2 meses para poder passar o tempo com quem eu amava.
2 meses de solidão.
2 meses de silêncio.
O silêncio é a melhor resposta, para aquilo que o coração não consegue expressar.
"Como uma notícia pôde arruinar totalmente minha vida - pensei". Só faltava um dia para a viagem e eu não conseguia dormir. Não acredito que vou ter que largar tudo aqui. Meus amigos, meu trabalho e principalmente minha mãe. Logo lágrimas insistentes rolaram pelo meu rosto. Pelo menos eu tentei. Tentei convencer minha mãe de que deveria ficar mas aquela mulher só quer minha felicidade. Mas como vou ser feliz sem ela? Sentei na cama e olhei ao redor com a visão embaçada. Meu quarto estava coberto por malas e caixas, a metade de minhas decorações já não estavam mais lá, tudo guardado também. Foi uma péssima ideia ter me sentado e olhado ao redor pois aquilo seria algo que não sairia de minha mente por muito tempo, meu quarto tão vazio, o quarto que eu não veria por muito tempo. Não era mais aquela menina sorridente e alegre. No lugar do sorriso só haviam lágrimas. Sequei as mesmas e deitei minha cabeça no travesseiro pensando se deveria, ou não, desistir dessa ideia maluca de ir morar com meu pai em outro país. O que mais me assustava era isso, como iria ficar meu relacionamento com meu pai? Não queria me tornar tão próxima dele, até porque, não devo me acostumar com essa ideia e tenho medo de isso acontecer.
Bom, acho que agora é uma ótima hora para me apresentar. Meu nome é Júlia, acabei de completar 18 anos, olhos verdes, cabelos castanhos longos com as pontas azuis, pele clara e bem baixinha. Sou bem animada, ou pelo menos era bem animada. Tô sempre lendo e dançando. Meus olhos já estavam inchados do quanto eu chorei e eu só queria que aquilo tudo não passasse de um pesadelo, mas tinha total consciência de que aquilo estava realmente acontecendo. O sono já se fazia presente e meus olhos foram fechando, acabei adormecendo com sentimentos ruins tomando conta dos meus pensamentos.
(...)
Já estava no aeroporto, minha manhã não foi igual as outras. Tudo a minha volta tinha se tornado triste. Meus amigos vieram se despedir de mim e eu sentia que meu estoque de lágrima já havia acabado.
Júlia: off / Narrador: on
Júlia foi em direção a sua mãe dando-lhe um abraço forte quase deixando-a cair por conta do forte impacto:
_ Filha...vai dar tudo certo. - Juliana disse fechando os olhos e voltando a acariciar o cabelo da filha como sempre fazia quando a menina estava triste. Um truque que sempre funcionava mas ali, naquele momento, nada espantava a tristeza que se fazia presente.
E ficaram assim por um bom tempo, apenas aproveitando esse abraço que poderia ser o último. Júlia pensou em desistir, largar as malas e ir para casa com sua mãe mas já tinha chegado até ali, não podia desistir tão fácil.
_ Mãe, você aprendeu a usar o Skype né? - Júlia disse secando as lágrimas. Sua mãe deu um sorriso torto e Júlia gargalhou com aquilo.
_ Mãe! - Júlia disse sorrindo e bateu o pé no chão.
_ Ai filha, são muitas teclas, não entendo mas vou dar um jeito. Fica tranquila. - Juliana disse a tranquilizando. Seus amigos a chamaram e ela se afastou por um breve momento.
_ Não deixe ela saber o real motivo para ela estar indo para a Coréia. - Juliana disse se aproximando de Eduardo, com a tristeza tomando conta de seu olhar. O mesmo assentiu com a cabeça um pouco receoso sobre aquele segredo.
Narrador: off / Júlia: on
Após me despedir de todos, entrei no avião que me levaria para longe deles. Sentei ao lado da janela. Meu pai disse que iríamos para Seul, capital da Coréia. Me acomodei e durante a viagem fiquei olhando para o lado de fora me encantando com as nuvens. Nunca havia entrado em um avião, então tudo aquilo era muito novo para mim. Meu pai já parecia acostumado a fazer esses tipos de viagens. A vista de lá de cima era incrível e eu não podia discordar disso. Meu pai e eu não trocamos nenhum sequer olhar e eu não fazia tanta questão disso. Não queria falar com ele, não esqueci o que ele fez conosco. Passamos por muita dificuldade e ele nem sequer se importava.
_ Filha. - ele disse e continuei sem olhá-lo tentando ignorá-lo.
_ Hm. - resmunguei levantando as sobrancelhas. Não fiquei surpresa por estarmos nos comunicando desse jeito, seria assim por um bom tempo e eu sabia disso mais do que tudo.
_ Sei que é difícil para você se acostumar com essa mudança mas sei que você vai gostar de lá. - ele disse e continuei o ignorando. - Minha mulher tem uma filha que é 2 anos mais velha que você, vão ser grandes amigas. - ele continuou. - Eu trabalho numa grande empresa chamada Big Hit Entertainment, é uma gravadora, trabalho com um grupo famoso por lá. Filha...fale comigo.
Me virei rapidamente olhando em seus olhos. Na verdade, eu não me importava por nada do que ele disse. Não queria saber de sua mulher, de sua "filha", muito menos de onde ele trabalhava. Não queria que ele continuasse forçando uma conversa onde não ia dar em nada.
_ Eu vou dormir. Pronto, falei com você. - disse com um sorriso irônico nos lábios. Botei meus fones no volume máximo, claro no mp3. Fechei os olhos e na verdade não dormi, fiquei pensando na minha vida lá em Seul. Será que mudaria para melhor?
(...)
Assim que chegamos fomos pegar nossas malas. Sentei em um sofá de lá e esperei meu pai que estava conversando com algum funcionário. Era incrível como ficava perdida com tantas pessoas de olhos puxados. Nunca vou me acostumar com isso, até porque ainda não sei falar direito em coreano. Meu pai me ofereceu ajuda mas dispensei todas. Droga. Procurei algo para fazer enquanto meu pai não chegava. Ali tinha uma televisão que estava passando um clipe de 6...não, eram 7 garotos. Prestei atenção já que era a única coisa para fazer.
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Por incrível que pareça estava gostando bastante daquele clipe. Eles dançavam muito bem e a música era tão legal. Minha vontade era de levantar ali mesmo e dançar, já disse que amo dançar? Mas se fizesse isso iam pensar que eu era maluca. Tinha acabado de chegar aqui, queria ter uma boa impressão. Meu pai se aproximou e olhou para televisão onde passava o clipe e voltou seu olhar para mim.
_ Gostou? - ele disse e eu assenti com a cabeça prestando atenção na televisão. - Bom, é com eles que eu trabalho.
Ooi genteee :)
Deixem nos comentários o que estão achando. Como já disse, ainda tem muito por vir.
E quem não gostaria de ir para Coréia? Eu adoraria :p
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