. Os franceses chegaram ao empate ainda no primeiro tempo. Em um lance que envolveu Giresse, Rocheteau e Stopyra, o craque Michel Platini empatou aos quarenta. Foi o primeiro gol sofrido pela Seleção, depois de ter balançado as redes por dez vezes. Na segunda etapa, o Brasil teve o jogo na mão. Branco cujo futebol foi crescendo ao longo do Mundial - avançou, tocou para Zico, recebeu de volta belo passe e foi derrubado na área pelo goleiro Bats. Zico, que acabara de entrar no lugar do atacante Müller, apresentou-se para a cobrança, mas o camisa 10 bateu mal, e o goleiro francês defendeu. A partida foi para a prorrogação, mas permaneceu empatada. Na decisão por pênaltis, os franceses levaram a melhor. Na primeira cobrança, Bats defendeu o chute de Sócrates. A França fez 1 a 0 com Stopyra. Nas cobranças seguintes, as duas seleções converteram - a terceira cobrança francesa, de Bellone, a bola bateu na trave e nas costas do goleiro Carlos antes de entrar. Na última cobrança francesa, Michel Platini desperdiçou. Mas em seguida, Júlio César chutou e a bola explodiu na trave de Bats. Fernandez definiu a classificação francesa. O Brasil caía invicto. A geração de Zico, Júnior, Falcão, Sócrates e companhia perdiam a última chance de ganhar uma Copa do Mundo. Zico carregou o fardo da eliminação em sua triste despedida dos Mundiais.

Enquanto Diego Viana passava as mãos nos cabelos como se aquela fosse a pior sensação vivida por ele, Max apenas observava a televisão enquanto os franceses comemoravam o triunfo.

Tempo é dinheiro - Uma herança de John DillingerOnde histórias criam vida. Descubra agora