24 - [Feelings on the beach]

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Não dei nem 5 passos depois que virei as costas e minha visão já estava toda embaçada. Depois que me afastei um pouco de onde estávamos comecei a correr, as lagrimas deixavam minhas bochechas geladas e eu trombava em algumas pessoas pelo meu desespero. Assim que cheguei na rua comecei a caminhar, decidi ir para a praia que já estava perto.

Ao chegar na areia retirei meus sapatos e fui caminhando até as pedras, sentei em uma delas onde parecia ter um laguinho de água salgada, coloquei meus pés nessa "poça". Olhando ao redor, a praia tinha gente mas estavam longe de onde eu me encontrava, logo comecei a soluçar ali mesmo.

Não conseguia parar de pensar na cena dos dois no chão, vi Nash dando o primeiro soco e é isso que tanto me perturba, não esperava isso dele, não queria que ele me decepcionasse, queria ter esperado menos dele, quem sabe assim agora eu estaria sofrendo menos.

Deitei nas pedras e deixei a natureza envolver meu corpo, sinto a água subindo bem devagar pelos meus pés que ainda se encontram no laguinho, a brisa marítima arrepia meus pelos de vez em quando, as lagrimas continuam rolando, mas agora choro em silencio e aprecio o barulho das ondas, sinto uma angustia, como se algo quisesse ser liberado, mas não sei o que meu corpo está pedindo, não entendo o que ele quer.

A água agora bate quase na minha canela, as lágrimas cessaram mas ainda sinto o rastro seco que elas deixaram em minha face, a angústia cresce a cada segundo que passa, sinto a brisa mais forte e algo passa por cima do meu pulso fazendo a sensação parar por um instante, abro meus olhos e viro minha cabeça, olho para meu pulso e tem uma folha seca ao seu lado, me lembro do toque meio desconfortável que senti quando ela passou por cima de meu braço, mas também me lembro de como a angustia diminuiu, de repente entendo o que meu corpo quer, o que meu consciente quer e o que tão rapidamente me deu vontade de fazer.

Sento na pedra e olho para o horizonte, o sol está se pondo mas ainda longe de encostar na água. A brisa me atinge novamente, fecho os olhos e respiro fundo, depois do longo suspiro olho para meu pulso, não existe nenhuma cicatriz tão aparente porém ao passar meus dedos sinto um pequeno relevo, esse é mais afastado de meu pulso na verdade, quase em minhas veias, me lembro do dia em que fiz ele, foi o dia da partida, o dia em que cheguei nessa cidade que tanto me encantou, mas também que agora me destruiu, estava em meu quarto, sentada no chão e apoiada na cama, várias fotos espalhadas no chão me lembravam a cada segundo tudo que deixai para trás. Esse foi o mais profundo, foi difícil para fazê-lo  parar de sagrar, e mais difícil foi falar aos outros o que tinha feito para ganha-lo. Mamãe e papai acreditaram na primeira coisa que disse, as outras pessoas nem repararam direito, e minha sorte foi Nash nunca ter passado a mão por cima e notado ele.

Nash. O garoto pelo qual agora estou em pedaços. Nash Grier, o menino pelo qual me apaixonei. O menino que me acolheu como nenhuma outra pessoa daqui fez. O menino que me faz sentir feliz. O menino que me salvou de wonderland e agora será a razão para eu voltar para lá.

- Desculpa... – sussurro com a voz fraca e junto à lágrimas que caem incessantemente.

O primeiro sai junto com um pequeno gemido, não sei se foi meu corpo expressando dor, ou se foi minha alma expressando alivio. A minha pele parece queimar. Avermelhado está é a cor do meu rastro em minha pele. Uma gota de sangue pinga sobre a pedra.

Coloco meu braço para frente e vejo as gotas do liquido vermelho caírem lentamente na poça d'água, formando um desenho abstrato. Percebo que as lágrimas não cessaram quando vejo que uma gota sem coloração caiu a poça também.

A angustia, antes tão presente, agora vai desaparecendo conforme vejo o rastro vermelho em meu braço e meu corpo liberando o líquido que me faz viver. Imagino como seria se eu apenas fizesse um que não parasse de sangrar, eu morreria certamente mas não me parece uma coisa tão ruim, afinal.

O sangue ainda escorre por meu braço, mas de forma lenta, me sinto aliviada mas ainda não completamente. Mais um  é adicionado às cicatrizes em meu pulso. Fecho os olhos e sinto o alivio chegar de uma vez, sorrio enquanto uma lágrima cai e sei que agora me encontro em wonderland, sei que agora não tenho problemas para resolver e sei que agora voltou ao que era quando cheguei nessa cidade, sei que estou sozinha num lugar que mal conheço e que acabei de perder meu único pilar de apoio.

O sangue parou, passo a mão pela mancha em meu braço e depois a passo na água também, limpo todo resquício de sangue e me deito novamente.

Mergulho meu braço na poça, fecho meus olhos com força, me recuso a sentir a dor física como uma coisa ruim. Uma brisa mais fria me faz arrepiar de frio, abro meus olhos e retiro meu braço da água.

Olho para o horizonte e agora o sol toca o mar, tiro uma foto. Levando e me encaminho para a areia. Olho para trás e vejo uma onda quebrando forte, molhando todo o local onde antes eu me encontrava, respiro fundo mais uma vez e vou em direção à rua a procura de um táxi para ir para casa.

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Oii, tudo bem?

Gostaram do capítulo? Foi bem pesadinho, não

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Até a próxima segunda.

Beijinhos.

Revisado

Wonderland (#wattys2019)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora