Proposta

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_ Não se acha muito cara de pau, não? – pergunto com uma irritação nítida na voz. Sehun abre um sorriso debochado e revira os olhos, o que me deixa incrivelmente irritada.

_ Só quero te acompanhar. – ele diz calmamente.

_ Tá ok. Vamos ver se você me entende. Vai. se. fuder. Ficou claro ou ainda está difícil? – digo. Ele gargalha e volta a olhar para mim.

_ Você não vai querer isso quando eu apresentar uma proposta benéfica para você.

_ Enfia naquele lugar essa sua proposta e vê se toma vergonha na cara e pense duas vezes antes de querer "me acompanhar", babaca. – digo e volto a andar, o que foi totalmente em vão já que ele veio atrás.

_ Sabe... as pessoas são tão burras, tão distraídas. Você não acha? – ele pergunta mas fica sem resposta. – Distraídas ao ponto de não observar ao redor, não observar as pessoas que estão perto. Pessoas que muitas das vezes podem estar ali por algum objetivo. Ruim ou bom. – ele diz. Paro de andar e olho para ele.

Ele parece feliz por ter chamado minha atenção, mas na verdade eu só queria que ele calasse à boca e me deixasse em paz. Mesmo as palavras dele serem intrigantes.

_ O que você quer dizer com isso? – pergunto, o que foi o suficiente para ele abrir um enorme sorriso.

_ Você e seu namoradinho estão inclusos nessa lista de pessoas distraídas. Você se acha esperta mas... está bem longe disso.

_ Não respondeu minha pergunta. – digo, me segurando o bastante para não dar um soco na cara do mesmo e deixar ele sair como vítima no meio de tantas pessoas.

_ O que eu quero dizer é que... parece que seu encontro ontem não foi muito bom, não é? – ele diz com um sorriso no rosto. Engulo em seco e mantenho minha postura.

Então ele estava lá. Escutando tudo.

_ Uau, mas e agora? Vai ameaçar de qual jeito? Vai sair contando pra todo mundo que eu quero ir pro Brasil para ver minha família? Economize sua saliva, eu ja iria fazer isso. – digo. Ele nega com a cabeça e sorri de um jeito irônico.

_ Pequena garota, não quero te ameaçar em nada. Já lhe fiz muito mal, não acha? – ele diz e olha para as minhas pernas.

Ele havia me atropelado. E eu já sabia disso. Desde o momento que vi o carro se aproximando. Mas o que eu poderia fazer? Eu queria ser atropelada naquele momento.

_ Bom, ainda estou andando. Seu trabalho foi feito pela a metade. – digo.

_ Não era minha intenção te deixar paraplégica mesmo, isso não me afeta em nada.

Babaca.

_ Já terminou ou ainda vai bostejar mais? – digo. O garoto respira fundo, provavelmente segurando sua raiva. Eu também sabia que ele não gostava nem um pouco de mim. O que é motivo pra agradecer.

_ Você quer ir para o Brasil, mas... já pensou como?

_ Assim... um avião talvez... – tento ser irônica mas ele me interrompe.

_ Com que dinheiro? – ele pergunta.

Fico sem resposta, então acabo apenas fitando o garoto. Como eu fui burra. Não tinha pensado na parte mais importante de se fazer uma viagem. Aperto minhas mãos, sentindo a pequena dor que minhas unhas causavam ao entrar em contato com minha pele.

Sehun abre um sorriso e olha em volta.

_ Parece que você não pensou nisso. Eu disse que você não é esperta. – ele diz.

Stand Up Your Hand [pjm]Onde histórias criam vida. Descubra agora